A infecção que antes era conhecida como hospitalar e atualmente é denominada de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), e a infecção comunitária possuem suas diferenças que muitas pessoas não sabem. Por isso, é importante saber sobre essa distinção assim como qual é a razão para o aparecimento dessas infecções.


De acordo com Rosângela Maria Pereira, enfermeira e docente, a infecção hospitalar é adquirida após a admissão do paciente e se manifesta durante a internação ou após a alta. Ou ainda, quando puderem ser relacionadas aos procedimentos da assistência, seja ela hospitalar, em clínicas de diálise, instituições de longa permanência, hospital-dia ou ambulatórios de quimioterapia ou infusão de medicamentos.

Já em relação a infecção comunitária, Rosângela explica que: "É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão do paciente, desde que não seja relacionada com a internação anterior no mesmo hospital".

Nos casos de infecções sejam elas de qualquer natureza, hospitalar ou comunitária, a enfermeira Rosangela esclarece que os hospitais devem constituir os Serviços de Controle de Infecção Hospitalar que implantam programas de prevenção e controle de infecção hospitalar, junto com as equipes multiprofissionais que trabalham dentro do hospital, desenvolvendo os pacotes de medidas de prevenção e controle.


"É importante, engajar todos os profissionais que são responsáveis no cuidado dos pacientes. Além disso, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar realiza a vigilância das infecções para detecção de surtos e tratativas dos mesmos para redução de dano, bem como desenvolve um programa de uso racional de antimicrobianos para o combate da multirresistência dos agentes patogênicos. Também realiza treinamentos dos profissionais de saúde para as melhores práticas de prevenção e controle de infecção, reciclando os conceitos para a manutenção da excelência na assistência" explica Rosângela.

Como evitar a infecção?


Para que as pessoas hospitalizadas evitem a infecção seja ela hospitalar ou comunitária a enfermeira Rosângela diz que os próprios pacientes possuem papel fundamental quando se trata de evitar a disseminação de infecções. Além disso, ela afirma que é importante que os pacientes sigam as orientações dos profissionais de saúde quanto aos cuidados na manutenção dos dispositivos invasivos, como por exemplo: sonda vesical de demora, cateter venoso central, entre outros.

"Os pacientes podem ser verdadeiros fiscais das ações de prevenção, como por exemplo, exigindo a higiene das mãos dos profissionais de saúde nos 5 momentos da assistência que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são: antes do contato com o paciente, antes de procedimento asséptico, após contato com fluidos, após contato com o paciente e após contato com superfícies próximas ao paciente" esclarece a enfermeira.

Como os visitantes podem evitar a disseminação das infecções?


Assim como os pacientes, os visitantes também precisam dos mesmos cuidados, ou seja, seguir as recomendações dadas pelos profissionais da saúde é essencial. Outra questão importante que a enfermeira Rosângela traz é que os visitantes devem ajudar a conscientizar os pacientes enfermos em relação as medidas de prevenção e controle de infecção além de estarem cientes que podem transmitir doenças infecciosas para o paciente durante a visita, agravando o quadro clínico. Ela também alerta que o visitante não deve realizar as visitas se estiver doente, como por exemplo, resfriado ou gripe, pneumonia, conjuntivite, diarreia ou lesões de pele suspeitas.

Infecção adquirida em recém-nascidos no ambiente hospitalar


Nos recém-nascidos de termo, a infecção de pele por Staphylococcus aureus (sensível ou resistente à meticilina) é a infecção adquirida em ambiente hospitalar mais frequente. Apesar dos profissionais do berçário serem transportadores do S. aureus nasal e fontes potenciais da infecção, são os neonatos e as mães colonizadas que funcionam como reservatórios. Durante os primeiros dias de vida, as áreas frequentemente colonizadas são o nariz, coto umbilical e virilha. Com frequência, a infecção se manifesta após alta do berçário.

Nos recém-nascidos com baixo peso ao nascimento (MBPN; < 1.500 g), os organismos gram-positivos, a maioria estafilococos coagulase-negativos, causam cerca de 70% das infecções. Os organismos gram-negativos, incluindo Escherichia coli, Klebsiella, Pseudomonas, Enterobacter e Serratia, são responsáveis por cerca de 20%. As micoses (Candida albicans e C. parapsilosis) causam aproximadamente 10%. Os padrões de infecção e resistência aos antibióticos variam de acordo com as instituições e as unidades e mudam com o tempo. "Epidemias" intermitentes ocorrem às vezes, e um organismo particularmente virulento coloniza uma unidade.

A infecção é facilitada por múltiplos procedimentos invasivos a que se submetem os recém-nascidos com MBPN, por exemplo, cateterismo arterial e venoso mantido por muito tempo, intubação endotraqueal, pressão positiva contínua das vias respiratórias, alimentação por sondas nasogástricas ou nasojejunais. Quanto maior a permanência em berçários de cuidados especiais e quanto mais procedimentos executados, maior é a possibilidades de infecções.

Medidas preventivas


Algumas atitudes capazes de reduzir a colonização por S. aureus, são:

Prevenção da infecção e da colonização nos berçários e em unidades de cuidados intensivos neonatais especiais;

Higiene das mãos;

Vigilância a procura de infecção;

Antibioticoterapia;

Vacinação.

Higiene das mãos


Outras medidas preventivas importantes é o ato de lavar as mãos. A lavagem com solução de álcool é mais eficiente do que com água e sabão na diminuição do número de colônias bacterianas nas mãos, mas se as mãos estiverem visivelmente sujas, elas devem ser lavadas com água e sabão. Incubadoras oferecem isolamento protetor limitado; o interior e o exterior das unidades tornam-se rapidamente contaminados, e os profissionais tendem a contaminar os braços e as mãos. Além dessas precauções, outras medidas visam à precaução com hidratação e transfusão com sangue universal.

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Fonte: Rosângela Maria Pereira Coren: 98353

Imagem: Envato Elements