A parada cardíaca, conhecida popularmente como morte súbita, mata mais pessoas no mundo do que acidentes de trânsito, armas de fogo, aids, suicídios e cânceres de próstata e de mama juntos. Este assunto é tão importante que chegou até a motivar a estruturação de protocolos e recomendações para a orientação no atendimento. A American Heart Association criou novas diretrizes para o atendimento do problema, focando em dois pontos: o tratamento do infarto agudo do miocárdio e o do infarto mais a parada cardíaca.A importância da discussão se deve ao fato de que o socorro do indivíduo com parada cardíaca deve ser imediato. Pois, caso haja demora na recuperação, o paciente poderá sofrer lesões graves e irreversíveis. A sobrevida é reduzida em sete a 10% a cada minuto após uma parada cardíaca. No entanto, de acordo com especialistas, o tratamento adequado pode diminuir as sequelas e os índices de mortalidade relacionados ao problema.

Segundo o diretor do Laboratório de Emergências Cardiovasculares do InCor (HC-SP), dr. Sérgio Timerman, em 95% das vezes a vítima morre antes de receber assistência. "Este é um problema de saúde pública e deve ser tratado como tal. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos registram cerca de 350 mil mortes súbitas por ano, a Europa cerca de 500 mil e, no Brasil, são aproximadamente 160 mil, o que dá uma média de 800 óbitos por dia. Desse total, 58 mil morrem devido ao infarto, transformando o problema numa das principais causas de mortalidade no País", comenta o médico.A principal modificação das novas diretrizes é a importância do uso do trombolítico em pacientes que tiveram parada cardíaca. Resultados de um estudo, chamado TROICA, mostraram que as chances de reversão são muito maiores com o uso do trombolítico do que só com a massagem e a utilização do desfibrilador.

Segundo a American Heart Association, há duas formas de prevenção à parada cardíaca: medidas primárias e secundárias. Controlar a hipertensão, o diabetes, o colesterol, a obesidade, o estresse e evitar o fumo estão entre as medidas primárias. As secundárias são utilizadas após a ocorrência do infarto e tem o objetivo de evitar que o problema piore ou que o indivíduo vítima do evento cardiovascular morra. Entre elas estão a massagem cardíaca, que garante que o sangue continue a ser bombeado por todo o corpo; o uso de desfibriladores, que faz com que o coração volte a bombear o sangue no ritmo normal; e a aplicação de medicamentos trombolíticos, que dissolvem o coágulo que impede a circulação normal do sangue.Outra mudança importante das novas diretrizes é a utilização de hipotermia induzida, ou seja, diminuição da temperatura do corpo em pessoas que estão em parada cardíaca, o que possibilita a reversão do problema, como também aumenta as chances de preservação dos órgãos. Isso porque evita que transtornos com o metabolismo aconteçam durante o tratamento.

O infarto agudo do miocárdio, que por ano acomete 300 mil pessoas no Brasil, é uma das principais causas da parada cardíaca. Na ocorrência do infarto, sabe-se que o cateterismo e a angioplastia são os tratamentos mais indicados e utilizados atualmente em todo o mundo. No entanto, realizar estes procedimentos não é a realidade do Brasil de acordo com dr. Sergio Timerman, pois muitos hospitais públicos não têm os subsídios necessários. Além disso, segundo o especialista, há falta de profissionais qualificados para a realização dos procedimentos, por isso a utilização do trombolítico tornou-se mais evidente e necessária, devido à maneira mais segura e eficaz, como também pela possibilidade do uso pré-hospitalar, ou seja, ainda na ambulância ou em casa.

Atualmente, a medicina está muito avançada e oferece medicamentos de última geração para o tratamento de pacientes vítimas de doenças cardiovasculares. A Boerhinger Ingelheim desenvolveu o tenecteplase, um fibrinolítico que age diretamente sobre o coágulo dissolvendo-o e desobstruindo de maneira imediata a artéria, restabelecendo o fluxo de oxigênio para o músculo cardíaco. O medicamento é diferente de outras drogas existentes hoje no mercado, que exigem uma aplicação por meio de uma linha de infusão endovenosa. O processo dificulta a administração da dose do medicamento e é de difícil manutenção com o paciente na ambulância em movimento. Além disso, necessitam de um tempo de aplicação que dura em média até uma hora e meia.O medicamento quando aplicado na primeira uma hora, após o infarto agudo do miocárdio, aumenta a chance de sobrevida do paciente, isto porque o medicamento pode ser utilizado na terapêutica pré-hospitalar. Estudos recentes apontaram um aumento de 17% da sobrevida de vítimas de infarto agudo do miocárdio quando utilizado este tipo de procedimento.

Fonte: Nome da Fonte:Boehringer Ingelheim do Brasil