A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) caracteriza-se, principalmente, pelas manifestações clínicas e laboratoriais de trombose arterial e/ou venosa recorrentes, abortamentos de repetição e trombocitopenia,além de anemia hemolítica auto-imune (AHAI),alterações cardíacas, neurológicas e cutâneas. Hughes descreveu uma síndrome com essas características em 1983, sendo que a associação com AHAI e manifestações cardíacas foi feita mais recentemente. O termo síndrome se justifica pela grande diversidade de quadros clínicos, particularmente a trombose, a perda fetal e a trombocitopenia, que podem ocorrer em associação com os antifosfolípides. A SAF primária ou idiopática é aquela em que os anticorpos contra os fosfolipídios de membrana surgem
sem nenhuma doença subjacente e a SAF secundária ocorre em associação com uma doença previamente existente, sendo comuns as associações com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e outras colagenoses, nas quais o anticoagulante ou inibidor lúpico (IL) também é comumente presente. Além disso, a SAF pode ser secundária a neoplasias (linfoma, leucemias), a doenças infecciosas (virais e bacterianas) ou ao uso de drogas (clorpromazina, hidralazina, fenitoína,procainamida, cocaína). Dentre as doenças autoimunes,
o LES representa cerca de 50% dos casos,podendo também estar associadas à Doença Mista do Tecido Conectivo e às vasculites clássicas, como a Panarterite Nodosa, a Síndrome de Churg-Strauss, a Granulomatose de Wegener, a doença de Behçet e a
Arterite de Takayasu. Em relação às doenças infecciosas, um grande espectro de patologias podem estar presentes, com etiologia viral ou bacteriana, devendo ser ressaltada a freqüência elevada (cerca de 70%) de anticorpos de antifosfolípides em indivíduos
portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Nesses indivíduos, os anticorpos antifosfolípides estão relacionados com o aparecimento da trombocitopenia,mas não com eventos trombóticos, tornando,então, imperativa a pesquisa da infecção pelo
HIV em todo paciente com as duas manifestações.Outras infecções, como rubéola, sarampo, caxumba,adenoviroses, hanseníase e micoplasmoses também podem originar anticorpos de anticardiolipina, porém de caráter transitório e não relacionados com trombose.Os anticorpos antifosfolípides (aPL) estão associados com trombose, trombocitopenia, perdas fetais recorrentes e uma variedade de síndromes clínicas. Esses anticorpos podem ser identificados por testes imunoenzimáticos (ELISA) ou de coagulação, dependentes de fosfolípides. Quando detectados por ELISA, eles podem ser denominados de anticorpos de anticardiolipina (ACA), pois este fosfolípide de carga negativa é utilizado como antígeno. Quando detectados por testes de coagulação, dependentes de fosfolipídios,eles são denominados de anticoagulante ou inibidor lúpico.


Fonte Artigo Científico