Guastelli, Ribas e Rosa (2006) completam a definição, quando afirmam que a PIC fornece informações importantes que precedem o aparecimento de sinais e sintomas de descompensação (lesões secundárias), permitindo um tratamento precoce e eficaz. A monitorização da pressão intracraniana (PIC) vida estabelecer os níveis de pressão e também oriente e racionaliza o emprego das medidas terapêuticas, além de avaliar sua eficácia ao longo do tratamento.

A pressão intracraniana é exercida pelo volume combinado dos três componentes intracranianos:
- Componente parenquimatoso: constituído pelas estruturas encefálicas (tecido encefálico)
- Componente liquórico: constituído pelo liquido cefalorraquidiano (LCR) das cavidades ventriculares e do espaço subaracnóide (liquido cerebroespinhal)
- Componente vascular: caracterizado pelo sangue circulante.

A teoria de Monro- Kellie afirma que o volume intracraniano é igual ao volume encefálico mais o volume do sangue cerebral acrescido do volume do liquido cefalorraquidiano (LCR). Qualquer alteração no volume de algum destes componentes, bem como adição de uma lesão, podem levar a um aumento da PIC. (Guastelli, Ribas e Rosa 2006).
Segundo esta hipótese, em virtude do espaço limitado dentro do crânio, um aumento em qualquer um destes componentes provoca uma alteração no volume dos outros, havendo necessidade de deslocar ou movimentar o LCR, aumentar a sua absorção ou diminuir o volume sanguíneo cerebral.

Os valores normais da PIC citados por muitos autores é de 0 a 15 mmHg, entretanto na prática clínica é aceitável valores de até 20 mmHg. Reis (2002) afirma que mais importante que a simples mensuração da PIC é o seu papel na determinação da pressão de perfusão cerebral (PPC). Este parâmetro permite a manutenção do fluxo cerebral em níveis adequados. Isto permite a abordagem ao paciente baseado em dados objetivos e oferece a possibilidade de adequar o tratamento as necessidades do paciente.

A PPC é calculada através do gradiente existente entre a pressão arterial média (PAM) e a PIC, ou seja, uma aplicação da fórmula:
PPC= PAM – PIC
O valor aceitável da PPC é de 70 mmHg. Smith (1997) declara que valores de PPC abaixo de 60 mmHg permite um suprimento sanguíneo para o encéfalo inadequado levando a hipóxia neuronal e morte celular.
Quando a PPC diminui a resposta cardiovascular é uma elevação da pressão arterial, na tentativa de uma regulação, porém o sistema de auto regulação não funciona em pressões inferiores a 40 mmHg. Quando a PPC é igual a zero não há FSC, vale lembrar que o FSC também pode cessar totalmente em pressões um pouco acima de zero.[/p]

Guastelli, Ribas e Rosa (2006) explicam que o encéfalo normal tem a capacidade de auto regulação do fluxo sanguíneo cerebral (FSC), assegurando um fluxo sanguíneo constante ao encéfalo através dos vasos cerebrais. Em condições normais a circulação encefálica se adapta as variações pressóricas arteriais para manter o FSC constante.


Fonte: Portal da Educação


Fonte da imagem: Correio