Muitos profissionais de saúde não dão importância quanto ao manuseio das vias aéreas, mas em algum momento eles vão precisar desse conhecimento. O primordial no manuseio das vias aéreas não é intubar o doente e sim saber oxigenar o mesmo.Assegurar a patência das vias aérea e manter a ventilação de suporte do paciente, quando necessária, são etapas crucias na redução da lesão cerebral e aumento de um bom prognóstico. Portanto, a qualidade e a oportunidade com que o socorrista atende as vias aéreas no local afetam diretamente a evolução do paciente no longo prazo e a duração da sua permanência hospitalar, com isso, a primeira medida ao atender qualquer paciente logo que é feita a avaliação da cena é avaliar as vias aéreas. O tratamento agressivo da mesma tem prioridade. O primordial é conseguir uma via aérea pérvia e levar oxigênio para o paciente para não permitir que o mesmo entre em hipóxia seguida de PCR. Para conseguir ventilar e oxigenar a vítima o socorrista precisa conhecer os vários métodos manuais e equipamentos que levam a desobstrução e permeabilidade das vias aéreas.

CAUSAS DE OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS:

Restos alimentares
Relaxamento da língua
Corpos estranhos
Traumatismo facial: hemorragias e avulsões dentárias
Fratura de laringe e traqueia
Fratura bilateral de mandíbula
Ferimentos penetrantes no pescoço

TÉCNICAS MANUAIS DE DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS:

Elevação modificada da mandíbula
Tração da mandíbula
Elevação do mento (em caso de PCR com socorrista único)
Aspiração das vias aéreas após desobstrução e na presença de hemorragias

TÉCNICAS DE VENTILAÇÃO NÃO INVASIVAS

Ventilação por boca – mascara: O uso de um dispositivo de barreira entre a via aérea do doente e o socorrista é muito importante, reduz o risco de contaminação para o socorrista. Máscaras existentes no mercado possuem uma saída para acoplar uma fonte de oxigênio, assim o socorrista poderá enriquecer o ar nas ventilações aplicadas.Ventilação por bolsa – mascara: Esse dispositivo é composto por uma bolsa acoplada a uma máscara facial e a um reservatório de oxigênio. Com essa bolsa o socorrista poderá executar ventilações de até 1000 ml de ar e para que não haja escape, perdas de volumes de ar é necessária a vedação perfeita da máscara na face da vítima. A prótese dentária do doente ajuda a manter o arcabouço dentário e serve de base sustentatória para a vedação da máscara, se o paciente apresenta boa expansão torácica com as ventilações não há necessidade de retirar a prótese, somente se estiver solta ou quebrada e obstruindo a via aérea. A maneira correta de segurar a máscara é usando os dedos polegar e indicar de uma das mãos em forma de uma letra "C" para segurar a máscara e os dedos médio, anular e mínimo formando uma letra "E" segurando na parte óssea da mandíbula "ramo da mandíbula" Se o socorrista segurar na musculatura abaixo do mento estará obstruindo a via aérea do doente. Essa técnica pode ser utilizada com ambas as mãos e um segundo socorrista executa as ventilações.

MANUTENÇÃO ARTIFICIAL DAS VIAS AÉREAS

Quando as técnicas manuais falham ou quando é necessária a manutenção contínua das vias aéreas com métodos artificiais.

CÂNULA DE GUEDEL : é uma cânula orofaringe e permite a permeabilidade das vias aérea superiores, o tamanho adequado é do lóbulo da orelha até a ponta do nariz que é o tamanho da cavidade oral. Indicada para vítimas incapazes de manter a via aérea pérvia e pode ser usada para impedir que o paciente morda o tubo orotraquel. Esta contra-indicada o uso por tempo prolongado, correndo o risco de necrose de base de língua e em vítima reativas e semi-conscientes.

CÂNULA NASOFARÍNGEA: é uma cânula que vai manter a permeabilidade da via aérea da vítima semi – consciente através das narinas até a faringe, essa cânula é mais flexível e portanto melhor suportada pelo paciente. Esta contra – indicada em vítima com lesão de base de crânio, pessoas com adenóide proeminentes e distúrbios de coagulação (pode provocar hemorragias devido a lesão de cornetos). O trauma facial não é absolutamente uma contra-indicação, mas pode agravar o traumatismo.

MÁSCARA LARÍNGEA: No início era usada somente para acessar as vias aéreas em anestesias convencionais, mas logo se consagrou como equipamento essencial para manutenção da via aérea difícil . Uma vez posicionada ela se sobrepõe à laringe se acomodando como uma pequena máscara no hipolaringe.Não substitui a intubação orotraqueal, essa técnica esta entre a ventilação com bolsa máscara e a intubação orotraqueal, é como se fosse uma ventilação bolsa-máscara dentro da cavidade da larínge. No entanto não protege contra uma bronco aspiração. Esta contra-indicada quando houver a chance de se realizar a intubação orotraqueal e quando houver falta de treinamento da equipe, pois a realização da técnica incorreta pode empurrar a base da língua e assim acabar obstruindo a via aérea. Esta indicada nos casos de "não intubo, não ventilo" e pode ser usada como conduto para uma intubação traqueal com fibra ótica.

INTUBAÇÃO TRAQUEAL

A intubação traqueal é o método preferível para se conseguir o controle máximo das vias aéreas em pacientes traumatizados e tem por objetivo proteger a via aérea de uma possível bronco-aspiração ou obstrução. Estudos recentes, no entanto, demonstraram que no ambiente pré-hospitalar a IOT em pacientes instáveis não oferecia melhor prognóstico do que uma incersão de cânula de guedell e ventilação com bolsa-máscara. Mesmo assim, a IT tem maior preferência para controle das vias aéreas pois os benefícios superam os riscos:

Isola as vias aéreas.
Permiti ventilação com oxigênio a 100%
Elimina a necessidade de manter a máscara ajustada
Diminui significamente o risco de bronco-aspiração
Permiti a aspiração profunda das vias aéreas
Preveni a insuflação gástrica
Permiti uma via adicional de administração de medicamentos (Atropina, Lidocaína, Adrenalina e Noradrenalina)


Fonte: Treinamento em Suporte de Vida