Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é um grave problema de saúde pública na atualidade. Estima-se que cerca de quinhentas mil pessoas sofram de TCE por ano nos Estados Unidos da América (EUA), sendo que 20% das vítimas terão algumas incapacidades e deficiências, causando sofrimento e transtornos não só para os pacientes, mas para toda a família (PECLAT, 2004).No Brasil as lesões traumáticas relacionadas aos acidentes de trânsito constituem a maior causa de morte entre 10 e 29 anos de idade. Isso significa que cerca de 40% das mortes ocorre na faixa etária entre 5 a 9 anos e 18% entre 1 e 4 anos, sendo o trauma de crânio a principal causa de morte e sequelas nessas faixas etárias (AFFONSECA et al., 2007).Segundo Melo, Silva, Junior (2004), o TCE começou a ser descrito
como importante fator de óbito em suas vítimas a partir de 1682, tomando proporções cada vez maiores, devido ao aumento de sua incidência estar diretamente relacionado com a evolução da humanidade e o desenvolvimento da tecnologia. Atualmente é a maior causa de morbidade e mortalidade nas comunidades; é a terceira causa mais comum de morte,excedido apenas por doenças cardiovasculares e câncer.De acordo com Canova et al., (2010), o TCE é definido como qualquer agressão que acarreta lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo e, de um modo geral, encontra-se dividido, de acordo com sua intensidade, em gravo,moderado e leve.

É considerado como processo dinâmico, já que as conseqüências de seu quadro patológico podem persistir e progredir com o passar do tempo.Existem dois tipos de lesões cranianas: lesão primária e secundária.Lesão cerebral primária é aquela resultante da lesão mecânica que ocorre no momento do trauma, em decorrência do impacto. A lesão cerebral secundária não está diretamente relacionada ao mecanismo de trauma; ela ocorre após o trauma inicial e é definida como lesão neuronal decorrente da resposta local ou sistêmica à lesão inicial (PECLAT, 2004).Entre as principais causas de TCE estão os acidentes automobilísticos, atropelamentos, acidentes ciclísticos e motociclísticos, mergulho em águas rasas, agressões, quedas e projéteis de arma de fogo. De maneira geral a gravidade esta relacionada com a intensidade do trauma. Fato relacionadocom prognóstico das vítimas de TCE apontou que as alterações neuropsicológicas pós-traumáticas constituem um dos principais fatores que determinam no futuro um grau de independência funcional alcançado e retorno no trabalho, como também o estabelecimento das relações familiares e sociais satisfatórias (AFFONSECA, et al., 2007).

Os cuidados às vítimas de TCE baseiam-se na estabilização das condições vitais do paciente. O atendimento se dá por meio do suporte à vida,exigindo agilidade e objetividade no fazer. Nesse sentido, o processo de trabalho molda-se na luta contra o tempo para o alcance do equilíbrio vital (PAI; LAUTERT, 2005).Nesse cenário, o enfermeiro tem papel fundamental no cuidado oferecido a essas vítimas, pois é necessário que ele esteja apto para obter uma breve história do paciente, realize o exame físico, executando o tratamento imediato, preocupando-se com a manutenção da vida. Deve aliar sua fundamentação teórica à capacidade de liderança, iniciativa e habilidades assistenciais e de ensino. Precisa ter raciocínio rápido, pois é responsável pela coordenação de uma equipe de enfermagem, sendo parte vital e integrante da equipe de emergência. Diante do exposto e, considerando que há sempre um questionamento sobre a atuação do enfermeiro na assistência a pacientes vítimas de TCE até a chegada do médico na sala de emergência, como observado empiricamente, definiu-se como objetivo de estudo: analisar os principais cuidados do enfermeiro prestados a vítimas de traumatismo cranioencefálico por meio de um levantamento bibliográfico acerca do tema.A partir do enfoque apresentado, este estudo poderá ser capaz de motivar novas pesquisas e poderá contribuir também, para que os enfermeiros atuantes na assistência a vítimas de TCE possam aliar à fundamentação teórica a capacidade de liderança, o trabalho, o discernimento, a iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional.


Fonte: Artigo Científico