Em meio ao combate ao coronavírus profissionais que atuam na linha de frente no enfrentamento contra o covid-19 estão sujeitos a contrair a doença e possuem o risco muito maior de contaminação. No Brasil e no mundo milhares já foram infectados e há um número crescente de mortos entre eles.

Mesmo com os profissionais da saúde fazendo uso dos equipamentos de proteção e das máscaras a tendência para contrair mais o vírus que a maioria das pessoas, e talvez até desenvolver sintomas mais graves parece ser maior. Mas por que isso acontece?

De acordo com especialistas, a grande causa para explicação esse fato é a quantidade de vírus à qual eles são expostos, além também da faixa etária e de eventuais condições pré-existentes, como diabetes e doenças cardíacas.


Após o vírus Sars-CoV-2 entrar no corpo, ele invade as células e faz cópias de si mesmo, como é padrão para os vírus. O volume dessa multiplicação de vírus só aumenta ao longo dos dias.

Com maior carga viral, termo usado para tratar da concentração de vírus, significa que a gravidade de uma doença tende a ser pior e a capacidade de transmissão para outras pessoas é maior.

Segundo a professora Wendy Barclay, do departamento de doenças infecciosas do Imperial College de Londres, quanto mais vírus a pessoa tem no corpo maior a possibilidade de transmitir a doença para outra pessoa.


Nesse sentido, como os profissionais da saúde estão frequentemente em contato com outras pessoas com quadros graves da doença e, portanto, com grande quantidade de vírus no corpo ficam mais sujeitos a contrair o vírus.


De maneira geral, uma pessoa infectada com o novo coronavírus transmite o patógeno para até três pessoas. Entretanto, um paciente em atendimento em um hospital da cidade chinesa de Wuhan, por exemplo, passou o vírus para ao menos 14 profissionais de saúde antes mesmo de ter febre, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Barclay, afirma que mesmo que a pessoa seja saudável, o sistema imunológico dela terá muita dificuldade para lutar contra todos esses vírus. "O tamanho da carga viral quase sempre determina o resultado da batalha entre o vírus e o sistema imunológico. Em experimentos com diferentes doses de vírus em animais, por exemplo, os animais que recebem a maior carga viral são aqueles que ficarão mais doentes" esclarece.


Uma pessoa contaminada com o novo coronavírus no corpo ele pode estar localizado no trato respiratório superior, sendo capaz de ser espalhado por meio da respiração, da tosse ou de um espirro, por exemplo. Além disso, Barclay explica que cada vez que uma pessoa respira ou fala, emiti no ar gotículas oriundas de nosso nariz e nossa garganta.

Algumas pessoas infectadas podem contaminar superfícies, e é por isso que se recomenda tanto que as pessoas lavem as mãos com frequência.

Não está claro ainda quantas partículas uma pessoa precisa receber para ficar doente. "Com a influenza, vírus que conhecemos bem, sabemos que apenas três partículas são suficientes para desencadear uma infecção em uma pessoa", afirma a professora.


Profissionais da saúde em risco


Apesar do risco de quem atua na linha de frente no combate ao coronavírus ainda não foi possível saber exatamente quanto essa exposição frequente ao vírus pode afetar a saúde das equipes de profissionais, nas quais, desde dezembro infectou mais de 860 mil pessoas e matou 42 mil.

No entanto, dados de outra epidemia de coronavírus, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2002 e 2003, que era mais letal e menos transmissível, indicavam que 21% dos casos da época envolviam profissionais de saúde, segundo a OMS.

Já na pandemia atual, mais de 6.200 profissionais da área foram infectados na Itália, onde mais de 100 mil pessoas contraíram o vírus.

Em outro país como a Espanha, o novo coronavírus atingiu cerca de 6.500 profissionais de saúde, ou 12% dos casos confirmados até o momento. Enquanto na China até o início de março de 2020, o governo divulgou que quase 3.300 membros dessa linha de frente se contaminaram com o covid-19.

Nos levantamentos feitos em estágios específicos da pandemia em cada país, os profissionais de saúde representam algo entre 4% e 12% dos casos confirmados. Mas, esses números podem variar muito, e não se deve tirar conclusões precipitadas a partir deles.

O índice de contaminação entre os profissionais da saúde varia de um lugar para o outro, uma autoridade do sistema de saúde do Reino Unido, por exemplo, afirmou que há hospitais nos quais algumas áreas têm mais de 50% da equipe doente.

Se as medidas de controle não acontecer, hospitais podem se tornar também centros de disseminação da doença.

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Fonte: BBC

Imagem: Freepik