A miocardite pode decorrer de diversas causas infecciosas e não infecciosas sendo a miocardite secundária por infecção viral a forma mais prevalente.

Entre a variedade de doenças infecciosas que podem causar miocardite, as infecções virais são as mais comuns. Os vírus cardiotróficos mais prevalentes são adenovírus, enterovirus, parvovirus-B19, herpes simples, vírus da hepatite C (HCV), citomegalovírus (CMV), e Epstein-Barr (EBV).

A prevalência do perfil viral varia conforme o meio estudado. Em nosso meio observa-se prevalência de adenovírus, parvovírus e herpes, à semelhaça do que se encontra na população europeia. Já população americana observa se o predomínio de enterovírus.

Em cerca de 30% das miocardites virais observamos infecção por mais de um tipo de vírus. Na infecção por vírus da imunodeficiência humana (HIV/SIDA) foi observada em estudo de autopsia, a presença de miocardite em mais de 50% dos pacientes.

Em outras formas de infecção não viral, podemos ter o desenvolvimento de miocardite por Clostridium e Corynebacterium diphtheria, Meningococcus, Streptococcus, Listeria e Borrelia burgdorferi, que se manifesta como doença de Lyme.

Na América do Sul e especialmente em algumas regiões do Brasil a miocardite chagásica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é a forma mais prevalente de miocardite ou cardiomiopatia dilatada.

Vários fármacos podem causar miocardite de hipersensibilidade hipereosinofílica, ou a agressão tóxica direta do miocárdio, como a ciclofosfamida, a fenitoína, a zidovudina e as anfetaminas.

O diagnóstico deve ser suspeitado na presença de eosinofilia no sangue periférico ou infiltrado eosinofílico miocárdico. Também podemos ter o desenvolvimento de miocardite eosinofílica linfocítica secundária a vacinação.Doenças sistêmicas autoimunes como a síndrome de Churg-Strauss, e a síndrome hipereosinofílica estão associadas à miocardite eosinofílica.

A miocardite de células gigantes e a sarcoidose, embora raras, quando diagnosticadas precocemente podem ter o prognóstico alterado através de tratamento adequado.

Dentre as colagenoses temos a artrite reumatoide, a dermatomiosite e o lúpus eritematoso sistêmico como as de maior prevalência na agressão inflamatória miocárdica.

A cardiomiopatia periparto apresenta como possíveis fatores etiológicos: agressão viral, autoimunidade, distúrbio nutricional e origem familiar.

A prevalência de miocardite é variável observada em até 62% dos pacientes submetidos a biópsia endomiocárdica.

A provável infecção viral e autoimune se deve à maior suscetibilidade às infecções virais na fase gestacional e pela possibilidade de ativação imunológica pelas células fetais na fase pós-parto.

Fonte: Diretriz Miocardites e Periocardites