Gestar um bebê é uma experiência incrível, mas isso não significa que seja fácil. O corpo da mulher passa por diversas transformações e muitas delas são bastante desagradáveis - como o mau funcionamento intestinal, por exemplo.

A "culpa" desse desconforto está principalmente no aumento do hormônio progesterona, que passa a ser produzido de forma exagerada no período gestacional para proteger o feto.

"A progesterona tem como base diminuir a contração do músculo liso, por isso que o útero cresce sem ter contração. Mas ela faz isso também com o intestino e, quando a contração do músculo do intestino diminui, o funcionamento dele reduz também", explica o ginecologista e obstetra Eduardo Motta, do Hospital Sírio-Libanês.

A flora intestinal da gestante também sofre mudanças. "É o intestino que produz os anticorpos responsáveis pela imunidade, e a imunidade da gestante precisa ficar ruim, cair, para que o organismo não rejeite o embrião no início da gravidez. Por isso, a função intestinal reduz a produção de anticorpos nesse período", afirma Alberto d'Áuria, ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista.

E tem mais: à medida que o útero vai crescendo, ele pressiona o intestino, o que também contribui para seu mau funcionamento. Além disso, as gestantes absorvem mais líquido do intestino, fazendo com que as fezes fiquem ressecadas e mais difíceis de serem eliminadas. O resultado da combinação desses fatores é um intestino preguiçoso e uma grande tendência a desagradável constipação. Isso a leva a outros quadros relativamente comuns na gestação e também bastante desconfortáveis: as fissuras anais e as hemorroidas, que costumam surgir por causa da dificuldade de evacuar. Para evitar esses estragos, é importante que a mulher passe a educar seus hábitos intestinais antes mesmo de engravidar - já que, se algo estava ruim, tende a ficar ainda pior.

"Durante a gestação, se ela começa a perceber que as fezes estão ficando ressecadas e a evacuação está atrasando, serve de alerta para conversar com o médico e tomar as providências adequadas", diz Motta.

Beber muita água é uma das principais recomendações para combater a preguiça do intestino. "A quantidade recomendada é aquela que promove a cor da urina algo perto da cor da água", orienta d'Áuria, da maternidade Pro Matre Paulista. Com uma hidratação adequada, as fezes não ficam secas, facilitando a evacuação.

É preciso também adequar a dieta e optar por alimentos que ajudam o intestino a funcionar, como as fibras e os itens que tenham um pouco mais de oleosidade.

"Azeite de oliva é uma boa opção", recomenda Mattos. "Gosto de orientar, se possível, a ingestão sem mastigação de caroço (semente) de mamão. Ele não é absorvido pelo intestino, que vai tentar expelir esse alimento a qualquer custo. Com isso, não haverá esforço para evacuação", indica d'Áuria.

O contrário também vale: evite ingredientes que dificultem a digestão. Nessa lista estão carboidratos (quando consumidos em excesso), feijão, tomate, milho e frutas "massudas" como a maçã, que fermentam mais e tendem a causar gases - mais um problema que afeta as gestantes.

Outra dica importante é cuidar da flora intestinal por meio do consumo de probióticos. "Alimentos que sejam fermentados normalmente têm essas bactérias que colonizam o intestino e favorecem a digestão", diz o ginecologista e obstetra Eduardo Motta. Coalhada fresca e iogurte são alguns exemplos. Por fim, lembre-se de sempre respeitar o reflexo evacuatório - ou seja, quando a vontade ir banheiro chegar, vá ao banheiro. Isso é importante para estimular o intestino a seguir trabalhando bem.

Fonte de texto: g1.globo.com