O Rio de Janeiro passou a noite e a madrugada, no dia 12 de setembro, em desespero e amanheceu de luto. O incêndio de grandes proporções que atingiu o Hospital Badim, no Maracanã, foi um episódio triste e sem explicação até o momento. Temos informação de que três profissionais de Enfermagem, que no esforço de ajudar na evasão de pacientes, inalaram muita fumaça e estão internadas, mas estabilizadas.

A noite e a madrugada tão dolorosas mostraram o que todos já sabemos, mas com uma ênfase que estará estampada para sempre na memória do Brasil e do mundo, incluindo na imprensa: a firme união voluntária e destemida da Enfermagem no resgate às vítimas. Incansáveis heróis, de valor humano precioso, acima de absolutamente tudo, inclusive de sua própria segurança, atuaram com dignidade, empatia e vocação para salvar vidas.

Participação do Coren-RJ desde o primeiro momento – O Coren-RJ estava presente, representado pela enfermeira e gerente do Departamento de Fiscalização, Danielle Bartoly, e pelo primeiro-secretário, enfermeiro Glauber Amancio. Glauber, que participou ativamente na assistência durante a noite e a madrugada, relatou com sensibilidade os momentos de atuação urgente e da presteza dos profissionais envolvidos no socorro, especialmente de seus pares da Enfermagem.

Relato do conselheiro regional Glauber Amancio: "Agora eu entendo o significado de juntos somos mais fortes. Nunca senti tanto orgulho em ter escolhido ser enfermeiro, de poder fazer algo pelo próximo, de olhar no olho do paciente e falar que ficaria tudo bem, em acolher um familiar desmaiado, perguntando pelo seu ente querido.

Mais orgulho ainda senti de ver colegas enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, fisioterapeutas, médicos, psicólogos, socorristas, estudantes da UERJ entre outros fazendo a diferença. Foi tudo muito rápido. Passei em frente ao hospital Badim às 18h e, a princípio, estava tudo normal. Às 18h40, fiquei sabendo que o prédio estava em chamas. Por morar próximo, fui ao local oferecer ajuda. A área estava cercada por um cordão de isolamento e não podia passar ninguém. Foi quando falei para alguns policiais que me deixassem passar, pois era enfermeiro e que enquanto conselheiro do Coren-RJ gostaria de me colocar à disposição para ajudar. Sem pensar duas vezes, eles me deram passagem e pude ajudar na grande maioria das transferências de pacientes estáveis em ambulâncias básicas, que foram rapidamente escoados para hospitais da região. O sofrimento e cansaço no rosto de todos eram notórios.

Já estava indo embora para casa por volta de 21h, entendendo que estava tudo bem e que a missão já havia sido cumprida. Porém o pior ainda estava por vir: esses foram os pacientes basais, estáveis, ali estavam porque conseguiram com ou sem apoio sair do hospital para uma creche nos fundos do Badim. Mas, e os pacientes críticos que estavam nos leitos do CTI? Como transferi-los, como resgatá-los?

Mais uma vez vimos o brilhante trabalho do corpo de bombeiros, policias, guardas municipais, enfermeiros, técnicos de Enfermagem e médicos das ambulâncias avançadas. Naquele momento, eu não parava de pensar no sofrimento dos pacientes que ainda se encontravam no interior do prédio, acamados, sozinhos, no escuro, sem suporte de O2.

Enfim, fizemos nosso melhor. Salvamos vidas, fizemos a diferença. Parabenizo aos socorristas, médicos e equipes de Enfermagem. Nesse momento, ajudei a organizar a saída de ambulâncias, a registrar o fluxo e destino de pacientes, e ainda confortar os familiares. Enfim, Enfermagem rima com coragem.

"Mais uma vez agradeço muito aos colegas de Enfermagem que fizeram a diferença, seja na cena do incêndio ou ainda nos hospitais à retaguarda. Aos colegas que chegaram em casa e voltaram para o hospital, aos voluntários, aos donos da creche, aos populares que serviam água e, enfim, a todos que ajudaram. Meu sincero pesar pelos pacientes que foram a óbito, deixo aqui meus sentimentos".

Fonte de texto: Conselho Federal de Enfermagem

Fonte de imagem: noticias.uol.com.br