Desde os tempos remotos sabe-se que o homem e os micróbios partilham uma vida em comum que se perde na sombra do tempo; e, certamente, desde a pré-história eles vêm provocando doenças no homem. Entretanto, as causas destas doenças só começaram a ser descobertas a partir de 1878, graças, sobretudo aos trabalhos de Pasteur e Koch e seus contemporâneos, que demonstraram a origem infecciosa de várias enfermidades do homem e de outros animais (TAVARES, 2001).Com a descoberta e o início dos estudos dos microorganismos, ficou claro a divisão dos seres vivos reformulada por Wittaker, em 1969, baseado não só na organização celular como proposto por Haeckel, em 1866, mas também na forma de obter energia e alimento: Reino Plantae; Reino Animalia; Reino Fungi; reino Protista(microalgas e protozoários), e reino Monera (alga azul-verde e as bactérias) (TRABULSI, 2005).Foi então a partir do século XVI, com o desenvolvimento da alquimia, que as drogas medicinais passaram a ser obtidas por métodos laboratoriais, embora já fizessem uso de substâncias químicas e derivados de plantas, dando início ao desenvolvimento da pesquisa e da indústria químico farmacêutica com finalidade de produzirem drogas ativas contra os microorganismos e de baixa toxicidade para o homem, de tal modo que pudessem ser utilizadas nas infecções sistêmicas. Nesse contexto, a palavra infecção, de acordo com Martins (2006), é definida como um substantivo feminino que significa ato ou efeito de infeccionar-se, contaminação, corrupção, penetração, desenvolvimento e
multiplicação de seres inferiores no organismo de um hospedeiro, de que podem resultar, para este, consequências variadas, habitualmente nocivas, em grau maior ou menor.
O Ministério da Saúde (MS), na Portaria nº 2.616 de 12/05/1998, define Infecção Hospitalar como a infecção adquirida após a admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares (BRASIL, 1998).Para evitar ou tratar infecções causadas por microorganismos patogênicos, utilizam-se as drogas antimicrobianas. De acordo com Abrams (2006) vários termos são usados para descrever essas drogas: anti-infeciosos e antimicrobianos incluem medicamentos antibacterianos, antivirais e antifúngicos; antibacterianos e antibióticos geralmente referem-se apenas
aos medicamentos usados nas infecções bacterianas.

RESISTÊNCIA MICROBIANA

[p]Considerada um problema de relevância mundial, a resistência dos microorganismos aos antimicrobianos constitua sendo uma ameaça para a atenção aos pacientes e para o controle das doenças em todo o mundo. Preocupada com essa situação, a Organização Mundial de Saúde – OMS,
contemplou esta problemática como tema relevante no dia Mundial da Saúde, com vista a dar visibilidade a este problema que assola os serviços de saúde mostrando que não é novo e que se torna cada vez mais importante (OMS, 2011).Para Tavares (2008), esse fenômeno da resistência microbiana é complexo e refere-se a cepas de microorganismos que são capazes de multiplicar-se em presença de concentrações de antimicrobianos mais altas do que as que provêm das doses terapêuticas dadas a humanos. É um fenômeno biológico natural que se seguiu à introdução de agentes antimicrobianos na prática clínica e as suas taxas variam na dependência do consumo local de antimicrobianos.Achados na literatura (TAVARES, 2001; TRABULSI, 2005) apontam que uma bactéria é resistente quando cresce in vitro, nas concentrações que os antimicrobianos atingem no sangue quando administrados nas recomendações de uso clínico, e que antimicrobiano não induz a resistência e sim, é um selecionador das cepas mais resistentes existentes no meio de uma população De acordo com Nicolini (2010) a finalidade da administração de
antibióticos é de eliminar ou impedir o crescimento de um agente infeccioso sem causar danos ao hospedeiro. Podem ser vários os mecanismos de ação: a) interferir na síntese da parede celular do microorganismo, comprometendo os peptideoglicanos estruturais, no caso das penicilinas,
cefalosporinas, vancomicina e a bacitracina, b) comprometer a síntese de proteínas bacterianas: os aminoglicosídeos, as tetraciclinas, a eritromicina, entre outros e c) inibir a síntese de ácidos nucléicos: o metronidazol, as quinolonas, a rifampicina, as sulfonamidas e trimetoprima.Portanto, tendo em vista o grande número de antimicrobianos disponíveis e seus diferentes mecanismos de ação, assim como os diversos
mecanismos de resistência apresentados pelos microrganismos e a complexidade de determinados tipos de infecção, passou também a ser mais criteriosa a correta avaliação da sensibilidade aos agentes antimicrobianos
(MENEZES, 2007).Através do antibiograma é possível determinar in vitro a sensibilidade dos germes à ação das drogas antimicrobianas. Para isso, a análise dos antimicrobianos testados seguirá três categorias interpretativas que de acordo com Trabulsi (2005) são: 1. Sensível: o que em geral significa que a infecção devida ao microorganismo estudado pode ser adequadamente
tratada com a dosagem habitual do antimicrobiano testado e recomendado para este tipo de infecção. 2. Resistente: quando o isolado não é inibido pela concentração do antimicrobiano obtido no local da infecção ou quando o microorganismo patogênico apresenta mecanismos específicos de resistência. 3. Intermediário: significa que o microorganismo pode ser inibido por concentrações atingíveis de certas drogas se doses maiores
puderem ser administradas ou se a infecção ocorre em local onde o antimicrobiano é fisiologicamente concentrado (trato urinário, por exemplo).

Fonte: Artigo Científico