INTRODUÇÃO

O pneumotórax é uma condição pulmonar que acontece quando há uma lesão na pleura, membrana delicada que recobre o lado de fora do pulmão (pleura visceral) e a superfície interna da parede torácica (pleura parietal). A lesão provoca a entrada de ar, que deveria estar apenas dentro do pulmão, para dentro do tórax.

Com isso, o pulmão começa a se esvaziar, como se fosse um balão murchando. O próprio nome já explica a doença, ou seja, pneumo=ar, tórax=na cavidade torácica. Quando isso acontece, o pulmão perde a capacidade de se encher de ar, sendo que o ar que entra pela traqueia sai imediatamente em direção ao tórax.

SINAIS E SINTOMAS

Dor torácica – referida em 90% dos casos;
Tosse – ocorre em 10% dos pacientes;
Encurtamento da respiração (falta de ar) – ocorre em 80% dos indivíduos;
Agitação.
Cansaço fácil;
Aceleração dos batimentos cardíacos pode ocorrer;
Coloração azulada da pele (cianose) devido à falta de ar;
[p] De uma maneira geral, os sinais e sintomas supracitados variam conforme a magnitude do pneumotórax, ou seja, depende do volume de ar acumulado no espaço pleural. A presença de doença pulmonar prévia – bronquite crônica, por exemplo – também influi bastante.
A dor é aguda, tipo pontada, persistente, no lado afetado do tórax. Já a tosse é seca e irritativa, podendo piorar a falta de ar.

TIPOS DE PNEUMOTÓRAX

1 - Espontâneo

O pneumotórax espontâneo é aquele que surge de repente, sem nenhum fator desencadeante óbvio. Na maioria das vezes, este tipo de pneumotórax surge em repouso e de modo súbito.

O pneumotórax espontâneo é mais comum em homens, fumantes e pessoas magras e altas. O grupo de maior risco são os adultos jovens, entre 20 e 30 anos. O pneumotórax espontâneo é pouco frequente em pessoas acima dos 40 anos.

Por motivos que ainda desconhecidos, este é o grupo que apresenta maior risco de desenvolver bolhas nos ápices dos pulmões. Essas bolhas não representam nenhuma doença em si, mas podem se romper, causando um "furo" na pleura, facilitando, assim, a passagem de ar dos pulmões para a cavidade torácica. A analogia que podemos fazer é com um pneu que apresenta uma bolha, estando sob alto risco de se romper.

O cigarro causa inflamação das vias aéreas, facilitando não só a formação de bolhas na pleura, mas também o seu rompimento. Por isso, o cigarro é o principal fator de risco para o pneumotórax espontâneo.

Cabe ressaltar que o vilão do pneumotórax não é só o cigarro. Fumar maconha também está relacionado a episódios de pneumotórax, principalmente o ato de inalar profundamente a fumaça e soltá-la bem lentamente com os lábios semi fechados, mantendo a fumaça mais tempo presa dentro dos pulmões.

Além do fumo, praticar mergulho, montanhismo, pegar peso e viajar de avião podem desencadear um pneumotórax naqueles que já apresentam bolhas na pleura.

Nas mulheres, uma causa rara de pneumotórax é a endometriose do pulmão. Esse diagnóstico deve ser pensado em mulheres que fazem pneumotórax na época da menstruação.

2 - Pneumotórax secundário

Pacientes que são portadores de alguma doença pulmonar como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), tuberculose, asma, fibrose cística ou câncer de pulmão constituem um importante grupo de risco para um episódio de pneumotórax, considerado secundário, pois acontece em consequência de outra doença. Pacientes internados, principalmente aqueles que respiram com a ajuda de aparelhos mecânicos, também têm mais chance de desenvolver um pneumotórax.

3 - Pneumotórax traumático

O terceiro tipo de pneumotórax é comum e ocorre devido a um trauma na região do tórax. Qualquer lesão perfurante ou de alto impacto no tórax como facadas, tiros, fraturas da costela, acidentes de carro, moto, bicicleta, quedas, etc., podem causar um pneumotórax.

Além da classificação em relação aos tipos, ou seja, espontâneo, secundário ou traumático, o pneumotórax pode ser pequeno ou grande. Quando ele é considerado pequeno, a principal característica é um pequeno vazamento de ar, que não causa o esvaziamento completo do pulmão. Nestes casos, o único sinal é dor ao respirar.

Entretanto, nos casos de pneumotórax maiores, há comprometimento de todo o pulmão, causando não só o esvaziamento do órgão, como provocando uma dor muito forte e muita dificuldade para respirar.

4 - Pneumotórax hipertensivo

Este tipo de pneumotórax é na verdade um subtipo, geralmente envolvido nos casos de trauma no tórax. É muito grave e pode levar ao óbito, pois causa uma parada cardiorrespiratória, se não detectado e tratado imediatamente. Neste subtipo, a lesão na pleura gera um tipo de mecanismo que permite a entrada de ar que fica preso no tórax e com isso aumenta a pressão dentro da cavidade torácica. Isso comprime os órgãos internos, podendo deslocar o coração.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do pneumotórax deve ser suspeitado a partir da história clínica e dos sintomas do paciente. Se o pneumotórax for volumoso, é possível detectá-lo apenas com um exame físico bem feito . Isso é importante nos casos de pneumotórax hipertensivo que ocorrem fora do ambiente hospitalar, como após acidentes automobilísticos. Neste caso, o médico pode fazer o diagnóstico através da auscultação do pulmão do paciente e iniciar os procedimentos de emergência para descompressão do pulmão sem a necessidade de exames complementares.

Nos casos de um pneumotórax de pequeno volume, pode ser difícil fazer o diagnóstico com certeza apenas pelo exame físico. Nestes casos, o diagnóstico costuma ser confirmado através de exames de imagens, como a radiografia simples do pulmão ou uma tomografia computadorizada do tórax.

TRATAMENTO

Se o pneumotórax for pequeno (cerca de 2 ou 3 cm) e o paciente estiver clinicamente estável, o tratamento pode ser apenas expectante. Basta manter o paciente em observação que o pneumotórax costuma regredir sozinho.

Nos casos de pneumotórax volumoso, está indicada a colocação de um tubo através do tórax para aspiração do ar e expansão do pulmão. Quando a pleura cicatriza após alguns dias, o tubo é retirado.

Nos casos de pneumotórax hipertensivo, a colocação do tubo deve ser feita o mais rápido possível. Se a drenagem por tubo torácico não estiver imediatamente disponível, a equipe de urgência pode perfurar o tórax com uma agulha calibrosa, provocando a saída do ar pela mesma. Esse procedimento mantém o pneumotórax, mas ele agora não é mais um pneumotórax hipertensivo. O pulmão continua colabado mas já não há aumento de pressão dentro do tórax para comprimir o coração, uma vez que o ar consegue sair facilmente pela agulha. Esse procedimento transforma um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax não hipertensivo e é suficiente para salvar a vida do paciente enquanto se aguarda a chegada do material e da equipe para introdução do tubo torácico.

PREVENÇÃO

A maior parte dos casos de pneumotórax tem como desencadeante o cigarro. Portanto, a primeira medida de prevenção é parar de fumar, o que evitar outras doenças como a DPOC e o câncer de pulmão. Vale lembrar, que depois do primeiro episódio de um pneumotórax espontâneo, a pessoa tem de 40 a 50% de chance de ter novamente.

Já os casos de pneumotórax causados por acidentes de trânsito ou pela violência urbana necessitam de ações mais assertivas das autoridades públicas e de consciência das pessoas.

Fontes: SAÚTIL ; MD SAÚDE ; ABC da Saude