A fibrilação ventricular é uma arritmia cardíaca grave , caracterizada por uma série de contrações ventriculares rápidas e fracas (inefetivas), produzidas por múltiplos impulsos elétricos , originários de vários pontos do ventrículo. Na fibrilação ventricular , os ventrículos apenas tremulam , não se contraindo de uma forma coordenada. Como o sangue não é bombeado para fora do coração, a fibrilação ventricular leva a uma parada cardíaca e, a não ser que seja tratada imediatamente , é fatal. A fibrilação ventricular ,pode ser precedida por outra arritmia ventricular grave , a taquicardia ventricular. A maioria das mortes súbitas são de origem cardíaca e , nesses casos , a fibrilação ventricular é o principal mecanismo que leva à uma parada cardíaca. Estima-se que 40% das paradas cardíacas súbitas, sejam por este tipo de arritmia cardíaca.

Causas

Praticamente todas as doenças cardíacas graves podem causar a fibrilação ventricular. A doença arterial coronariana ( formação de placas de gordura ou ateromas na paredes das artérias do coração ) , em suas formas aguda ( angina instável e infarto do miocárdico ) ou crônica ( cardiopatia isquêmica crônica ) , é a causa mais comum de fibrilação ventricular.
A hipertensão arterial ( cardiopatia hipertensiva ) as doenças das válvulas cardíacas , as doenças do músculo cardíaco ( miocárdio ) , como a miocardiopatia dilatada ( exemplo: a doença de Chagas ) e a miocardiopatia hipertrófica , ou ainda , as miocardites ( inflamação aguda do miocárdio ) , também poderão ocasionar uma fibrilação ventricular.
Algumas doenças hereditárias , que afetam exclusivamente a parte elétrica do coração , como a síndrome de Brugada e a síndrome do QT longo congênito , podem levar a taquicardia ventricular , fibrilação ventricular , parada cardíaca e morte súbita. Nessas duas doenças , o coração costuma ser estruturalmente normal.

A displasia arritmogênica do ventrículo direito é uma doença genética , aonde o miocárdio do ventrículo direito , é substituído por tecido fibroso e gorduroso , fato que acarreta uma alteração da forma , função e da atividade elétrica desse ventrículo. Essa doença , por causar taquicardia ventricular e fibrilação ventricular , é uma causa de morte súbita em pessoas jovens.
Curiosamente a fibrilação ventricular , poderá surgir em pacientes que usam medicamentos antiarrítmicos. Esse efeito colateral é chamado de pró-arritmia , podendo levar ao aparecimento de uma forma peculiar de taquicardia ventricular polimórfica ( com mais de uma forma no eletrocardiograma ), chamada de Torsades de Pointes. Essa forma de taquicardia ventricular , poderá progredir para uma fibrilação ventricular .Distúrbios graves da concentração de potássio no sangue ( hipopotassemia ou hiperpotassemia ) , também poderão levar a fibrilação ventricular.

Sinais e sintomas

O indivíduo com fibrilação ventricular apresentará perda da consciência , parada cardíaca e morte , caso não seja tratado de uma forma imediata. No exame físico , o paciente estará inconsciente e não observamos pulsos arteriais palpáveis ( ausência de pulso arterial ).

Diagnóstico:

Não há a necessidade de um registro eletrocardiográfico de fibrilação ventricular , para que esse diagnóstico seja suspeitado e o tratamento imediato , seja instituído. Em todos os pacientes inconscientes , nos quais não há pulsos palpáveis, deveremos suspeitar de uma parada cardíaca por fibrilação ventricular.
Em pacientes internados , sob monitorização cardíaca ( exemplo: infarto do miocárdio ) , a fibrilação ventricular poderá ser facilmente reconhecida no traçado eletrocardiográfico.

Tratamento:

Os pacientes inconscientes , que não apresentam pulsos palpáveis, deverão ser tratados como se estivessem com uma fibrilação ventricular. A primeira medida que deveríamos instituir , seria um choque elétrico , caso este equipamento esteja disponível. Em casos atendidos fora do ambiente médico , as manobras de ressuscitação cardiopulmonar ( massagem cardíaca e ventilação , em uma relação 30 massagens para cada duas ventilações ) , devem ser instituídas.No ambiente médico , os casos que não revertem com um choque inicial , poderão necessitar , além das manobras de ressuscitação cardiopulmonar , o uso de medicamentos injetáveis e novos choque elétricos sequenciais.Um estudo eletrofisiológico , pode identificar o foco da arritmia e, se possível , tratá-la através de uma ablação por radiofrequência. Em pacientes que foram recuperados de uma parada cardíaca ou ainda , aqueles que apresentam uma disfunção grave da capacidade de contração do ventrículo esquerdo , instalamos um dispositivo , chamado de desfibrilador automático implantável , o qual poderá identificar e tratar imediatamente um episódio de fibrilação ventricular.

Fonte: Portal do Coração