Atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo são fumantes, fazendo com que o cigarro seja a principal causa de morte prevenível. Uma em cada dez mortes em todo o planeta está relacionada ao tabaco. Isto significa 6 milhões de óbitos por ano ou 1 morte a cada 6 segundos por doenças causadas pelo fumo.Para se ter uma ideia da tragédia que é o cigarro, morrem mais pessoas de doenças relacionadas ao tabagismo do que de SIDA (AIDS), câncer de mama e acidentes automobilísticos juntos.

Custos do tabagismo

Os gastos anuais no mundo com os problemas de saúde causados pelo tabagismo ultrapassam os 200 bilhões de dólares. Pessoas que fumam consomem em média 40% mais recursos dos sistemas de saúde que os não fumantes. Enquanto isso, empresas que comercializam cigarros, como a Philip Morris, apresentam lucro maior que a Nike e o McDonald’s.

Pulmão do fumante e do não fumante

O Brasil gasta perto de meio bilhão de reais no tratamento das doenças relacionadas ao fumo. Nos EUA trabalhos mostram que a cada dólar investido em programas de prevenção ao fumo, poupa-se 50 dólares do sistema de saúde. Portanto, pode-se dizer que cigarro também causa "câncer" no orçamento da saúde.

Perigos do cigarro

As principais causas de morte relacionadas ao tabaco são as doenças cardiovasculares, o câncer de pulmão e a DPOC (enfisema e bronquite cônica).Um fumante de longa data tem sua expectativa de vida reduzida em cerca de 13 anos, e pelo menos 50% dos fumantes morrerão de alguma doença diretamente causada pelo cigarro. Nos EUA 1/3 das doenças cardiovasculares, incluindo infartos e AVC, são causadas pelo cigarro.Um simples cigarro contém quase 5000 substâncias químicas, pelo menos 400 delas sabidamente tóxicas ao organismo e mais de 50 reconhecidamente carcinogênicas (que causam câncer). Entre as substâncias nocivas que absorvemos quando fumamos um cigarro podemos citar: metanol, arsênio, metano, amônia, cadmium, hexamina, monóxido de carbono, alcatrão e nicotina.

Principais doenças e problemas relacionados ao cigarro

Todas as doenças listadas abaixo ocorrem com mais frequência em indivíduos que fumam:

– Alzheimer
– Aneurismas da artéria aorta
– Aneurisma cerebral
– Artrite reumatoide
– Asma
– AVC (derrame)
– Bromidrose plantar (vulgarmente conhecido como chulé).
– Câncer de bexiga.
– Câncer da boca e língua.
– Câncer de colo do útero.
– Câncer de cólon e pólipos intestinais.
– Câncer do esôfago.
– Câncer do estômago.
– Câncer de laringe.
– Câncer do pâncreas.
– Câncer de próstata
– Câncer de pulmão
– Câncer do rim.
– Candidíase oral
– Catarata.
– Celulite
– Degeneração macular
– Diabetes mellitus
– Dismenorreia (cólicas menstruais)
– Doença de Crohn
– DPOC | Bronquite e enfisema pulmonar.
– Envelhecimento precoce.
– Fratura do colo do fêmur.
– Gangrena e amputações.
– Glomerulonefrites
– Hemorroidas
– Hérnia de disco
– Hipertensão
– Impotência sexual
– Incontinência urinária
– Infarto do miocárdio
– Infarto fulminante
– Infertilidade.
– Insuficiência renal
– Insuficiência venosa e varizes dos membros inferiores
– Laringite
– Lesões odontológicas.
– Leucemias
– Mau hálito
– Menopausa precoce
– Osteoporose
– Neuropatia óptica.
– Pé diabético
– Perda da audição
– Pneumotórax
– Pneumonia
– Psoríase
– Redução do paladar e do olfato.
– Rinite alérgica
– Trombose venosa profunda
– Úlceras de estômago e gastrite
– Úlceras na pele.
– Vaginose bacteriana

Fumo passivo

Já está comprovado que o fumo passivo pode levar às mesmas doenças do fumo ativo. Por isso, as leis antitabagismo, cada vez mais restritivas em todo mundo, não são apenas uma questão de não-fumantes incomodados com o cheiro da fumaça dos fumantes. É uma questão de saúde pessoal e pública.Cânceres de pulmão em não-fumantes são pouco comuns, mas boa parte destes acometem pessoas que moram na mesma casa de um fumante. 90% dos cânceres de pulmão ocorrem em fumantes, os restantes 10% ficam em boa parte com os fumantes passivos.

Um não-fumante casado com um fumante tem 20% mais de chances de morrer de câncer de pulmão e doenças cardiovasculares que não-fumantes não expostos ao fumo passivo. Não fumantes que vivem com fumantes apresentam uma mortalidade até 15% maior que pessoas sem contato frequente com o cigarro.Filhos de pais que fumam, expostos ao fumo passivo intradomiciliar por pelo menos 25 anos, tem o dobro de chances de desenvolver câncer de pulmão.

Recém-nascidos expostos ao cigarro durante a gestação apresentam quase 4x mais chances de morte súbita. O risco de má formação fetal em mães fumantes também é maior. Mulheres grávidas expostas ao fumo passivo apresentam bebês com baixo peso ao nascerem.

Benefícios de se interromper o fumo

• 72 horas – Melhora a respiração.
• 1 mês – Aumenta a perfusão da pele melhorando sua aparência.
• 3 a 9 meses – Os problemas respiratórios, como a tosse, desaparecem. A função pulmonar aumenta em 10%.
• 1 ano – Risco de infarto cai pela metade.
• 10 anos – Risco de câncer de pulmão cai pela metade.
• 15 anos – Risco de infarto é igual ao de não fumantes.
Após 15 dias de abstinência do cigarro o risco de câncer cai em 90%, todavia, nunca será igual ao de quem nunca fumou.

ATENÇÃO: Não existe quantidade segura de cigarros nem cigarro light. Quem fuma está sujeito a todos esses riscos, seja apenas um cigarro ou três maços por dia. Obviamente, quanto maior a quantidade, maior o risco.Alguns trabalhos científicos tentaram avaliar o benefício da redução da carga tabágica em até 50% como alternativa para aqueles que tem dificuldade em largar o fumo. Nenhum conseguiu mostrar vantagens, a mortalidade permanece a mesma. Os benefícios só ocorrem para quem abandona de vez o vício.

Opções para o tratamento do tabagismo

Cerca de 20% da população adulta é fumante. 70% destes, quando questionados, expressam desejo de parar de fumar e 40% afirmam já terem tentado pelo menos uma vez largar o vício. A taxa de sucesso, porém, é menor que 10%. A nicotina é uma substância psicoativa capaz de causar grande dependência física. A ausência de nicotina na circulação de pessoas viciadas em cigarros causa intenso desejo de fumar e sintomas de abstinência como:

– Irritabilidade
– Insônia
– Angústia
– Aumento do apetite
– Ansiedade
– Dificuldade de concentração
– Depressão

Algumas substâncias como café e álcool sevem como gatilhos para o desejo de fumar.Na hora que se decide tentar parar de fumar é importante lembrar que o ato de fumar além de ser uma dependência física, é também um comportamento adquirido, que podemos simplificar chamando de "força do hábito".Por isso, o tratamento psicológico pode ser tão importante quanto o medicamentoso, descrito seguir. A pessoa tem que realmente desejar para de fumar.

1.) Reposição de nicotina
Pode-se oferecer nicotina sem o cigarro através de adesivos de pele, gomas de mascar (pastilha elástica) ou spray nasal.
A quantidade de nicotina oferecida desta maneira é menor que no cigarro, por isso, acaba sendo mais fácil abandonar o tabaco e depois a reposição de nicotina do que cortar o fumo e a nicotina de uma só vez.

2.) Bupropiona (Zyban)
A bupropiona é um antidepressivo especialmente eficaz no controle da dependência da nicotina. O tratamento é normalmente feito com 12-24 semanas de uso da droga.

3.) Vareniclina
A Vareniclina é uma droga que age nos receptores cerebrais de nicotina, "enganando" o cérebro que acha que está recebendo nicotina. O tratamento também dura 12 a 24 semanas.

Atenção: Tanto a Vareniclina como a Bupropiona são drogas, por isso, podem apresentam efeitos colaterais e apresentam algumas contra-indicações. Não se deve tomar esses medicamentos por conta própria, sem avaliação médica, sob o risco de graves efeitos adversos.O tratamento da dependência do cigarro é feito com aconselhamento médico associado a terapia medicamentosa. Quando se dissocia um do outro, os resultados não são bons.

Fontes: MDSaúde