Uma pessoa que se encontra doente e hospitalizada apresenta um desequilíbrio de suas necessidades humanas básicas que tem por conseqüência o estresse; sendo este ainda maior quando há recomendação de procedimento cirúrgico (PUPULIM & SAWADA, 2002; GRAZZIANO & BIANCHI, 2004). A enfermagem enquanto ciência e profissão que lida diretamente com seres humanos, precisa nesta fase, assistir o paciente em toda sua complexidade e para tanto necessita de anotações completas e objetivas acerca deste paciente, de tal modo que o embasamento científico seja garantido, tendo em vista a promoção da saúde e a recuperação da doença (GALVÃO et al, 2002). Desde os anos 70, esta forma de sistematização da assistência de enfermagem tem tentado operacionalizar os cuidados de enfermagem no Brasil (ROSSI & CASAGRANDE, 1990).

Durante a fase operatória, o paciente necessita de uma assistência de enfermagem individualizada e sistematizada; considerando ser uma fase bastante crítica, conforme defendido por vários autores (CASTELLANOS & JOUCLAS, 1990; JOUCLAS & SALZANO; SAWADA, 1991; SILVA & POTENZA, 1993; VALE et al, 1996), o enfermeiro do centro cirúrgico deve, assim, avaliar as condições do paciente no período pré - operatório, identificando seus problemas e fornecendo-lhe informações que certamente contribuirão para diminuir seus medos e, também, suas angústia, ansiedade e insegurança. Este processo de avaliação tem por objetivos servir de subsídio para o planejamento de uma assistência de enfermagem individualizada de alta qualidade nos períodos trans e pós-operatórios. Posteriormente, existe a necessidade de que todo este plano de cuidados seja analisado a fim de se ter conhecimento da qualidade da assistência oferecida, além de fazer uma avaliação quanto à comunicação entre as equipes do Centro Cirúrgico e das Unidades de Internação do paciente, no que diz respeito à continuidade dos cuidados de enfermagem prestados ao mesmo, que teve início na sua admissão (ZAGO, 1993).

A assistência de enfermagem no período operatório pode ser dividida em três fases: pré, trans e pós-operatórias. A fase pré-operatória é o período compreendido desde a véspera da cirurgia até o momento em que é recebido no Centro Cirúrgico (CASTELLANOS & JOUCLAS, 1990) e nesta fase há o momento pelo qual o enfermeiro do centro cirúrgico vai até a unidade de internação do paciente, tendo assim oportunidade de conhecê-lo, levantando problemas, como também necessidades, no intuito de planejar ações de enfermagem (GALDEANO et al, 2003). SAWADA (1991) por sua vez, define o pré-operatório como um período de detecção das necessidades físicas e psicológicas do paciente que será submetido a um procedimento cirúrgico.A definição do período trans - operatório é dada como sendo a fase que se inicia no momento da entrada do paciente no centro cirúrgico até sua saída da Sala de Operações (SO) e encaminhamento à Sala de Recuperação Pós - Anestésica (SRPA) e neste momento, segundo CASTELLANOS & JOUCLAS (1990) faz-se necessário à realização de uma prescrição de enfermagem ao final do ato anestésico – cirúrgico. Para GALDEANO et al. (2003) a ansiedade é identificada em quase metade dos pacientes cirúrgicos.

Por sua vez, o período pós - operatório, inicia-se com a saída do paciente da SRPA até sua alta hospitalar. Nesta fase, assim como nas outras, pode haver avaliação da assistência de enfermagem prestada no período pré e trans - operatórios. As primeiras vinte e quatro horas do pós - operatório constituem uma fase crítica, pois o paciente pode apresentar sérios distúrbios metabólicos e, além disso, após alta da SRPA deve ser continuada a assistência de enfermagem nas unidades de internação (PUPULIM & SAWADA, 2002). Com a realização das visitas pré e pós - operatórias de enfermagem é possível observar uma mudança acentuada de comportamento na maioria dos pacientes, havendo diminuição marcante no nível de ansiedade e complicações nos pós - operatórios imediato a tardio (GRAZZIANO & BIANCHI, 2004). Para BOFF (1999) cuidar é muito mais que um ato, é uma atitude de "ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro".

Segundo PELLIZZETTI & BIANCHI (1991) muitas cirurgias são canceladas devido ao extremo grau de ansiedade que o paciente apresenta, evitando assim, sérios problemas no período trans e pós - operatórios. A realização destas visitas constitui-se em uma responsabilidade do enfermeiro, conforme consta no decreto que regulamenta a lei do exercício profissional da enfermagem (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 1993), na qual, no artigo décimo primeiro determina que "a consulta e a prescrição da assistência de enfermagem é parte integrante do programa de enfermagem" e consiste, dentre outras atribuições, em incumbência privativa do enfermeiro.Diante do exposto, o presente estudo visa analisar comparativamente a assistência de enfermagem nos períodos pré e pós-operatórios, prestada a pacientes submetidos a cirurgias eletivas em um Hospital Universitário, através de um instrumento único, após a utilização dos instrumentos de comunicação escrita propostos por ARAÚJO & NORONHA (1998) e NORONHA & ARAÚJO (1998).[/p]

Fonte: Revista eletrônica de Enfermagem