Pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e do Instituto do Sono alertaram, com base em nova pesquisa, que dormir mais horas do que o necessário traz mais riscos de problemas cardiovasculares do que dormir pouco.

Evidências de uma série de estudos, nacionais e internacionais, identificaram os riscos à saúde associados a maus hábitos de sono, e em uma pesquisa publicada nos Estados Unidos pela Universidade de Nevada concluiu que dormir de duas a quatro horas apenas por noite aumenta em duas vezes o risco de sofrer infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral), porém, esse risco é sete vezes maior entre os que dormem além do necessário.

Lenise Jihe Kim, pesquisadora da Unifesp, explica que o fato pode estar associado às características do sono de quem dorme demais, ou seja, de sua qualidade. "Basicamente, os grandes dormidores teriam maiores despertares durante a noite, ou seja, um sono mais fragmentado. E a cada despertar a gente eleva a pressão arterial e a frequência cardíaca. Isso, cronicamente, leva à hipertensão e à inflamação, alterações cardiometabólicas que favorecem um AVC ou um infarto", diz ela.

A especialista pontua que, até há poucos anos, os estudos sobre o sono se concentravam mais nos riscos gerados pela privação dele, e não do excesso, o que torna o assunto ainda muito recente. "Temos registros de alguns estudos um pouco mais antigos, mas pesquisas epidemiológicas com evidências populacionais são de 2016 para 2017", diz.

Um dos primeiros estudos que apontaram riscos pelo excesso de sono foi realizado em 2009 por pesquisadores de Baltimore, nos EUA, e mostrou que o risco de morrer devido a uma doença cardiovascular era 38% maior entre os que dormem muito em relação aos que dormem oito horas por noite, o que é um índice bem maior do que o encontrado entre os que dormem pouco, que é de 6% maior do que os que têm o sono regulado.

Lenise também explica que um dos agravantes para isso é que os que dormem demais não enxergam nisso um problema de saúde como os que possuem insônia, e por isso não procuram auxílio médico.

A especialista ainda explica que não é só o número de horas que define um "grande dormidor". "São aquelas pessoas que dormem mais do que a média da população, que é de sete a oito horas por noite, mas que fazem isso porque precisam dessa quantidade de horas. Não é simplesmente porque têm uma oportunidade de dormir mais em um fim de semana, por exemplo, é porque têm a necessidade de dormir muito para se sentirem bem no dia seguinte", afirma.

Por outro lado, os que dormem pouco segundo pesquisadores, possuem também riscos de problemas cardiovasculares, obesidade e outras doenças associadas ao excesso de peso.

"Dormir de duas a quatro horas por noite eleva o risco de ganhar peso em 200%. O motivo é que a restrição de sono provoca alterações metabólicas que alteram hormônios. Isso aumenta a nossa fome e diminui a sensação de saciedade. Ou seja, sem dormir direito, você vai comer mais do que comeria em um dia normal e vai preferir comidas calóricas, ricas em gordura e açúcares", explica Monica L. Andersen, diretora do Instituto do Sono, professora da Unifesp e também palestrante do congresso.

Além de tudo, o sistema de defesa do nosso organismo também fica mais frágil diante da privação de sono, segundo Sergio Tufik, presidente do instituto e professor da Unifesp. "Dormir pouco prejudica o sistema imunológico e deixa nosso corpo mais suscetível até mesmo ao crescimento de células tumorais. Essas células estão presentes em todas as pessoas, mas, com o sistema de defesa funcionando bem, a chance de as combatermos é maior", explica.


Fonte de conteúdo: Veja

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