O conhecido zica vírus causou temor nos brasileiros a um tempo atrás juntamente com a alta incidência de contaminação pelo vírus da dengue. No entanto, pesquisadores ainda não sabiam que o vírus tem potencial para combater tumores avançados no sistema nervoso central de cachorros que foram tratados em caso de estudo.


O fato foi comprovado através de estudos de pesquisadores brasileiros que pulicaram os resultados do estudo na revista Molecular Therapy. Para o teste três animais com idade avançada e tumores espontâneos no cérebro foram tratados com injeções virais por cientistas ligados ao Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP).

A professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenadora do CEGH-CEL, Mayana Zatz, explicou em entrevista para a Agência FAPESP que foi observado uma reversão surpreendente dos sintomas clínicos da doença como também redução tumoral e aumento de sobrevida. Segundo ela o tratamento foi bem tolerado e não houve efeitos adversos.


O mesmo tratamento de infectar e destruir células de tumores do sistema nervoso central feio por meio do zica vírus em cachorros já havia sido testado também em camundongos. Nesse caso, a formação de tumores humanos é induzida em laboratório, o que só é possível em animais imunossuprimidos. Segundo relatos dos autores da pesquisa uma das principais vantagens do novo estudo foi a possibilidade de avaliar o efeito da terapia em animais com o sistema imunológico ativo.

"Os resultados confirmam que a terapia atua por meio de dois mecanismos. Por um lado, o vírus infecta as células tumorais, começa a se replicar e acaba levando-as à morte. Por outro, ativa o sistema imune para a presença do tumor. A infecção desencadeia uma reação inflamatória e células de defesa começam a migrar para o local", contou Carolini Kaid, bolsista de pós-doutorado da FAPESP e primeira autora do artigo.

De acordo com Kaid, tumores do sistema nervoso central costumam não responder bem à imunoterapia. Isso porque a barreira hematoencefálica, estrutura que visa proteger o cérebro de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue, dificulta a migração das células de defesa para o local. No entanto, análises post-mortem feitas no tecido cerebral dos cães indicaram a presença de linfócitos T, macrófagos e monócitos infiltrados na massa tumoral.

"Essas análises também mostraram a presença do zika apenas nas bordas do tumor. Nenhuma outra célula do cérebro foi afetada. Esse é um achado muito importante, pois nos dá mais confiança de que o tratamento é seguro", esclarece Kaid.

Os três cachorros tratados pela equipe do CEGH-CEL eram pacientes da médica veterinária Raquel Azevedo dos Santos Madi, que atende em um hospital particular da Granja Viana, na Região Metropolitana de São Paulo. Todos foram diagnosticados por meio de ressonância magnética quando a doença já estava em estágio avançado e os sinais clínicos eram mais evidentes. Nesses casos, a sobrevida média, sem tratamento, costuma ser de 20 a 30 dias.


O vírus foi inserido no líquido cefalorraquidiano dos cães por meio de uma injeção na região da coluna logo abaixo do crânio. Foi usada uma linhagem isolada de um paciente brasileiro (ZIKVBR), purificada e cedida ao grupo por parceiros do Instituto Butantan.
O tratamento foi conduzido no hospital e os animais só foram liberados para casa após três testes negativos para a presença do vírus no sangue e na urina.


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Fonte: Portal da Enfermagem

Imagem: Saúde Abril