O linfoma de Hodgkin, também chamado de doença de Hodgkin, é um câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, um conjunto formado por órgãos e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade e por vasos que conduzem essas células por todo o corpo. O linfoma de Hodgkin, juntamente com o linfoma não-Hodgkin, são os dois tipos mais comuns de câncer que podem acometer o sistema linfático. No entanto, o linfoma de Hodgkin é menos recorrente do que seu par.De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, a estimativa de novos casos para o linfoma de Hodgkin é de 2.870, sendo 1.600 homens e 1.270 mulheres.
Além disso, ainda segundo o órgão, o número de óbitos decorrentes da doença, em média, é de 483 casos ao ano, sendo 260 homens e 223 mulheres.

Tipos

Existem vários tipos de linfoma de Hodgkin. Essa classificação se dá de acordo com as células envolvidas e o comportamento que elas desenvolvem. Conhecer o tipo exato de linfoma de Hodgkin ajuda o médico a determinar as melhores opções de tratamento.

Linfoma de Hodgkin clássico

O linfoma de Hodgkin clássico é o tipo mais comum da doença. Ele pode, ainda, ser dividido em subtipos. As pessoas diagnosticadas com este tipo de linfoma de Hodgkin apresentam células maiores e anormais nos nódulos linfáticos, chamadas de células de Reed-Sternberg.

Os subtipos de linfoma de Hodgkin clássico incluem:
Linfoma de Hodgkin de esclerose nodular
Linfoma de Hodgkin celularidade misturada
Linfoma de Hodgkin com depleção linfocitária
Linfoma de linfócitos rico Hodgkin clássico
Linfoma de linfócitos-predominantes de Hodgkin
Este tipo de linfoma de Hodgkin é muito mais raro. Seus portadores apresentam grandes células anormais, que às vezes são chamadas de células "pipoca", devido à sua aparência. O tratamento para este tipo de linfoma pode ser diferente do tipo clássico. Se diagnosticadas no início, as pessoas com linfoma de linfócitos-predominantes de Hodgkin podem ter mais chances de cura.

Causas

Não está claro o que causa o linfoma de Hodgkin.
Sabe-se que a maior parte dos casos de linfoma de Hodgkin ocorre quando uma célula de defesa, chamada de linfócito B, desenvolve uma mutação em seu DNA. Essa mutação faz com que as células se dividam muito rapidamente e continuem a viver - ao contrário de uma célula normal, que naturalmente morreria. Neste processo, o sistema linfático logo passa a ter um amontoado de células mutantes e anormalmente grandes, que ocupam o espaço que poderia ser de células saudáveis, causando, assim, os sinais e sintomas característicos do linfoma de Hodgkin.

Fatores de risco

Entre os principais fatores que aumentam o risco de linfoma de Hodgkin estão:
Idade
O linfoma de Hodgkin é mais frequentemente diagnosticado em pessoas entre os 15 e os 35 anos e em pessoas com idade superior a 55 anos.
Histórico familiar
Uma pessoa que tiver algum parente de sangue próximo diagnosticado com linfoma de Hodgkin ou linfoma não Hodgkin, como um irmão ou uma irmã, tem maior risco de desenvolver a doença.
Sexo
Pessoas do sexo masculino têm mais probabilidade de desenvolver linfoma de Hodgkin do que pessoas do sexo feminino.
Infecção pelo vírus Epstein-Barr
Pessoas que já tiveram doenças causadas pelo vírus Epstein-Barr, como mononucleose infecciosa, também são mais propensas a desenvolver o linfoma de Hodgkin.
Sistema imunológico enfraquecido
Ter o sistema imunológico comprometido, assim como acontece com pessoas soropositivas, ou com pessoas que passaram por um transplante de órgão, também eleva as chances de desenvolver linfoma de Hodgkin.

Sintomas de Linfoma de Hodgkin

Entre os principais sinais e sintomas de linfoma de Hodgkin estão:
Inchaço indolor dos gânglios linfáticos do pescoço, axilas ou da virilha
Fadiga persistente
Febre e calafrios
Suores noturnos
Perda de peso repentina e inexplicável (aproximadamente 10% do peso corporal)
Tosse, dificuldade para respirar ou dor no peito
Perda de apetite
Prurido intenso
Aumento da sensibilidade aos efeitos do álcool no organismo ou dor nos nódulos linfáticos após a ingestão de bebidas alcoólicas

Diagnóstico de Linfoma de Hodgkin

Para realizar o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, o médico poderá fazer uso de uma série de exames. Esses procedimentos ajudam a determinar o tipo específico da doença e esclarecer outras informações úteis para decidir sobre a forma mais adequada de tratamento.
No processo inicial de diagnóstico, o especialista poderá começar com um exame físico, a fim de procurar por vestígios de inchaço no pescoço, axilas, virilha, baço ou fígado. Em seguida, um exame de sangue é feito e a amostra é enviada para laboratório, onde será analisado para verificar se há possibilidade de câncer.

Tratamento de Linfoma de Hodgkin

Existem diversas opções de tratamento para linfoma de Hodgkin. O tipo de tratamento mais apropriado varia de caso a caso, a depender do tipo e estágio do câncer. Fatores como a condição de saúde do paciente de modo geral, suas preferências e necessidades apontadas pelo médico também contam na hora de decidir qual a melhor forma de tratamento.O principal objetivo é destruir o maior número possível de células cancerosas, fazendo com que a doença entre em remissão.
O tratamento clássico para linfoma de Hodgkin é feito à base de poliquimioterapia (quimioterapia com múltiplas drogas), com ou sem radioterapia. Para os pacientes que sofrem recaídas, ou seja, para aqueles que sofrem com a recorrência da doença, as alternativas vão depender da forma inicial de tratamento. As opções empregadas, geralmente, são a poliquimioterapia e o transplante de medula óssea.
Quimioterapia
A quimioterapia é um tratamento medicamentoso que usa produtos químicos para matar as células causadoras linfoma. As drogas quimioterápicas viajam através da corrente sanguínea e podem chegar a quase todas as áreas do corpo. É considerado o tratamento clássico para os mais diversos tipos de câncer.A quimioterapia é muitas vezes aliada à radioterapia em pessoas com linfoma de Hodgkin, principalmente em pacientes em estágio inicial. A radioterapia é normalmente feita após a quimioterapia. No linfoma de Hodgkin avançado, a quimioterapia pode ser usada tanto isoladamente como em combinação com a terapia de radiação.
Existe uma grande variedade de drogas quimioterápicas. Elas podem ser tomadas em forma de pílula ou por via intravenosa e podem provocar uma série de efeitos colaterais, que dependem muito dos medicamentos específicos que estão sendo ministrados. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas e perda de cabelo. Complicações graves decorrentes da quimioterapia podem ocorrer no longo prazo, embora não sejam assim tão comuns, como danos ao coração, aos pulmões, problemas de fertilidade e outros tipos de câncer, como a leucemia.
Radioterapia
A radioterapia utiliza raios de alta energia, como raio-x, para matar as células cancerosas. Para o linfoma de Hodgkin clássico, a terapia de radiação pode ser utilizada isoladamente, mas é muitas vezes utilizada após a quimioterapia. Pessoas com linfoma em estágio inicial de linfócitos-predominantes de Hodgkin geralmente passam somente por sessões de radioterapia.Durante as sessões, o paciente se deita sobre uma mesa e uma grande máquina se move no entorno, direcionando os feixes de energia a pontos específicos do corpo. A radiação costuma ser destinada principalmente a linfonodos comprometidos pelo câncer e a áreas próximas para as quais a doença pode expandir. A duração do tratamento de radiação varia, dependendo da fase da doença.
A radioterapia, assim como a quimio, pode causar efeitos colaterais ao paciente. Os principais são vermelhidão na pele e queda de cabelo no local onde a radiação é destinada. Muitas pessoas apresentam fadiga entre as sessões de radioterapia. Efeitos colaterais mais graves incluem doença cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), problemas de tireoide, infertilidade e outras formas de câncer, como de mama ou câncer de pulmão.
Transplante de medula óssea
Essa forma de transplante é uma opção para os pacientes já em estado avançado do linfoma de Hodgkin. O objetivo é substituir a medula óssea doente por células-tronco saudáveis que deem origem a uma nova medula. Esta também costuma ser uma opção de tratamento para casos de linfoma reincidente.Durante o transplante de medula óssea, as próprias células-tronco do sangue do paciente são removidas, congeladas e armazenadas para uso posterior. Em seguida, o paciente recebe altas doses de quimioterapia e radioterapia para destruir as células cancerígenas em seu corpo. Finalmente, as células-tronco são descongeladas e injetadas em seu corpo por via intravenosa. Uma vez já dentro do organismo, as células-tronco ajudam a dar origem a uma medula óssea, desta vez saudável.


Fonte: Minha Vida


Fonte da imagem: SlideShare