Um dos aspectos geralmente pouco observado por parte dos professores da musculação é o ciclo respiratório do indivíduo durante a execução de seus movimentos.

A literatura técnica "recomenda" que o INICIANTE na musculação mantenha uma RESPIRAÇÃO CONTINUA, aquela que diz que se deva manter a respiração normal não importando se este esteja na fase positiva ou negativa do exercício.
Entretanto, particularmente eu sou adepto do quanto mais cedo eu ensinar o "como deve ser feito" menos trabalho terei para corrigir no futuro. Ou seja, desde o primeiro dia na sala de musculação procuro dar a noção do ciclo respiratório mais adequado que para maioria dos exercícios seria INSPIRAR NA NEGATIVA E EXPIRAR NA POSITIVA. NOTEM UM DETALHE… EU DISSE "PARA MAIORIA DOS EXERCÍCIOS existem exceções? Sim meus caros, mas apenas duas e vamos deixar isso para O que é Manobra de Valsalva e qual sua relação com a musculação? hora! Vamos entender com calma, porque prefiro esse ciclo respiratório.
Quando se inspira contraímos os Intercostais Externos elevando o gradil costal e o Diafragma ao se contrair desce. Essa ação combinada aumenta a pressão intra-torácica que por sua vez, aumentará a pressão intra-abdominal (PIA). Os músculos abdominais (Reto do Abdômen, Oblíquos Interno e Externo e Transverso do Abdômen) quando contraídos contribuem para a manutenção da PIA tracionando a aponeurose toracolombar estabilizando a coluna lombar e reduzindo a pressão intradiscal. Nessa ação mecânica ventilatória ao inspirarmos a expansão da caixa torácica ajuda a estabilizar a cintura escapular nos exercícios com os membros superiores. Se somarmos a isso, a manutenção da ativação do músculo Transverso do Abdômen e demais músculos do abdômen aumentamos ainda mais a pressão intra-abdominal estabilizando a sessão média corporal tanto nos exercícios para membros superiores quanto inferiores.

Uma vez aprendido e automatizado esse ciclo respiratório e os treinos se tornam mais e mais pesados, naturalmente observaremos uma tendência a BLOQUEAR A RESPIRAÇÃO ao final da fase negativa e da inspiração. Chamamos isso de MANOBRA DE VALSALVA! A consequência da Manobra de Valsalva é a diminuição do fluxo sanguíneo venoso para o coração e imediatamente o Sistema Nervoso Simpático comanda que o coração bata mais rápido e que seja elevada a Pressão Arterial de modo a não faltar sangue e oxigênio para o cérebro. Uma pessoa sadia e treinada, essa Manobra não trará nenhuma consequência maléfica. Indivíduos destreinados e com baixa capacidade cardiorrespiratória estarão sujeitos à vertigens e desmaios por não conseguir oxigenar o cérebro eficientemente. Já indivíduos com algum tipo de problema cardiovascular (obviamente estes dificilmente estarão treinando intenso o suficiente para justificar o uso da Manobra de Valsalva) devem EVITAR essa manobra, sendo OBRIGAÇÃO dos professores alertarem para o risco de poderem provocar até um acidente vascular cerebral em casos extremos.

RESUMINDO A MANOBRA DE VALSALVA

Objetivo – fixação (estabilização) das cavidades abdominais e torácicas resultando no aprimoramento da ação dos músculos torácicos, da cintura escapular e redução da pressão intradiscal.

Sequência de eventos:

1. Máxima inspiração;
2. Fechamento da glote;
3. Contração máxima da musculatura expiratória;
4. Aumento da pressão intra-abdominal e da intratorácica a valores MUITO superiores a 150 mmHg acima da pressão atmosférica.

Consequências fisiológicas:

1) Aumento da pressão arterial no início do movimento:
• pressão intratorácica aumentada força o sangue de dentro do coração para o sistema arterial;
• aumento resistência vascular periférica pela contração dos músculos em atividade.
2) Queda subsequente da PA:
• menor retorno venoso e consequente menor volume de ejeção devido ao estrangulamento da veia cava inferior;
• menor oferta de sangue ao cérebro;
• vertigens, escotomas cintilantes (pontinhos brilhantes em frente aos olhos), desmaios.


Fonte: Planeta do Corpo