Diversas pessoas em algum momento da vida sentem dores no estômago e surge a dúvida se a dor, azia ou má digestão podem ser sintomas de gastrite. Talvez essas sensações aconteçam como reação do organismo para certos alimentos ingeridos, bebida alcoólica ou medicamento. Na dúvida se a dor de estomago é gastrite ou não entenda do que se trata a inflamação e conheça os tipos existentes.


A gastrite é uma inflamação que acontece na mucosa, revestimento interno do estômago, e pode ser dividida em aguda e crônica. Entretanto, independente da classificação, manter uma dieta balanceada ajudam a melhorar os sintomas recorrentes.


Já em relação aos consumos que agridem as gastrites de modo geral, o médico da divisão de clínica cirúrgica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Borba, cita o álcool, cigarro, café e alimentos condimentados. Ele também esclarece que a única gastrite que não é afetada por esses consumos é a eosinofílica, pois, é alérgica.


Em casos que os sintomas do paciente não apresentam melhora e tenha até outros como por exemplo, enjoo, podem ser tratados de forma individual com o uso de medicamentos específicos. Somente em último caso que a gastrite pode se agravar e evoluir para úlcera ou outras doenças consideradas mais graves. Mas, de forma geral a gastrite pode ser curada.


Dentre os tipos de gastrite estão:

Gastrite aguda


Esse tipo de gastrite passa rápido e permanece por poucos dias. Isso porque é uma inflamação aguda quase sempre secundária ao uso de álcool, aspirina e anti-inflamatórios. "Quando você bebe muito você acaba tendo uma gastrite aguda, porque aquele álcool irritou o seu estômago", exemplifica Borba.


A gastrite também pode ser devido a uma complicação após cirurgias extensas, grandes queimaduras e septicemia. Em situações como essas as gastrites agudas podem se complicar com sangramentos digestivos. O tratamento pode ser feito à base de medicamentos. Porém, esse tipo de gastrite tende a ser confundido com quadros de dispepsia.


Gastrite crônica


Considerada mais frequente, esse tipo de gastrite pode levar um tempo para se manifestar e podem provocar sintomas clínicos ou não. Para que seja identificada e classificada como crônica é preciso fazer endoscopia.


As causas dessa gastrite podem ser devido a bactéria Helicobacter pylori, presente em 95% das gastrites crônicas. Na maioria das vezes, a H pylori é adquirida durante a infância e, após sua instalação no estômago, promove uma gastrite crônica e assim permanece por toda a vida sem provocar sintomas relevantes. Uma parcela pequena dos portadores de gastrite crônica pode evoluir para formas mais graves com atrofia da mucosa.


"Essa bactéria leva a destruição da proteção da mucosa do estômago, fazendo com que o ácido produzido pelo órgão agrida continuamente a mucosa, podendo evoluir para um quadro mais avançado, dito gastrite atrófica", explica Simone Reges Perales, médica-cirurgiã do aparelho digestivo e transplante hepático do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


Quando o paciente possui a bactéria e consigue eliminá-la por meio do tratamento, antes do aparecimento das formas mais graves, em praticamente todos os casos a cura é completa e a chance de contrair novamente a H pylori é muito pequena. Isso acontece porque o próprio organismo cria anticorpos e não permite que a bactéria se instale novamente no estômago.


A outra causa de inflamação crônica é a chamada gastrite autoimune, na qual, geralmente atinge mulheres com problemas de tireoide e provoca atrofia numa parte do estômago, que produz o ácido clorídrico. O especialista salienta que, se não diagnosticada adequadamente, o paciente pode desenvolver um quadro de anemia, por falta da vitamina B12, que não é absorvida pelo estômago, devido a atrofia. Nesta situação, os pacientes têm que fazer reposição da vitamina B12 durante a vida inteira.


Gastrite medicamentosa


Como o próprio nome diz essa gastrite se dá através do uso de medicamentos considerados tóxicos para o estômago, provocando a inflamação na mucosa. A gastrite medicamentosa por uso de anti-inflamatórios pode evoluir com sangramento, às vezes em grande quantidade e de difícil controle, o que pode colocar o paciente em risco. O uso do anti-inflamatório é perigoso", avalia Borba, mas ressalta que esse tipo de gastrite também pode ser tratada apenas com a suspensão do uso do medicamento causador da inflamação.


Também há possibilidade de usar medicações específicas para gastrite, mas, depois do tratamento de maneira geral, a inflamação tende a desaparecer. Em situações que o uso de anti-inflamatórios é imprescindível para o tratamento de outras doenças, é possível fazer uso de medicamentos que impedem ou reduzem o surgimento das gastrites medicamentosas e suas complicações, como o sangramento ou o aparecimento de uma úlcera no estômago.


Gastrite eosinofílica


Causada por um fator imunoalérgico que causa uma irritação na mucosa gástrica, essa gastrite é rara e corresponde a apenas 1% das gastrites. O diagnóstico se dá por meio de uma biópsia do estômago. A consulta com um imunoalergologista e a realização de testes cutâneos, sendo eles próprios para alergia, pode auxiliar na identificação da reação alérgica e orientar o tratamento.


Gastrite linfocítica


Esse tipo de gastrite não existe causa estabelecida, sendo assim, também é necessário a realização de uma biópsia do estômago para o seu diagnóstico. Os especialistas apenas acompanham a gastrite por meio de biópsias e prescrevem medicações de acordo com os sintomas.


"Elas fazem parte das apresentações raras de gastrites. Eosinofílica, linfocítica, por outras doenças, como sarcoidose e tuberculose, por alguns tipos de vírus. Mas isso tudo corresponde a um universo muito pequeno entre todas as gastrites", comenta Coelho.


E a gastrite nervosa?


Conhecida popularmente como gastrite nervosa, porém, esse tipo de inflamação não existe. Coelho, explica que esse termo apesar de ser usado é errado. "O que existe são pessoas que têm um estômago hipersensível e apresentam sintomas sobre ele. Se faço uma endoscopia, o resultado nunca encontra alterações importantes. Isso não tem nenhum risco para a pessoa ao longo da vida", esclarece ele.


Apesar de se referir aos sintomas comuns da gastrite, não quer dizer que a pessoa esteja com a inflamação. Os especialistas afirmam que, às vezes, o paciente pode estar apenas com uma dispepsia (má digestão), acompanhada de dor, azia, enjoo, estufamento e uma sensação de desconforto na parte superior do abdome.


"Isso não é gastrite, é uma reação do estômago, mas sem inflamação. Na realidade, isso significa que o estômago está muito sensível. O estômago não é doente, ele reage às nossas emoções como tensão emocional, ansiedade, depressão ou pressão social. Outras vezes, ele reage às agressões, como maus hábitos alimentares, alimentação irregular, excessos alcoólicos e muitos medicamentos. Isso é transitório e volta", explica Coelho.


Diante dessa situação parecida com a gastrite os especialistas esclarecem que o fato de ter boa alimentação, não usar anti-inflamatórios sem recomendação médica e a correção dos hábitos, em geral podem evitar os sintomas.


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Fonte: UOL

Imagem: 123RF