Os olhares atentos e cuidadosos fazem parte do trabalho do profissional de enfermagem especializado em enfermagem obstetra, pois ele atua desde o atendimento do pré-natal até o momento do nascimento do bebê. Auxiliando desde situações simples a maiores riscos. Além de contribuir com métodos técnicos, realiza um trabalho humanizado, do qual vem transformando milhares de vida em conjunto com a equipe de saúde. Por isso, para mostrar o quão é importante a prestação de serviço destes profissionais dentro das unidades públicas e privadas da área da saúde, o Minuto Enfermagem entrevistou Amanda Coelho, coordenadora da obstetrícia do HMI, que destaca os pontos positivos e negativos. Saiba mais nas informações a baixo;

Minuto Enfermagem: Qual a importância e o objetivo do profissional para a área da saúde?

Amanda Coelho: O profissional é uma estratégia dos órgãos de saúde tanto a nível nacional como internacional para redução de taxas de cesárea, retomando o parto como um evento fisiológico e com abordagem mais humanizada e atuação pautadas nas boas práticas obstétricas.

Minuto Enfermagem: Em quais setores podem atuar?

Amanda Coelho: Podem atuar nas unidades básicas de saúde no pré-natal de risco habitual e maternidades públicas e privadas acompanhando o trabalho de parto, parto e pós-parto de risco habitual. Podem ser empreendedores com consultoria em amamentação e cuidados com o recém-nascido.


Minuto Enfermagem: O que difere o profissional de enfermagem obstétrica para o profissional de medicina e obstetrícia? Já que todos acompanham a paciente antes, durante e pós gravidez.

Amanda Coelho: O obstetriz é o profissional que se forma pelo curso de Obstetrícia – o único no Brasil é oferecido pela USP. A enfermeira com especialização em Obstetrícia – graduada em Enfermagem e pós-graduada em Obstetrícia – é chamada de enfermeira obstetra. E ambos atuam no pré-natal e partos vaginais de baixo risco. O obstetra é o profissional médico que faz residência nessa área e acompanha o pré-natal, diagnostica patologias, assiste parto vaginal de baixo e alto risco, realiza parto fórceps e parto cirúrgico.

Minuto Enfermagem: Como é feito o acompanhamento deste profissional em conjunto com o paciente?

Amanda Coelho: O profissional é responsável desde a entrada da paciente até a sua alta, e para isso, lança mão das boas práticas obstétrica, evidências cientificas, acolhimento e humanização. Dando assistência metódica utilizando a SAE em todo o processo de parturição dessa mulher.

Minuto Enfermagem: Em situações em que a paciente se encontra com depressão pós-parto, como deve ser procedido?

Amanda Coelho: Em casos de depressão pós-parto é preciso assistência médica e acompanhamento psicológico.


Minuto Enfermagem: Quais equipamentos são utilizados para a realização de suas atividades?

Amanda Coelho: Para exame físico e obstétrico usamos materiais para aferir os sinais vitais, utilizamos fita métrica, sonar dopler, gestograma entre outros. Utilizamos banqueta para parto vertical, cama PPP. Métodos não farmacológicos de alívio da dor: bola suiça, chuveiro com água morna, bolas de massagem, pedaço de tecido para rebozo etc.

Minuto Enfermagem: O enfermeiro tem um importante papel em cuidar de pacientes desde situações simples até as mais complicadas. Em caso de complicações no parto ou pós-parto, qual é a melhor forma de proceder no atendimento?

Amanda Coelho: O enfermeiro obstétrico deve ter capacitação técnica e científica para atuar nas distocias até a chegada do médico.

Minuto Enfermagem: Em sua visão, como se tornar um profissional de destaque?

Amanda Coelho: Profissional de destaque precisa investir em seu conhecimento técnico, que vão desde cursos de pequena e longa duração, de aperfeiçoamento e participação em eventos científicos para atualização de conhecimento. Além de ser proativo, ético, humanizado e comprometido com a profissão.

Minuto Enfermagem: Quais são os grandes empecilhos enfrentados pelo o profissional de enfermagem obstétrica?

Amanda Coelho: Os empecilhos seriam a falta de infraestrutura adequada, a obrigatoriedade por parte das instituições de especialista para acompanhar parturientes e pouca autonomia ao profissional pela gestão.

Sobre violência obstétrica:

Minuto Enfermagem: O que pode ser considerado violência obstétrica?

Amanda Coelho: Violência obstétrica são condutas excessivas e desnecessárias, muitas vezes prejudiciais e sem embasamento científico. As necessidades fisiológicas da mulher não são respeitadas, impedem seu protagonismo e podem deixar feridas psicológicas permanentes.

Minuto Enfermagem: O que deve ser feito para combater esse ato que infelizmente afeta muitas mulheres, podendo afetar a vida das mesmas?

Amanda Coelho: Atualização profissional, programas e políticas públicas de saúde e atuação de gestores.

Minuto Enfermagem: Caso a paciente tenha sofrido com algum tipo de violência, seja ela física ou psicológica, qual é a melhor forma da vítima adquirir um tratamento eficaz, no qual possa amenizar o trauma sofrido?

Amanda Coelho: Acompanhamento com equipe multiprofissional.

Minuto Enfermagem: Quais os principais empecilhos enfrentados pelo profissional em seu dia a dia?

Amanda Coelho: Empecilhos seriam a falta de infraestrutura adequada, a obrigatoriedade por parte das instituições de especialista para acompanhar parturientes e pouca autonomia ao profissional pela gestão.


Minuto Enfermagem: E por último, por que decidiu trabalhar nessa área? Gostaria de saber qual é a forma deste profissional se sentir mais valorizado dentro do mercado? O que pode ser agregado para ele?

Amanda Coelho: Minha decisão de trabalhar nessa área vem desde a graduação, uma vez que toda a minha trajetória científica acadêmica esteve nessa área. Posteriormente, passei em um concurso estadual e fui lotada no HMI, atualmente sou coordenadora do programa de residência de enfermagem obstétrica. Essa residência veio apagar muitos paradigmas da atuação obstétrica no hospital além de uma avassaladora mudança na abordagem à mulher no contexto da humanização e até estrutura do hospital. O EO é fundamental nessa assistência, uma vez que melhora os indicadores de saúde e reduz a morbimortalidade materna. Para tanto, o Enfermeiro deve ser valorizado enquanto profissional de credibilidade e que apresenta bons resultados. Deve ser valorizado quanto ao vencimento salarial que deve ser compatível com tal responsabilidade.

Entretanto, com a entrevista realizada com a profissional, nota-se a importância de o profissional ser reconhecido e prestigiado tanto pela sua equipe de profissionais da saúde, governo e sociedade. Com isso, buscam atender a população de forma digna e eficaz, ampliando e desenvolvendo o campo da obstetrícia.

Por Raquel Lima