A morte das células ósseas da cabeça femoral é conhecida como necrose da cabeça femoral. O termo necrose significando morte celular. A maioria dos pacientes afetados têm menos de 40 anos de idade. Este fato é muito importante na medida em que esta é uma idade ativa e os pacientes frequentemente deixam de praticar esportes, têm dificuldade para atividades simples como subir escadas ou mesmo abandonam a sua atividade profissional. O tratamento desta doença pode melhorar significativamente a vida destes pacientes.A necrose da cabeça femoral também é conhecida por outros nomes, como osteonecrose, necrose asséptica ou necrose avascular da cabeça femoral. Ela fragiliza a cabeça femoral, a qual sofre microfraturas e geralmente deforma de maneira progressiva. A maioria dos casos de necrose extensa da cabeça femoral resulta em destruição da articulação em três a cinco anos. É oito vezes mais comum em homens que mulheres e 30 a 50% dos pacientes têm doença bilateral (nos dois lados). Aproximadamente 10 % das artroplastias de quadril (próteses de quadril) são realizadas como consequência desta doença.Apesar de ser mais conhecida na cabeça femoral, outros ossos também podem ser afetados pela necrose óssea, incluindo o fêmur distal (joelho), úmero proximal (ombro), mandíbula, vértebra e ossos do pé e mão.

Causas

A lista de possíveis causas da necrose da cabeça do fêmur é extensa, porém em cerca de 80% dos pacientes a causa é a ingestão de álcool ou uso de medicações corticoesteróides (corticóides ou glicocorticóides).O mecanismo pelo qual estas causas levam à necrose óssea é variável, incluindo dano direto aos vasos, elevação da pressão intra-óssea e lesão direta das células. O resultado é a interrupção do suprimento sanguíneo e morte das células ósseas da cabeça femoral. A cabeça femoral enfraquecida acaba por colapsar e deformar na maioria dos pacientes com necrose em mais de 50% da cabeça femoral.

A seguir apresentaremos as causas mais comuns de necrose da cabeça femoral:

Medicações corticóides são usadas no tratamento de muitas doenças, especialmente reumáticas, de pele e em quimioterapias para tumores. Alguns exemplos desta medicações incluem: prednisona, prednisolona, dexametasona, hidrocortisona, cortisona, entre outras. Corticóides orais e injetáveis têm sido associados a necrose da cabeça femoral. Apesar de ser uma das causas mais comuns de necrose da cabeça femoral, ainda sim tem incidência baixa desta complicação considerando o grande número de pacientes usando corticóide. Estas medicações causam microêmbolos de gordura que obstruem as artérias ósseas. Além disso, provocam obstrução do fluxo venoso, aumentando a pressão intra-óssea. Os pacientes em uso crônico de corticóide estão em maior risco. Apesar disso, o uso de altas doses por pequenos períodos também podem causar necrose da cabeça femoral. Deste modo, o risco depende tanto do tempo de exposição quanto da dose utilizada.

Álcool

A ingestão de álcool pode causar necrose da cabeça femoral por mecanismos parecidos aos das medicações corticoesteróides. O risco é dependente da dose, e estima-se que a ingestão de 400 a 1000 ml de álcool por semana aumente o risco em cerca de 10 vezes, enquanto que ingestões maiores que 1000 ml por semana elevam o risco em cerca de 18 vezes.

Trauma

Milimétricos vasos (vasos retinaculares) saem da região trocantérica e passam na superfície do colo femoral para nutrir a cabeça femoral. Estes vasos podem ser lesados nas fraturas do colo femoral e deslocamentos do quadril (luxação), com consequente morte (necrose) óssea. A osteonecrose da cabeça femoral pode demorar até 5 anos após a fratura para causar sintomas.

Outras causas

Citamos acima as três causas mais frequentes de necrose da cabeça femoral. Entretanto, existem muitas outras possíveis causas, dentre elas as seguintes:

Transplante de rim, medula ou outros órgãos;
Infecção por HIV;
Radiação;
Lupus eritematoso sistêmico;
Anemia falciforme;
Doença de Gaucher.

Sintomas

Dor é o sintoma mais comum da necrose da cabeça femoral. A dor pode localizar-se na "virilha", região glútea, coxa ou joelho. A maioria dos pacientes sentem piora da dor com atividades e movimentação, porém também podem sentir dor em repouso ou acordar com dor. Claudicação (mancar) acontece em casos mais avançados, com os pacientes frequentemente necessitando de muletas. A maioria dos pacientes somente procura atendimento quando a doença já está em um estágio avançado. Deve-se ter um alto índice de suspeita em pacientes com fatores de risco como uso de corticóide e ingestão elevada de álcool.

Exames


Os exames de imagem são importantes para o diagnóstico da necrose e para auxiliar na indicação do tratamento. A maioria dos casos pode ser diagnosticada com radiografias do quadril (raio X), estes exames mostrarão cistos e áreas mais opacas na cabeça femoral. Nos estágios mais avançados identifica-se a deformação da cabeça femoral seguida pela perda da cartilagem do quadril (artrose do quadril como consequência da necrose da cabeça femoral). A cintilografia óssea e especialmente a ressonância nuclear magnética podem diagnosticar mais precocemente a necrose da cabeça femoral. Assim, esses exames são úteis em pacientes em que a radiografia não foi capaz de dar o diagnóstico e existe suspeita de necrose. A ressonância também pode eventualmente ser útil também para calcular a extensão da necrose na cabeça femoral e guiar o tratamento. Estes exames também podem ajudar a diferenciar necrose da cabeça femoral de outras como osteoporose transitória do quadril e fratura por insuficiência da cabeça femoral. Não é infrequente que exames de imagem do quadril demonstrem osteonecrose da cabeça femoral em pacientes sem sintomas que realizaram o estudo por outras razões.


Fonte: Dr. Munif Haten