A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo. Ela é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabetes, 50% dos casos de insuficiência renal terminal.

A pressão arterial é a pressão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, com a força proveniente dos batimentos cardíacos. Quanto mais sangue for bombeado do coração por minuto, maior será esse valor, que tem dois números: um máximo, ou sistólico, e um mínimo, ou diastólico. O primeiro se refere à força de bombeamento do coração e o segundo, à pressão dos vasos sanguíneos periféricos (braços, pernas e abdome).

Hipertensão Arterial é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva.

Devem-se considerar no diagnóstico da HAS, além dos níveis tensionais, o risco cardiovascular global estimado pela presença dos fatores de risco, a presença de lesões nos órgãos-alvo e as comorbidades associadas.

A medida da pressão arterial deve ser realizada em toda avaliação de saúde, por médicos das diferentes especialidades e demais profissionais de saúde, todos devidamente treinados. Alguns estudos têm mostrado que, na prática clínica, nem sempre a medida da pressão arterial é realizada de forma adequada. No entanto, os erros podem ser evitados com preparo apropriado do paciente, uso de técnica padronizada da pressão arterial e equipamento calibrado.

O método mais utilizado para medida da pressão arterial na prática clínica é o indireto, com técnica auscultatória e esfignomanômetro de coluna de mercúrio ou aneróide, ambos calibrados. Apesar da tendência de substituir os aparelhos de coluna de mercúrio por equipamentos automáticos em razão do risco de toxicidade e contaminação ambiental pelo mercúrio, eles continuam sendo os mais indicados para a medida da pressão arterial porque se descalibram menos frequentemente do que os aparelhos aneroides.

ROTINA DE DIAGNÓSTICO E SEGUIMENTO

Na primeira avaliação, as medidas devem ser obtidas em ambos os membros superiores e, em caso de diferença, utiliza-se sempre o braço com o maior valor de pressão para as medidas subsequentes. O indivíduo deverá ser investigado para doenças arteriais se apresentar diferenças de pressão entre os membros superiores maiores de 20/10 mmHg para a pressão sistólica/diastólica.

Em cada consulta, deverão ser realizadas pelo menos três medidas, com intervalo de um minuto entre elas, sendo a média das duas últimas a pressão arterial do indivíduo.

A posição recomendada para a medida da pressão arterial é a sentada. A medida nas posições ortostática (em pé) e supina (deitado) deve ser feita pelo menos na primeira avaliação em todos os indivíduos e em todas as avaliações em idosos, diabéticos, alcoolistas e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva.

Na dependência dos valores da pressão arterial do indivíduo e do risco cardiovascular, define-se o intervalo entre as visitas para seguimento.

Recomendações para seguimento: Seguimento Sistólica/Diastólica

• < 130 mmHg < 85 mmHg: Reavaliar em 1 ano. Estimular mudanças no estilo de vida.
• 130-139 mmHg / 85-89 mmHg: Reavaliar em 6 meses. Insistir em mudanças no estilo de vida.
• 140-159 mmHg / 90-99 mmHg: Confirmar em 2 meses. Considerar Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e Monitoramento Residencial da Pressão Arterial (MRPA).
• 160-179 mmHg / 100-109 mmHg: Confirmar em 1 mês. Considerar MAPA e MRPA.
• > 180 mmHg / > 110 mmHg: Intervenção medicamentosa imediata ou reavaliar em 1 semana.

PREPARO DO PACIENTE PARA AFERIÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL

Um dos erros mais comuns na hora de medir a pressão arterial é achar que não é preciso preparo algum antes da pressão ser aferida.

A falta de conhecimento pode ser uma importante barreira para se evitar os erros relacionados a esse procedimento. Os erros podem implicar em valores aferidos falsamente elevados ou falsamente normais, expondo o paciente aos riscos da terapêutica medicamentosa desnecessária ou a não implementação dessa terapêutica, respectivamente.

O preparo do paciente para a medida da pressão arterial é de reconhecida importância para a correta execução da técnica. Esse preparo pode ser entendido como o preparo do indivíduo propriamente dito, mas também como os cuidados com o ambiente (questões ambientais que podem influenciar a resposta do indivíduo) e os cuidados de interação entre o profissional e o paciente.

As principais diretrizes internacionais de hipertensão sugerem as seguintes providências antes da aferição da pressão arterial:

1. Explicar o procedimento ao paciente, a fim de reduzir sua ansiedade.

Repouso de 5-10 minutos em ambiente calmo, com temperatura agradável. Promover relaxamento, para atenuar o efeito do avental branco (elevação da pressão arterial pela tensão provocada pela simples presença do profissional de saúde, particularmente do médico).

2. Certificar-se de que o paciente não está com a bexiga cheia; não praticou exercícios físicos há 60- 90 minutos antes; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 minutos antes; e não está com as pernas cruzadas.

3. Manter pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e relaxado.

4. Remover roupas do braço no qual será colocado o manguito.

5. Manter o braço do paciente na altura do coração (nível do ponto médio do esterno ou 4 espaço intercostal), apoiado, com a palma da mão voltada para cima e cotovelo ligeiramente fletido.

6. Solicitar para que o paciente não fale durante o procedimento.

PROCEDIMENTO DE MEDIDA DA PRESSÃO ARTERIAL

1. Utilizar manguito de tamanho adequado ao braço do paciente, cerca de 2 a 3 cm acima da fossa ante-cubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial. A largura da bolsa de borracha deve corresponder a 40% da circunferência do braço e o seu comprimento, envolver pelo menos 80%.

2. Estimar o nível da pressão sistólica (palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, desinflar rapidamente e aguardar um minuto antes da medida).

3. Palpar a artéria braquial na fossa cubital e posicionar a campânula do estetoscópio suavemente, evitando compressão excessiva.

4. Inflar rapidamente, de 10 em 10 mmHg, até ultrapassar, de 20 a 30 mmHg, o nível estimado da pressão sistólica.

5. Proceder a deflação lentamente, com velocidade constante inicial de 2 a 4 mmHg por segundo. Após identificação do som que determinou a pressão sistólica, aumentar a velocidade para 5 a 6 mmHg para evitar congestão venosa e desconforto para o paciente.

6. Determinar a pressão sistólica no momento da ausculta do primeiro som (fase I de Korotkoff), que é um som fraco seguido de batidas regulares, e, após aumentar ligeiramente a velocidade de deflação.

7. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff).

8. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa.

9. Se os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff) e anotar os valores da sistólica/diastólica/zero.

10. Registrar os valores das pressões sistólicas e diastólica, complementando com a posição do paciente, o tamanho do manguito e o braço em que foi feita a medida. Não arredondar os valores de pressão arterial para dígitos terminados em zero ou cinco.

11. Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas.

12. O paciente deve ser informado sobre os valores obtidos da pressão arterial e a possível necessidade de acompanhamento.

Fontes: MD Saude ;
Saúde Direta ;
Sociedade Brasileira de Hipertensão