O termo "estigma", na Grécia Antiga, era usado para designar sinais corporais que desqualificavam o cidadão marcado. Assim, escravos, criminosos e traidores eram marcados com um estigma como forma de serem descriminados e reconhecidos pelos demais.

Trazendo o termo para os dias atuais, algumas doenças trazem uma bagagem de preconceito ao marcarem, fisicamente ou não, as pessoas que, além de sofrerem pela doença em si, sofrem descriminação por não estarem dentro do padrão e conceito de "normalidade" e "aceitação social". Ou seja, nós julgamos as pessoas conforme o que consideramos "normal" ou "aceito socialmente".

Dentre as doenças que mais trazem sofrimento no que diz respeito ao preconceito, ou seja, as mais estigmatizadas, confira 11 exemplos:


1- Câncer de cólon:
Se detectado em estágios iniciais, esse tipo de câncer tem grandes chances de cura, e a melhor forma de diagnostica-lo é a detecção precoce através de testes como a colonoscopia. No entanto, ele não possui sintomas claros, e ainda que os sintomas apareçam, os pacientes não raramente ficam constrangidos em falar sobre eles com seus médicos, e ainda mais ao se submeterem aos exames, e esses tumores acabam crescendo e se tornando mais complicados.

2- Disfunção erétil:
Ainda que o preconceito que envolve este problema tenha diminuído nos últimos anos, o assunto ainda é um tabu, sendo muito difícil para os homens admitirem a disfunção sexual. Por isso, segundo estudo realizado em 2010, apenas metade dos homens com disfunção erétil procura tratamento, ainda que com o tratamento o problema pode ser resolvido ou remediado.
"A impotência atinge até 25 milhões de brasileiros acima dos 18 anos pelo menos uma vez na vida. O número é maior em homens na faixa etária dos 40 anos. Todo ano, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, um milhão de casos são registrados no país".
Mesmo diante desses dados, o Centro de Referência da Saúde do Homem, órgão da Secretaria de Estado da Saúde em São Paulo, por exemplo, só recebe cerca de 300 pacientes com o problema por mês.

3- Problemas considerados "masculinos" em mulheres:
Alguns transtornos femininos trazem um peso ao desafiarem nossas definições culturais de feminilidade. A Síndrome dos Ovários Policísticos, por exemplo, é um distúrbio hormonal capaz de causar infertilidade e diabetes e, além disso, pode gerar excesso de pelos faciais. Distúrbios como hiperidrose, ou transpiração excessiva, podem ser estigmatizantes para ambos os sexos, mas vem com um "peso extra" para as mulheres, por estimularem características "mais masculinas", o que pode se tornar constrangedor. A maioria desses problemas, no entanto, possuem tratamento.

4- Psoríase:
"A psoríase é uma doença imune crônica que provoca pele escamosa, manchada e/ou rachada. Essas marcas podem ser difíceis de esconder, e muitas vezes constrangedoras para os doentes. Seu embaraço é multiplicado por pessoas que veem a psoríase e se afastam do doente, acreditando equivocadamente que a doença é contagiosa.
Como uma das condições mais estigmatizadas do mundo, afeta bastante a vida dos pacientes. De acordo com uma pesquisa realizada em 2008 pela Fundação Nacional de Psoríase nos EUA, 58% das pessoas com a condição disseram que se sentiam envergonhados, e um terço disse que limitava suas interações sociais e encontros por causa da psoríase. "

5- Intestino irritável e inflamado:
Toda doença que está relacionada com excreção corporal caminha junto com algum tipo de estigma, e a Síndrome do Intestino Irritável (SII) e a Doença Inflamatória Intestinal (DII) são um exemplo disso.
"Em geral, os pacientes com SII se sentem mais estigmatizados. A diferença pode ser porque, sem uma causa clara física, eles podem sentir que a sua doença não é levada tão a sério. "

6- Obesidade:
O estigma sobre a obesidade se tornou global, sendo escravo da "ditadura da moda e estética". "De acordo com um estudo de 2011, publicado na revista Current Anthropology, quase não há culturas que não associem a obesidade com preguiça e gula, apesar do fato de que muitas dessas mesmas culturas também veem gordura como um sinal de riqueza".
Um dos agravantes para esse estigma é que pesquisas já descobriram que a vergonha e a descriminação apressam o declínio físico em pessoas obesas.

7- Lepra:
"Lepra, ou hanseníase, é uma das doenças mais "fantasiadas" na imaginação do público. Alguns dos mitos mais comuns são de que a doença é extremamente contagiosa e de que partes do corpo do doente simplesmente caem".
Mais de 90% das pessoas que entram em contato com a bactéria conseguem combate-la sem maiores sintomas e sem que ela se torne contagiosa, "embora seres humanos possam pegar a doença por contato próximo com tatus". Além disso, a doença também é curável com antibióticos, e as leões na pele só poderão aparecer caso não haja tratamento adequado.
"Pesquisadores sugerem que tal lenda nasceu porque a condição pode causar dormência, colocando as pessoas em maior risco de lesões acidentais ou amputação".
Até mesmo o termo "leproso" virou proibido, devido ao preconceito associado a ele.

8- Câncer de pulmão
Neste caso, as pessoas tendem a culpar a vítima como causadora da própria doença, já que hoje este tipo de câncer está muito associado ao tabagismo. Na verdade, milhares de pessoas que nunca fumaram têm câncer de pulmão a cada ano. Além disso, pessoas que fumaram não são menos dignas de tratamento, já que não cabe a nós julgar e, o direito de tratamento médico é previsto em lei para todos os cidadãos.

9- HPV:
"O papilomavírus humano (HPV) infecta a pele ou mucosas, muitas vezes de forma assintomática. Ele pode causar verrugas vaginais, e algumas cepas do vírus podem causar câncer cervical em mulheres, o que o torna uma perigosa doença sexualmente transmissível (DST).
Existe até vacina para o vírus, mas é difícil para os governos fazerem campanhas ou a tornarem obrigatória, porque a transmissão da doença é através do contato sexual. Especialistas argumentam que a vacina é mais eficaz antes da pessoa tornar-se sexualmente ativa, mas há quem diga que torná-la obrigatória ou incentivá-la pode estimular os adolescentes a se engajarem em atividade sexual precoce. "
No entanto, lutar contra o estigma dessa doença poderia ajudar na conscientização com a responsabilidade.

10- HIV/AIDS:
"Dá para enumerar diversos estigmas dessa doença: "doença de gay", de comportamento promíscuo, de "drogado", etc. Aparecendo no início dos anos 80 como uma síndrome misteriosa que atingia em sua maioria homens gays, o "comportamento imoral" virou o símbolo da propagação da Aids, que se tornou mais uma daquelas doenças em que "culpamos a vítima".
De acordo com um estudo de 1999, 52% dos norte-americanos ainda associava HIV com homossexualidade, apesar do fato de que, já naquela época, apenas cerca de um terço dos novos casos de HIV eram de homens gays. Em 2006, um relatório da Kaiser Family Foundation descobriu que o americano fazia uma confusão significativa sobre o HIV: 37% deles acreditavam erroneamente que o HIV podia ser transmitido pelo beijo, enquanto 32% pensavam que poderia se espalhar através de copos compartilhados. Se a população pensa isso, já dá para imaginar como os doentes são vistos/tratados na sociedade.
Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2011, o Brasil teve 608.230 casos registrados de HIV (condição em que a doença já se manifestou), de acordo com o último Boletim Epidemiológico. A morte pela doença tem diminuído, e os casos são apenas ligeiramente mais comuns em homens do que mulheres. "
De um modo geral, ainda que apenas duas tenham sido citadas aqui, todas as doenças sexualmente transmissíveis são estigmatizadas.

11- Depressão:
Ainda que hoje, devido a estudos sobre o tema, a depressão seja mais compreendida, ela ainda é bastante estigmatizada, principalmente porque muitos casos da doença não são levados a sério como deveriam ser.
"Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revolveu que, em 2011, o Brasil foi o país com a maior prevalência da doença, com 10,8% da população apresentando o distúrbio mental.
Em 2008, o Suplemento de Saúde da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostrou que a depressão é a quinta doença de maior ocorrência no Brasil.
No mundo todo, estima-se que a depressão afete 121 milhões de pessoas. A OMS acredita que em pouco mais de 10 anos, a doença será a segunda mais comum no mundo, chegando ao primeiro lugar em 2030. Ela também será a maior responsável por mortes prematuras e anos produtivos perdidos dado seu potencial incapacitante. Mais: pesquisas indicam que depressão na meia idade leva a um maior risco de desenvolver demência mais tarde (como Alzheimer), além da condição estar ligada a diversas outras doenças e problemas.
É preciso que as pessoas fiquem atentas aos sintomas da condição, para tratá-la de acordo. Remédios e assistência psicológica estão entre os tratamentos mais procurados".

Fonte de conteúdo: Hypescience

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