A acalasia é um distúrbio esofágico neurogênico, de etiologia desconhecida, que afeta o mecanismo de funcionamento da cárdia (esfíncter esofágico inferior), resultando em dificuldade de passagem de alimento do esôfago para o estômago, podendo evoluir para dilatação esofágica.O termo acalasia possui origem grega e significa privação de relaxamento (a + chálasis). O primeiro quadro clínico desse distúrbio foi descrito por Thomas Willis, no ano de 1664. Já em 1821, Purton fez uma descrição bem minuciosa do quadro. Em 1882, Mikulicz descreveu a natureza da obstrução atribuindo-a a espasticidade da cárdia, utilizando um esofagoscópio. No ano de 1915, o termo acalasia foi utilizado por Sir Arthur Hurst, após realizar estudo com radiografias baritadas em pacientes portadores de disfagia. Carlos Chagas, no ano de 1916, ao estudar o Trypanossoma cruzy, atribuiu o "mal do engasgo" ao mesmo agente etiológico da doença que recebeu o seu nome.A acalasia ocorre devido a uma falha no relaxamento da cárdia, juntamente com a dismotilidade do corpo esofagiano, ou seja, não há a produção de movimentos peristálticos, gerando uma dificuldade de passagem do alimento pela transição esofagogástrica sem que haja uma estenose verdadeira, orgânica ou compressão extrínseca.

Normalmente a acalasia surge entre os 20 a 40 anos de idade. Os principais sinais clínicos desta disfunção são:
Disfagia (principal sintoma tanto para líquido quanto para sólidos);
Regurgitação;
Dor torácica;
Tosse noturna;
Azia e pirose (queimação);
Perda de peso.

O diagnóstico pode ser feito por meio de exame e histórico clínico. No entanto, como essa doença apresenta sintomas semelhantes a outras patologias que acometem o esôfago, faz-se importante a realização de exames de imagem, como por exemplo, endoscopia digestiva alta e raio-x contrastado do tubo digestivo alto. O segundo exame em questão mostra a ausência de contrações peristálticas progressivas durante a deglutição, porém evidencia a doença apenas quando já há dilatação do esôfago.

O principal método de diagnóstico é a manometria esofágica, onde os achados mais comuns são:
Ausência de ondas peristálticas no corpo esofágico, que pode apresentar-se atônito ou mostrar apenas ondas simultâneas, não peristálticas, de amplitude variável;
Relaxamento apenas parcial e incompleto da cárdia, normalmente associado à hipertensão esfincteriana;
A pressão intra-esofagiana, geralmente menos que a pressão intra-gástrica, pode estar aumentada pela presença de resíduos alimentares no seu interior.

O tratamento desta doença inclui mudanças no modo de vida, fármacos, cirurgia, entre outros. Os mais utilizados são: dilatação esofágica com balão, bloqueio neuromuscular da cárdia com injeção intramuscular de toxina botulínica realizada por meio de endoscopia digestiva alta e a miotomia cirúrgica, sendo este último tratamento o mais eficaz ainda dentre os conhecidos.


Fonte: Info Escola