O Ebola

Um novo surto de ebola na África Ocidental tem deixado em alerta as autoridades de saúde em todo o mundo. A infecção pelo vírus ebola causa uma febre hemorrágica, uma das doenças virais mais perigosas, frequentemente fatais, com índice de mortalidade de 50 a 90% dos casos.

A Febre Hemorrágica Ebola - FHE é uma doença infecciosa grave, porém muito rara. O vírus ebola, considerado por muitos, o vírus mais perigoso que a humanidade conhece, é um filovírus de forma filamentosa que não possui classificação.

Ele recebeu essa denominação porque foi identificado pela primeira vez em 1976 na República Democrática do Kongo (antigo Zaire), perto do Rio Ebola.

De acordo com o último informe da Organização Mundial de Saúde (OMS), já são 1.201 casos registrados entre confirmados e prováveis, e 672 mortes na Guiné, Libéria e Serra Leoa neste ano.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, nenhum caso da doença foi registrado até o momento, mas o órgão segue acompanhando as atualizações diárias da OMS sobre a doença e monitorando o aparecimento de possíveis casos no país.

Sintomas

Os sintomas da infecção pelo Ebola costumam aparecer entre dois a 21 dias após a exposição ao vírus, mas como a maioria dos sinais se assemelha ao de viroses comuns, seu diagnóstico é dificultado.

Os principais sintomas da doença são: febre repentina, fraqueza, dor muscular, dores de cabeça e inflamação na garganta, seguidos de vômitos, diarreia, coceiras, deficiência nas funções hepáticas e renais. Alguns pacientes também podem apresentar erupções cutâneas, olhos avermelhados, soluços, dores no peito e dificuldade para respirar e engolir, além de sangramentos internos e externos.

As hemorragias são causadas por uma reação entre o vírus e as plaquetas presentes no sangue humano. Essa reação produz uma substância capaz de danificar células e criar "buracos" nas paredes dos vasos capilares, que transportam o sangue. Como os níveis de glóbulos brancos e plaquetas são afetados pela doença, o organismo não consegue realizar o processo de coagulação do sangue e interromper os sangramentos.

Transmissão

O Ebola pode ser contraído mediante o contato direto ou indireto com sangue, secreções e outros fluídos corporais contaminados tanto de humanos como de animais.

De acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras, em algumas áreas da África, a doença foi registrada por meio do contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.

Também foram relatados casos de pessoas que contraíram a doença em enterros após terem tido contato direto com o falecido vitimado pelo ebola.

A OMS alerta para o fato de que os homens podem transmitir o vírus por meio do seu sêmen por até sete semanas após terem se recuperado da doença.

O fim de um surto de ebola apenas é declarado oficialmente após o término de 42 dias sem nenhum novo caso confirmado, segundo as orientações da OMS.

Tratamento

Ainda não há tratamento ou vacina específica para o Ebola.

O tratamento padrão para a doença limita-se à terapia de apoio, que consiste em hidratar o paciente, manter seus níveis de oxigênio e pressão sanguínea e tratar quaisquer infecções. A terapia de apoio pode continuar desde que sejam utilizadas as vestimentas de proteção apropriadas até que amostras do paciente sejam testadas para confirmar a infecção.

O diagnóstico da doença é feito por meio de exames laboratório, após a realização de cinco diferentes testes, que incluem a análise de amostras de urina e saliva. Assim que confirmada a doença, o paciente deve ser isolado e as autoridades de saúde pública notificadas.

Prevenção

Várias medidas estão sendo tomadas em todo o mundo para evitar a proliferação do vírus Ebola. Segundo a OMS, é possível controlar os surtos da doença adotando medidas relativamente simples, como a implantação de práticas básicas de biossegurança em serviços de saúde e no atendimento aos doentes (isolamento dos pacientes; uso de máscaras, luvas e aventais pelos profissionais de saúde; limpeza adequada de superfícies; entre outras) e, na comunidade, evitar que pessoas tenham contato com o sangue e fluidos corporais dos pacientes.

Porém, as condições precárias de atendimento aos pacientes e as práticas culturais e religiosas em áreas dos países atingidos têm dificultado a contenção do presente surto.

A entidade também frisa que apesar da gravidade da doença, não há necessidade de pânico entre a população, já que, por suas características, a possibilidade de disseminação global do vírus Ebola é muito baixa. Mesmo assim, a OMS está orientando os países a monitorar e sobre como proceder diante de possíveis casos da doença.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que brasileiros que tenham viagens a esses países, evitem qualquer contato com sangue ou fluidos corporais de pessoas doentes. Também os profissionais de saúde do país estão obrigados a notificar imediatamente às Secretarias Municipal e Estadual e ao Ministério da Saúde, de acordo com a Portaria Nº 1.271, de 6 de junho de 2014, os casos de viajantes que chegam ao Brasil provenientes desses países e apresentam os sintomas da doença produzida pelo vírus Ebola.

Fonte: EBC