No Brasil, já se considera o uso de drogas um problema de saúde pública. Para fugir do estresse diário diversos profissionais recorrem ao uso de drogas, lícitas ou ilícitas, e esse comportamento entre os profissionais da saúde ainda é um tabu na sociedade, o que dificulta ainda mais o tratamento e a busca por ajuda pelos usuários.


Os profissionais da saúde, para escaparem dos problemas no ambiente de trabalho, que geralmente é envolto por tensão, desenvolvem uma série de mecanismos, como mudanças comportamentais, uso de drogas e, em casos extremos, o suicídio.


Para se curar, é preciso acreditar na cura e buscar bons profissionais, e as pessoas que já fazem parte da área da saúde, justamente por ter conhecimento sobre ela, muitas vezes acreditam que não precisam da ajuda de outros profissionais, o que agrava ainda mais a situação de vício.

Segundo Daniel Cordeiro, psiquiatra da Unidade Pública de Tratamento de Dependência de Drogas do Estado de São Paulo, um profissional da área da saúde não costuma procurar ajuda quando percebe estar viciado, mas sim quando "a casa caiu", ou seja, quando ele já enfrenta problemas que interferem no trabalho, e até então o vício costuma já estar bastante agravado.

"Segundo recente estudo publicado na revista da Associação Médica Brasileira, feita por Hamer Alves, pesquisador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD), do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, e professor responsável pelo Curso de Especialização em Dependência Química via Internet, a substância mais consumida é o álcool associado às drogas (36,8%). Das pessoas estudadas, 34,3% declararam usar apenas álcool, e 28,3%, somente drogas. Foram coletados dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por dependência química, por meio de um questionário. A maioria dos indivíduos eram homens (87,8%), casados (60,1%) e com idade média de 39,4 anos. Destes, 66% já tinham sido internados devido ao uso de álcool e/ou drogas. Ainda segundo a pesquisa, as especialidades que detêm mais usuários são Clínica Médica, Anestesiologia e Cirurgia. O estudo também mostrou que o usuário leva cerca de um 3,7 anos entre a identificação do problema e a procura do tratamento. Entre os pesquisados, 30,3% buscaram terapia de forma voluntária. Quase um terço dos deles teve problemas no casamento, sofreram com o desemprego, se envolveram em acidentes automobilísticos e tiveram problemas profissionais, alguns, inclusive, junto aos Conselhos Regionais de Medicina" (Camila Miquelim)

Na maioria dos casos, os próprios colegas de trabalho enxergam o problema, mas não o relatam, pois existe uma certa cumplicidade entre os profissionais e estes acreditam estar fazendo um bem "não entregando" o colega e evitando que ele perca o emprego e tenha problemas com o Conselho Regional de Medicina.


Essa problemática se torna alvo de importante discussão, já que pode afetar não somente os usuários, mas todos os pacientes que se submetem a tratamentos com os profissionais da saúde, que confiam suas vidas aos mesmos, mesmo sem saber da situação.


Deste modo, a conscientização e a busca por soluções para o problema do uso de drogas entre os profissionais da saúde se torna ainda mais necessária.


Fonte de conteúdo: Águapura

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