As alterações cognitivas referem-se a perdas de funções mentais que ocorrem devido à perda de neurônios que ocorre na Doença de Alzheimer. É essencial que o paciente mantenha-se, pelo maior período possível, independente e com o máximo de autonomia que os critérios de segurança permitir. No contato diário, pode ser uma tentação fazer pelo paciente quando ele não consegue desempenhar as tarefas com a mesma destreza ou qualidade. Sem dúvida, é preciso muita paciência para acompanhar o paciente quando ele demonstra dificuldade. Na pressa ou com o intuito de garantir um bom trabalho, os cuidadores podem executar as tarefas pelos pacientes sem que estes tenham a oportunidade de tentar. Faz parte da boa estimulação do paciente permitir que ele execute as tarefas o máximo que puder. Por isso, a ajuda oferecida deve ser gradual. Uma dica interessante é oferecer pouco e se necessário aumentar a oferta de auxílio.

Observe como o paciente desempenha as tarefas. Se ele estiver seguro, permita que ele faça sozinho.
Auxilie apenas nas etapas que o paciente não conseguir fazer Por exemplo, fazer parte da receita culinária, com auxílio para acompanhar a receita ou mexer no fogo.
Faça a maior parte, mas permita que o paciente participe de alguma maneira do resultado, nem que seja fazendo escolhas.Faça pelo paciente o que ele não conseguir, para garantir sua segurança, saúde e qualidade de cuidado.
Assim, é importante fazer com o paciente e não pelo paciente, respeitando e preservando sua capacidade atual de realizar atividades de vida diária. Supervisione, auxilie e faça por ele apenas quando realmente não houver nenhuma capacidade para execução de determinada tarefa. Isso o ajudará a manter a autoestima e será boa fonte de utilização de recursos disponíveis.

Perda de atenção/concentração

Um sintoma bastante comum refere-se à dificuldade das pessoas com Doença de Alzheimer de se manterem atentas. Pode acontecer de perderem a meta, ou seja, interromperem fala ou ação sem saber como dar continuidade ao que estavam fazendo. Outro sintoma frequente refere-se à capacidade de selecionar informações diante de estímulos simultâneos, podendo confundir dados ou terem dificuldade para entender informação quando sons ou falas acontecem ao mesmo tempo.

Dicas: Fale pausadamente, selecionando um assunto por vez. Mantenha contato visual e, se possível, táctil, enquanto estiver falando com uma pessoa com Doença de Alzheimer.
Faça pausas entre um tema e outro, para evitar confusão de informações.

Desorientação no tempo: É possível que o doente de Alzheimer fique desorientado no tempo. Isso significa que ele pode não conseguir estimar o tempo, saber a data ou o horário. Diante dessas dificuldades, é importante oferecer parâmetros e, especialmente na fase inicial da doença, é recomendável fazer uso de estratégias compensatórias, para dificuldades com uso de instrumentos que compensem as dificuldades. Nos início da doença, quando a capacidade de aprendizagem ainda encontra-se razoavelmente preservada, é possível introduzir treinos que facilitem a busca por informações temporais.

Dicas: Faça uso de agendas, alarme e calendários que auxiliem na organização. É importante que esses instrumentos sejam usados com acompanhamento.
Providencie relógio digital com números grandes e, preferencialmente, com data, que possa ser consultado pelo paciente sempre que ele perguntar o horário ou a data.
Monitore atividades agendadas para garantir cumprimento de compromissos. Não espere que o paciente identifique compromissos sozinho, mesmo que tenham sido anotados em agendas ou calendários.

Desorientação espacial: A desorientação espacial ocorre quando o paciente deixa de conseguir se localizar no espaço, ou seja, passa a ter dificuldade com percursos ou para saber a direção correta. Inicialmente, isso ocorre em ambientes menos conhecidos, podendo, conforme a doença evolui, incluir dificuldade para o paciente se orientar dentro da própria casa.

Dicas: Não permita que o paciente com desorientação espacial saia de casa sozinho. Ele pode se perder e ter muita dificuldade para retornar, expondo-se a situação de muito risco. Garanta que o paciente sempre tenha consigo formas de contato, para o caso de se perder.
Impeça a condução de veículos sem acompanhamento.
Tenha fotos recentes do paciente, para o caso de precisar procurá-lo com ajuda de desconhecidos.

Dificuldades de linguagem e comunicação: Com o avanço da Doença de Alzheimer, a comunicação do paciente pode tornar-se mais difícil. Pode haver dificuldade de compreender o que lhe é dito e de se expressar. É comum ser complicado evocar palavra e trocar palavras. Essas dificuldades podem fazer com que cuidadores desistam ou não tenham paciência em insistir para uma comunicação eficaz com o paciente. Entretanto, é essencial incentivar essa comunicação visando a estimular o paciente e a manter ativas suas funções preservadas.

Dicas: Tenha certeza que a atenção do paciente não está sendo prejudicada por outros fatores.
Fale clara e pausadamente, frente a frente, e olhando nos olhos do paciente.
Falas curtas e diretas facilitam a compreensão.
Mantenha contato físico afetuoso.
Preste atenção na linguagem corporal – pessoas que perdem a comunicação verbal, comunicam-se muito com os gestos e feições.
Formule questões de fácil compreensão, que possam ser respondidas com SIM ou NÃO, para que o paciente possa fazer escolhas. Estimule-o a responder com a cabeça ou as mãos.
Perda de memória recente

Devido à dificuldade de memória, é comum que o paciente com Doença de Alzheimer se esqueça de fatos dos quais participou ou mesmo onde colocou certos os objetos.


Fonte: Abraz