AMATO NETO (1989), relata que a transmissão do HIV dá-se principalmente durante atos sexuais (homo ou heterossexuais), sobretudo entre homossexuais do sexo masculino.

Entretanto, ressalta o autor, o risco passa a ser maior para as mulheres que os homens não infectados. O risco de transmissão de um homem para uma mulher durante o sexo por via vaginal é geralmente muito maior que o contrário.

Sendo as mulheres mais suscetíveis às doenças sexualmente transmissíveis que os homens, a incidência do risco de transmissão do vírus HIV é preocupante e requer atenção especial, principalmente na gestação, por implicar também no bem estar do feto em gestação e a estrutura da família, especialmente outros filhos.

Atualmente as mulheres, têm sido um grupo crescente atingido pela contaminação pelo vírus HIV, o que tem contribuído de forma assustadora para o crescimento do número de casos de AIDS em recém-nascidos.

AMATO NETO (1989) ressalta que a mulher infectada pode transmitir o HIV a seu feto por via transplacentária durante o primeiro trimestre da gravidez, sendo que 30 a 60% dos fetos de mães soro positivas são infectados durante esse período e há casos descritos de transmissão provável do HIV ao recém-nascido pelo leite materno

Segundo RESENDE (1999), "a via perinatal, depois da sexual e da sangüínea, é a terceira em freqüência, já comprovada para a infecção pelo HIV".

O número de mulheres contaminadas pelo HIV vem apresentando um crescimento importante na transmissão heterossexual. A faixa etária que compreende o maior número de casos está entre 20 e 39 anos, que coincide com a faixa reprodutiva da mulher.

Como conseqüência, nota-se um aumento do número de casos de SIDA/AIDS nas crianças, reflexo progressivo do acometimento das mulheres. Atualmente cerca de 90% dos casos de crianças infectadas se deve a transmissão vertical.MARIN (1991), em seu estudo, considera que o número de casos de AIDS pediátrico vem aumentando progressivamente em todos os continentes.

O autor ressalta ainda que a progressão da AIDS ocorre rapidamente, e a maioria das crianças vive menos de um ano depois do diagnóstico clínico.Para a Organização Mundial de Saúde (OMS 1998), o ano 2000 será crucial pois o número de infectados será de 30 a 40 milhões de indivíduos onde, quase a metade, será formada por mulheres que podem estar grávidas ou estarão em idade fértil e, consequentemente, poderão ser mães sem o conhecimento de que estão infectadas

Segundo MARIN (1991) a assistência pré-natal é um fator predominante na prevenção e no tratamento de patologias que põem em risco o bem-estar materno e fetal proporcionando uma redução nas taxas de morbimortalidade materna, fetal e neonatal.

De acordo com BRANCO & SOLANO (1998) o aconselhamento pré-natal, constitui uma etapa decisiva para um enfrentamento do processo de diagnóstico, uma vez que este é o momento adequado para se estabelecer os passos futuros, com o intuito de se alcançar um desfecho positivo, ou pelo menos não traumático, para a história que se inicia com a decisão de se fazer um teste anti-HIV.

Ao avaliar-se o grau de conhecimento sobre a transmissão vertical nas gestantes, está-se fazendo profilaxia, educação em saúde diminuição da transmissão vertical, além de r prestar-se um cuidado especializado para a gestante durante o pré-natal.

Na concepção de PORTO et al. (1992), a introdução da pesquisa de anticorpo anti-HIV na rotina de exames pré-natal, permitirá melhor avaliação da extensão do problema em gestantes.

Segundo MARIN (1990) para a gestante o fato de saber que é portadora do vírus da AIDS implica a necessidade de redefinir o valor da própria vida que está gerando, da morte e das relações interpessoais que mantém

Fonte: REE