Até agora, Timothy Ray Brown — mais conhecido no meio científico e por quem acompanhou o caso como o "paciente de Berlim" — era a única pessoa do mundo que tinha conseguido curar-se do VIH. Foi em 2007 que recebeu um transplante de medula óssea de um dador que tinha uma mutação específica num determinado gene — esse procedimento fez com que deixasse de ter o vírus da imunodeficiência humana. Mais de dez anos depois, continua sem sinais da infeção.

Ao longo dos anos houve várias tentativas de replicar este sucesso, mas, apesar de alguns pacientes terem conseguido reduzir a carga viral, não ficaram completamente livres do VIH. Pelo menos até agora.

Esta terça-feira, 5 de março, uma equipa internacional de cientistas anunciou na revista especializada "Nature" que um novo doente — que também recebeu um transplante de medula óssea de um dador com a mesma mutação no mesmo gene — está em remissão há 18 meses. É o "paciente de Londres".

Descobriu que estava infetado em 2003. Em 2012 foi diagnosticado com um linfoma de Hodgkin, um tipo de cancro. Timothy Brown tinha leucemia, um cancro diferente, mas em ambos os casos foi necessário fazer um transplante de medula óssea porque a origem estava nas células do sangue.

Como era necessário fazer o transplante, foi procurado um dador que tivesse a mesma mutação rara, que só existe em cerca de 1% dos europeus. Foi encontrado um dador que encaixava no perfil e o caso tem sido um sucesso.


Ao contrário de Timothy Brown, este homem não precisou de submeter-se a um tratamento agressivo com dois transplantes e duas irradiações completas. 16 meses depois, estava fora da terapia anti-retroviral, que é usada regularmente pelos doentes com este vírus para controlar o VIH.

Os investigadores querem agora perceber de que forma é que estes dois casos de sucesso podem ser replicados para os milhões de doentes espalhados pelo mundo com VIH. Afinal, foram pacientes bastante específicos, que também sofriam de cancro e tiveram de fazer um transplante de medula óssea — que é caro, difícil de executar e bastante delicado.

Este estudo pode, por isso, ajudar a desenvolver uma cura para o VIH, mas é provável que isso ainda demore bastantes anos a acontecer.

Fonte de texto: 4men.pt

Fonte de imagem: 4men.pt