Amamentar, embora seja um ato natural do mamífero, reveste-se de uma especial importância para o ser humano em razão de sua própria complexidade. A mulher passa as semanas de gestação acalentando a chegada do bebê. Organiza-se para o seu nascimento, sonha, faz planos, e muitas vezes, não se preocupa com a necessidade de se preparar para a amamentação. Parte dessa realidade pode ser atribuída aos profissionais de saúde, que em sua grande maioria não incentiva o aleitamento materno e nem sabe orientar a sua prática.

A amamentação tem grande importância física, psico-emocional, social e econômica. São desastrosas as consequências da ausência do aleitamento materno, sobretudo nas camadas menos favorecidas da sociedade. Ainda assim, existem profissionais que continuam alimentando as práticas que fatalmente, levam ao desmame precoce. Em Goiás, temos um dos índices mais baixos de tempo de amamentação. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em 2000, as crianças eram amamentadas por cinco dias; em 2010, o período de aleitamento chegou à 20 dias. Embora tenha ampliado o número, ele está bem longe do ideal que seria seis meses.

O recém-nascido busca ou procura a mama por reflexo, suga e deglute por reflexo. Entretanto, o posicionar e a pega da mama não são feitas por reflexo. Pegar a mama adequadamente para retirar todo o leite de que precisa é para o bebê e a mãe um processo de aprendizagem. Existem várias técnicas que variam do biótipo da mãe, do formato e tamanho da mama e do mamilo, das condições do nascimento e saúde do bebê, da sua personalidade, etc. Quanto mais precocemente for orientado, o binômio mãe-bebê, e com especial participação da família nesse processo, maior a chance de haver sucesso no aleitamento materno.

Os profissionais de Enfermagem, especialmente os enfermeiros, devem estar atentos ao fato de existir um vasto mercado de trabalho a ser explorado, e que tem sido deixado de lado. Esse público, formado por mães de primeira viagem ou que tem dificuldade em amamentar, está sendo habilmente ocupado por outros profissionais em todo o Brasil, que já são reconhecidos pela sociedade e largamente indicados pelos médicos para essa mesma sociedade.

É preciso estar atento, pois são os enfermeiros que travam os primeiros contatos com a gestante, a parturiente e a puérpera nos consultórios, nas maternidades ou nas UTIs. Portanto, os enfermeiros têm todas as condições de orientar e conquistar esse mercado que está "escorrendo por entre os nossos dedos". É um mercado que pode alargar o nosso horizonte para além dos trabalhos nas instituições públicas e privadas. A enfermagem pode exercer nesse campo o trabalho de profissionais liberais, sendo assim reconhecidos também pela competência num ramo de atividade da saúde que é altamente gratificante para quem a exerce.
Em Goiânia, são pouquíssimas as enfermeiras que fazem o trabalho de orientação e incentivo ao aleitamento materno. Tal realidade implica inclusive no não reconhecimento por parte da classe médica.

Será que os profissionais de enfermagem devem viver indefinidamente sob o guante de empregos públicos ou privados, ao sabor de salários aviltantes, sempre numa relação de patrão e empregado? E na escala social, é satisfatório não ver reconhecida a ascensão do enfermeiro, apesar das inúmeras conquistas acadêmicas dos pares? Ainda é tempo de reagir para não perdemos desastradamente terreno para outras profissões. (Colaboradora: Maria das Graças Geraes).

Fonte de texto: Corengo