A maioria dos casos de obstrução da via área ocorre por engasgamento, com maior frequência durante refeições, podendo a obstrução ser parcial ou completa.

Entendemos como obstrução parcial quando ainda é possível a passagem de algum ar, e nestes casos a vítima conseguirá tossir e poderá haver um ruído semelhante a um ronco quando ela respira. Se a troca de ar for razoavelmente boa, deve-se incentivar a vítima a tossir e expelir o corpo estranho, monitorando-a cuidadosamente e observando os seguintes sinais de redução da passagem de ar:


⦁ Tosse fraca e improdutiva;
⦁ Chiado alto durante a inalação;
⦁ Dificuldade durante a respiração;
⦁ Agarrar a garganta com as mãos;
⦁ Leve cianose.

Na obstrução completa, já não existe nenhuma passagem de ar. Os sinais de obstrução completa das vias aéreas são:

⦁ Incapacidade de falar, gemer, tossir ou gritar;
⦁ Ausência de sons respiratórios;
⦁ Uso intenso dos músculos necessários para a respiração – narinas dilatadas,
pescoço e músculos faciais contraídos;
⦁ Inquietação, ansiedade e confusão progressivas;
⦁ Ausência de resposta;

Em qualquer um dos casos, deve-se estar preparado para prestar atendimento de emergência, acionar o serviço médico de urgência (SAMU 192) e, em seguida, iniciar o que conhecemos como Manobra de Heimlich (sistema de compressões no abdome abaixo do nível do diafragma).

"ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS CONSCIENTES:

1. Ficar atrás da vítima em pé ou sentada e envolver os braços ao redor de sua cintura, manter os cotovelos afastados das costelas da vítima, colocar o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide (a ponta do esterno), mantendo o polegar posicionado, formando um punho.

2. Segurar o punho com a outra mão (polegares em direção à vítima).

3. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressionar o punho contra o abdome da vítima.

4. Dar impulsos, separados e distintos, e depois reavaliar a vítima até que o objeto seja eliminado ou a vítima consiga respirar e emitir sons, ou tornar-se não responsiva.

5. Se a vítima se tornar não responsiva, ligar para 192 e solicitar um DEA; iniciar os passos de RCP e cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível).

SE A VÍTIMA ESTIVER INCONSCIENTE OU PERDER A CONSCIÊNCIA:

1. Ligar para 192 e solicitar um DEA.

2. Colocar a vítima de costas no chão. Se ela estava inconsciente quando o socorrista chegou ao local, desobstruir as vias aéreas e verificar a ausência de respiração.

3. Abrir a boca da vítima com a mão, colocando o polegar sobre a língua e, então, segurando a língua e a mandíbula entre o polegar e os dedos. Levantar o queixo da vítima.

4. Com o dedo indicador da outra mão, percorrer toda a bochecha, descendo até a base da língua, com um movimento lento e cuidadoso. Segurar firme qualquer material estranho e removê-lo, se possível. Tomar o máximo de cuidado possível para não empurrar o material para o fundo da garganta.

5. Iniciar as manobras de RCP com 30 compressões torácicas e 2 ventilações.

6. Cada vez que abrirmos a via aérea, procurar o objeto e removê-lo, se estiver
visível e for possível.

– Após completar as sequências de compressões abdominais, remova qualquer resíduo presente na faringe.
– Levante o maxilar com a mão, segurando a língua e a face interna da mandíbula com o polegar e apoiando o queixo com os outros dedos.
– Em seguida, usando o dedo indicador da mão oposta, retire qualquer material estranho do fundo da garganta, percorrendo a parede da faringe e a bochecha, até chegar à boca. Segure firme o material estranho entre os dedos, pois ele pode estar bastante escorregadio.
– Assim que as vias aéreas estiverem desobstruídas, continue a respiração de salvamento.
– Se a obstrução persistir, repita as manobras das vias aéreas.
– Após duas ventilações sucessivas bem-sucedidas, verifique o pulso carotídeo.

SE A VÍTIMA FOR OBESA OU ESTIVER GRÁVIDA:

1. Ficar em pé atrás da vítima com os braços sob suas axilas, envolvendo o tórax da vítima com os braços.

2. Posicionar o punho, pelo lado do polegar, no meio do osso do peito.

3. Segurar o punho firmemente com a outra mão e impulsionar de maneira brusca para trás. Repetir até o objeto ser expelido ou até que a vítima perca a consciência.

4. Se a vítima estiver ou ficar inconsciente, coloca-la de costas e ajoelhar-se ao lado dela para iniciar as manobras de RCP com a relação 30 compressões torácicas e 2 ventilações.

SE A VÍTIMA FOR UMA CRIANÇA (1 A 8 ANOS):

1. Ficar atrás da vítima em pé ou sentada e envolver os braços ao redor de sua cintura. Manter os cotovelos afastados das costelas da vítima. Colocar o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide (a ponta do esterno), mantendo o polegar posicionado, formar um punho.

2. Segurar o punho com a outra mão (polegares em direção à vítima).

3. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressionar o punho contra o abdome da vítima.

4. Dar impulsos, separados e distintos, e depois reavaliar a vítima até que o objeto seja eliminado ou a vítima consiga respirar e emitir sons ou a vítima tornar-se não responsiva.

5. Se a vítima se tornar não responsiva, ligar para 192 e solicitar um DEA. Iniciar os passos de RCP e cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível).

SE A VÍTIMA FOR UM BEBÊ:

Não usar as compressões abdominais em bebês, pois há um risco significativo e lesão dos órgãos dessa região. Ao invés disso, fazer uma combinação de golpes as costas e compressões torácicas. Nunca colocar o dedo na garganta de um bebê consciente para retirar corpos estranhos. Se o bebê estiver inconsciente, fazer a remoção cuidadosa apenas se conseguir enxergar o objeto.

Executar o procedimento a seguir somente se a obstrução for causada por um corpo estranho. Se for causada por inchaço decorrente de infecção ou doença, o bebê deve ser imediatamente levado para um centro médico. Fazer o mesmo com bebês conscientes que apresentam dificuldade respiratória:


1. Colocar o bebê no braço com as pernas abertas e a face para baixo, em um nível inferior ao do tronco, formando um ângulo de aproximadamente 60 graus. Apoiar a cabeça e o pescoço do bebê na mão e colocar o antebraço na coxa para garantir firmeza.

2. Usando a outra mão, dar até cinco golpes rápidos e fortes nas costas entre as escápulas.

3. Apoiando a cabeça do bebê, envolvê-lo entre as mãos, e então o virar de costas, mantendo a cabeça mais baixa que o tronco. Colocar o bebê sobre a coxa ou no colo.

4. Posicionar os dedos anular e médio da outra mão no terço inferior do esterno do bebê, abaixo de uma linha imaginária entre os mamilos. Dar cinco impulsos rápidos no tórax, pressionando direto para trás.

5. Repetir o ciclo de 5 golpes nas costas e 5 compressões torácicas até que o objeto seja expelido, o bebê consiga chorar forte ou até tornar-se não responsivo.

6. Se o bebê estiver ou ficar inconsciente, utilizar a hiperextensão da cabeça para desobstruir a via aérea. Iniciar os passos de RCP (figura 23.8). A cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível). Após 5 ciclos de RCP, ligar para 192. Reiniciar a RCP até que o lactente comece a se mexer ou até que os profissionais de saúde do serviço de emergência assumam o caso. "


Fontes de conteúdo: Experiências de um técnico de enfermagem, Atlas da Saúde

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