Acidente de trabalho é todo evento que ocorre durante o exercício do trabalho devido ao ato inseguro, a condição insegura ou ao fator pessoal de insegurança, que acarreta em perturbação funcional ou lesão corporal, resultando em morte, ou incapacidade laborativa.Esses acidentes são evitáveis e causam grande impacto sobre a produtividade, causam sofrimento físico, moral e psicológico, privam a sociedade de pessoas úteis e participativas e afetam a economia do país ao reduzir a força de trabalho da população economicamente ativa. Sendo assim, faz-se necessário adotar medidas de biossegurança, que visam à prevenção, a minimização ou erradicação de riscos inerentes às atividades. Entre essas medidas de biossegurança destaca-se o uso dos Equipamentos de Proteção Individual ou EPI's.Segundo a norma regulamentadora número seis (NR6): EPI é todo dispositivo ou produto de uso individual, destinado a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. E é de responsabilidade da instituição fornecer, exigir, orientar e treinar os trabalhadores quanto ao uso correto, guardar e conservar o mesmo. Para isso, faz-se necessário o conhecimento amplo da percepção dos profissionais de saúde com relação a esse assunto.Em geral, os trabalhadores de enfermagem, inseridos na produção em saúde, estão expostos a uma diversidade de cargas que são geradoras de processos de desgaste. A problemática no trabalho em saúde é acentuada aos que atuam em hospitais, uma vez que essa instituição é tipicamente insalubre. As características e as formas de organização e divisão do trabalho os expõem, ainda mais, pois são obrigados a permanecer nesse ambiente, durante toda sua jornada laboral e grande parte da vida produtiva.

Esses processos originam-se na exposição às cargas impostas pela forma como esse trabalho insere-se na produção em saúde e no setor terciário da economia capitalista brasileira.O desgaste se expressa "nas transformações negativas originadas pela interação
dinâmica com as cargas nos processos bio-psíquico humanos. É a perda da capacidade efetiva e/ou potencial, biológica e psíquica". Neste sentido, pode manifestar-se de forma aguda ou crônica, comprometendo a capacidade do trabalhador em desenvolver seu
potencial tanto biológico como psíquico.O desgaste não se refere de modo necessário, a uma doença diagnosticada e pode ser um processo reversível pela possibilidade do corpo humano recuperar perdas e capacidades, desenvolvendo potencialidades. É determinado pela interação do trabalhador com os elementos do processo de trabalho. O conceito de carga difere do conceito de risco pela noção de historicidade contida nos processos de adaptação.Estudo (SILVA, 1996), distingue que os trabalhadores de enfermagem estão expostos a dois diferentes tipos de cargas de trabalho: as de materialidade externa e as de materialidade interna ao corpo. As externas são aquelas que, ao interagirem com o corpo, sofrem mudanças de qualidade, podendo ser detectadas e medidas, sendo agrupadas em físicas, químicas, biológicas e mecânicas; e as internas expressam-se por transformações internas no corpo e agrupam-se em fisiológicas e psíquicas. A forma como o trabalho de enfermagem é organizado agrava os processos de
desgaste dos trabalhadores pela exposição às cargas químicas. Essa exposição ocorre pela interação do trabalhador com substâncias químicas em salas mal ventiladas e espaços físicos inadequados, que são potencializadas por problemas com equipamentos, mistura químicas, ritmo acelerado, pressões das chefias, longas jornadas, uso inadequado de Equipamento de Proteção Individual - EPI e falta de medidas de proteção coletiva que possibilitam ou intensificam essa exposição.

No Brasil inexiste uma legislação que trate especificamente da segurança e saúde no trabalho no setor saúde; nesse cenário a Norma Regulamentadora 32 (NR-32) revestese de grande importância, como legislação federal, específica da segurança e saúde no
trabalho no setor da saúde.Os serviços públicos de emergência têm como característica marcante a superlotação, o ritmo acelerado e o excesso de trabalho para os profissionais de saúde. Esses profissionais são expostos no ambiente hospitalar, a uma diversidade de riscos,estando vulneráveis a exposição de agentes microbiológicos, tornando-se necessário o uso de medidas preventivas universais para evitar acidentes ou enfermidades profissionais.Por ser um setor de alta complexidade, onde o profissional que nele trabalha, tende a ficar em contato com vários fatores de risco para sua própria saúde faz-se necessário uma atenção especial com relação à dinâmica de trabalho por parte dos profissionais nele inseridos.A equipe de enfermagem, envolvida na dinâmica da assistência ao paciente, focadas no "fazer" em saúde, muitas vezes no intuito de preservarem a vida dos pacientes com risco eminente de morte, se esquecem da manutenção da sua integridade se expondo aos riscos pertinentes desse atendimento. Por esse motivo se tornam mais
susceptíveis a acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Sendo assim, torna - se necessário despertar nos trabalhadores a consciência da importância do uso correto dos EPI's, para que eles possam atender as exigências de trabalho em um setor emergencial e esse mesmo trabalho não ser para o trabalhador fonte de riscos e de doenças ocupacionais e sim fonte de prazer e realização profissional.


Fonte: Artigo Científico