Ao longo da história do mundo certas doenças modificaram diversos aspectos sociais, econômicos e científicos. Algumas pessoas acreditam que a pandemia do novo coronavírus também irá transformar toda a sociedade mundial ou até mesmo que de cem em cem anos o mundo recebe uma doença catastrófica capaz de mudar os rumos da humanidade. O fato é que apesar de algumas doenças deixarem marcas profundas e inúmeras mortes, também acontecem transformações significativas afim de garantir maior sobrevivência humana.


Várias doenças já causaram uma pandemia como varíola, sarampo, tifo, febre tifoide, febre amarela, cólera, aids, ebola, peste bubônica e diferentes tipos de gripe. Elas também foram responsáveis por marcarem o desenvolvimento humano em sociedade. Sendo assim, saiba mais sobre algumas dessas doenças que mudaram os rumos da humanidade.


Varíola


Foi uma doença infectocontagiosa causada por um vírus e conhecida por provocar pequenas lesões na pele do paciente. A doença é transmitida pelas secreções da pessoa infectada. O fato de compartilhar objetos e ter contato com as crostas que a doença causa na pele do paciente também permitem a sua transmissão.


A varíola causou epidemias e foi responsável, inclusive, por uma pandemia que se espalhou pelo Império Romano no século II d.C. Dizem que a doença surgiu na Índia, durante a Antiguidade, alastrando-se pelo mundo e causando estragos por onde passou.

A pandemia no Império Romano iniciou em 165 por meio das tropas romanas que estavam instaladas na Pártia, um território romano localizado na Mesopotâmia. Dessas tropas, a doença expandiu ganhando o território romano até chegar em Roma no ano de 166.

Após isso, ficou conhecida como peste antonina e chegou a causar a morte de cerca de duas mil pessoas por dia em Roma, conforme relato realizado em 189|1|. Como na época não tinha um mecanismo especifico para contagem de óbitos, acredita-se que tenha sido um surto de varíola porque um médico grego deixou relatos nos quais os sintomas batem com os dessa doença. Portanto, estima-se que cinco milhões de pessoas morreram como consequência da peste antonina.

Outra ação da varíola aconteceu no Japão, entre 735 e 737. A epidemia de varíola no Japão do século VIII iniciou-se em Kyushu, a terceira maior ilha do país, localizada ao sul de Honshu, a ilha principal. Alguns relatos dizem que a doença foi levada de Kyushu para Honshu por uma expedição japonesa que retornava da China. Considera-se que 1/3 da população japonesa morreu vítima da doença.

Outra parte do mundo que sofreu com a varíola foi a Islândia, ilha localizada no Atlântico Norte. Entre 1707 e 1709 a epidemia foi responsável pela morte de 25% da população islandesa. Acredita-se que a doença tenha chegado à Islândia por meio dos objetos de um islandês que morreu da doença no retorno de uma viagem à Dinamarca.


No Brasil também houve registros da varíola em meados de 1563, quando um surto epidêmico surgiu na ilha de Itaparica, alcançando Salvador. A varíola tinha mortalidade muito alta entre os indígenas, afetando-os tanto aqui no Brasil quanto em outros locais do continente americano.

Peste Bubônica


Doença causada pela bactéria Yersinia pestis, que é encontrada em ratos e é transmitida ao ser humano quando a pele é picada pelas pulgas que estavam nesses animais contaminados. Após o indivíduo contrair a doença, ele pode transmiti-la por meio de suas secreções.

O maior exemplo da peste bubônica foi a pandemia que atingiu a Europa, o norte da África e parte da Ásia, durante o século XIV. Entre os europeus, a doença foi chamada de peste negra, e provocou a morte de cerca de 50 milhões de pessoas entre 1347 e 1353. A dimensão da peste negra fez dela um catalisador de transformações profundas na Europa medieval.


Alguns relatos dizem que essa doença surgiu em algum lugar da Ásia Central, e a pandemia do século XIV não foi o primeiro exemplo de um surto dela. Na Bíblia, por exemplo, no "Livro de Samuel', fala-se de uma doença causada por ratos que assolou os filisteus. Especialistas acreditam que se tratou de peste bubônica.

Também houve um surto da doença entre os bizantinos entre 541 e 544. A Peste Justiniana, como ficou conhecida, leva a crença que surgiu na região do delta do Nilo, espalhando-se pelo território bizantino a partir de 541. Estudiosos do assunto falam que em Constantinopla, capital do Império Bizantino, durante o pico da doença possa ter causado 10 mil mortes por dia.

Como se não bastasse, a doença retornou ao continente europeu no século XIV, sendo trazida por genoveses que fugiam de Caffa, uma colônia de Gênova na Crimeia. A cidade havia sido cercada por tropas tártaras que estavam sucumbindo a um surto da peste. Caffa foi contaminada, e os genoveses levaram a doença para locais como Sicília, Marselha e Gênova. Daí ela se alastrou pelo continente europeu.

A peste negra, como era conhecida, provocou transformações significativas nos aspectos sociais, políticos e econômicos na Europa. Os laços da servidão enfraqueceram-se, os salários aumentaram, e o comércio modificou-se. Cidades foram abaixo perante o caos pela falta de governantes. No imaginário popular, consolidou-se ideias acerca da fragilidade humana e do triunfo da morte. Esse imaginário deu origem a uma série de representações conhecidas como Dança da Morte.

Os séculos seguintes também foram marcados pelo surto da peste bubônica na Europa. A capital inglesa, Londres, por exemplo, foi um dos países que foram vítimas da doença entre 1665 e 1666, e estima-se que até 100 mil pessoas (de um total de 420 mil habitantes) possam ter morrido da doença. Outro exemplo deu-se em Marselha, onde um navio vindo da Síria trouxe a peste para a França, em 1720, e o resultado foi que a doença causou a morte de 40 mil pessoas (de um total de 90 mil habitantes.

Gripe espanhola


A doença ficou conhecida uma mutação do vírus influenza que surgiu em 1918 e causou estragos até meados de 1919. A doença tinha sintomas idênticos aos de uma gripe comum, como tosse, coriza, febre e dores de cabeça. Nos casos mais graves, resultava em complicações como diferentes tipos de pneumonia.

Os historiadores não sabem dizer ao certo onde a doença surgiu, mas acredita-se que tenha sido nos Estados Unidos, e se espalhou pelo mundo por meio das tropas do país que eram enviadas para os campos de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. A doença teve três ondas, sendo a segunda a mais contagiosa e a com maior quantidade de mortes.

A gripe espanhola teve grande impacto na guerra, porém sua repercussão entre as tropas era abafada pelas nações beligerantes para evitar que o moral dos combatentes caísse. Acredita-se que no exército alemão, por exemplo, tenham adoecido 500 mil soldados em junho de 1918. A doença também prejudicou tropas inimigas dos alemães, como os franceses.

A doença ficou conhecida com esse nome porque a maior repercussão a respeito do caso foi através da imprensa espanhola pois, a Espanha nesse período não lutava na guerra e por essa razão, as notícias da doença foram informadas ao mundo pelos jornalistas espanhóis.

Na época a medicina não sabia explicar o que causava a doença porque não havia tecnologia suficiente para observar o vírus. O tratamento era feito apenas como forma de amenizar os sintomas, e as infecções causadas não eram combatidas propriamente porque não existiam antibióticos no começo do século XX.

O Brasil obteve casos da doença durante a segunda onda em setembro de 1918, na qual. afetou todas as regiões do país. As cidades mais afetadas foram São Paulo e Rio de Janeiro, pois, eram as duas maiores do país no começo do século. De maneira geral, a gripe espanhola causou a morte oficial de 35 mil brasileiros, estando entre eles Rodrigues Alves, vencedor da eleição presidencial de 1918. Pelo mundo, a gripe foi responsável pela morte de, pelo menos, 50 milhões de pessoas.

Aids


A partir de 1981, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) começou a registrar um aumento nos casos de doenças raras e percebeu que muitos homens até então saudáveis desenvolveram pneumonia e câncer. Os estudos médicos logo identificaram que nesses pacientes o sistema imunológico estava severamente enfraquecido.

As pesquisas desenvolvidas para conseguir desvendar o que estava por trás desses casos foram caracterizadas, em 1982, como Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immune Deficiency Syndrome ou Aids, no inglês). Após um ano, descobriram que o causador da doença era o vírus da imunodeficiência humana (Human Immunodeficiency Virus ou HIV, no inglês).

Após a descoberta a década de 1980 foi marcada pelo o que hoje consideramos pandemia. Os casos de aids se intensificaram nos Estados Unidos e pelo mundo, fazendo com que 75 milhões de pessoas tenham sido infectadas com essa doença até 2018. Desse total, cerca de 32 milhões faleceram. Estima-se que no Brasil 900 mil pessoas contraíram aids.

A aids é uma doença transmitida por meio dos fluídos do corpo, tais como sangue e sêmen. Assim, ela pode ser transmitida por meio do compartilhamento de seringas, da transfusão de sangue, da relação sexual sem proteção e de mães grávidas portadoras do HIV, que podem passar a doença para os seus filhos.

Ebola


Apesar de não ser tão recente e não ter a mesma dimensão catastrófica da pandemia do novo coronavírus, a ebola também causou grande impacto nos locais onde se manifestou. A doença causada pelo vírus ebola foi identificada, pela primeira vez, no Sudão e na República Democrática do Congo, dois países localizados no continente africano. Os cientistas falam que o portador do vírus ebola pode ser um morcego que o transmite para outros animais.

O ser humano contrai a doença quando manipula cadáveres de animais infectados. A partir daí a transmissão de um humano para outro pode ocorrer por meio dos fluídos do corpo, como saliva, suor, leite materno e sangue. Por isso, trata-se de uma doença altamente contagiosa e que já causou surtos epidêmicos significativos no continente africano.

A situação mais grave da doença foi entre 2013 e 2016, na região da África Ocidental, principalmente, na Libéria, em Serra Leoa e no Guiné. Nesse surto epidêmico, estima-se que quase 29 mil pessoas foram infectadas, das quais mais de 11 mil faleceram. Ainda há um surto epidêmico acontecendo na República Democrática do Congo que já conta com mais de 2200 mortos.

A ebola é considerada uma doença grave e causa sintomas como febre alta, dores no corpo, vômito e sangramento. Não existe tratamento e cura para ela, e é uma doença com alto índice de mortalidade. Os médicos também falam de graves sequelas que ela deixa naqueles que se recuperam. Entre essas sequelas estão: dores nas articulações e até problemas de visão e audição.

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Fonte: História do Mundo

Imagem: Envato Elements