Os anticoncepcionais têm como utilidade maior a inibição da gravidez, mas, assim como qualquer outro medicamento há os efeitos colaterais e um deles é o risco de desenvolver a trombose, uma das maiores preocupações das mulheres que fazem uso do contraceptivo oral. A manifestação da trombose acontece devido a obstrução parcial ou total de veias ou artérias por coágulos sanguíneos, ou seja, os trombos, e podem aparecer em determinadas regiões do corpo sendo mais comum nas pernas.


Segundo o cardiologista Rafael Belo Nunes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ainda não existe comprovação do real motivo da relação entre anticoncepcional e risco de trombose. No entanto, estudos apontam a teoria de que esse contraceptivo causa resistência às proteínas C-reativas, que são anticoagulantes naturais do organismo. Com isso, o sistema circulatório fica desequilibrado e mais propício a criar coágulos e, consequentemente, eventos relacionados à trombose.

É importante ressaltar também que nem todas as fórmulas de contraceptivos são prejudiciais, e os anticoncepcionais que mais estão associados ao aumento de acometimentos vasculares e outros fatores que podem agravar essa incidência são aqueles combinados com estrogênio.


Nesse sentido, as pílulas são compostas de hormônios sexuais femininos que possuem não só a capacidade de inibir a ovulação, sendo isso o efeito contraceptivo, mas também a de induzir alterações no sistema de coagulação do sangue. Na prática, o que acontece é o aumento de substâncias e fatores pró-coagulação acompanhado da redução dos nossos anticoagulantes naturais.


Já a trombose, na maioria dos casos afeta as pernas dando sintomas como dor e inchaço. No caso da trombose venosa, a obstrução costuma ser nos membros inferiores e, se o coágulo se desprender, pode causar complicações graves como a embolia pulmonar. Já a trombose arterial pode parar o fluxo de importantes vias do cérebro, coração e outros órgãos, gerando Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou infarto agudo do miocárdio.

Chance de ter trombose com uso de anticoncepcional


O cardiologista Rafael Belo Nunes, explica que o uso de alguns tipos de pílula pode aumentar de 1,2 a 1,8 vezes a chance de desenvolver trombose arterial, quadro que causa AVC ou infarto agudo do miocárdio. Já o risco de ter trombose venosa fica de três a seis vezes maior ao tomar contraceptivo oral. Contudo, o especialista afirma que o risco absoluto é baixo mesmo com esses quadros.

Completando a explicação de Rafael, o ginecologista e obstetra Élvio Floresti Junior diz que a trombose normalmente ocorre em duas a três pessoas a cada 10 mil habitantes. Entretanto, entre pessoas que usam pílulas perigosas, os números passam a ser de 5 a 9 eventos a cada 10 mil habitantes.

Sintomas de trombose venosa


Apesar de ter a possibilidade dessa trombose ser assintomática, normalmente, os pacientes manifestam os seguintes sintomas:


Dores nos membros inferiores;

Inchaço na perna afetada;

Alteração da coloração da pele, que passa a ter uma tonalidade vermelha escura ou azulada.


Quando a situação se agrava para embolia pulmonar os pacientes podem apresentar:

Falta de ar aguda;

Comprometimento da oxigenação do pulmão;

Pressão baixa;

Falência dos órgãos.


Sintomas de trombose arterial


Na trombose arterial como já foi dito, dependendo do quadro apresentado, os pacientes podem ter sintomas de AVC e infarto.


AVC


Segundo o Ministério da Saúde os sintomas mais recorrentes de AVC são:

Déficit de mobilidade, como paralisação, dormência ou fraqueza de um lado do corpo;

Dificuldade na fala;

Alterações visuais;

Alguns tipos de dores de cabeça podem indicar AVC, como a cefaleia súbita e incomum.

Infarto


Diante do infarto muitas pessoas, geralmente, não sabem que estão tendo devido os sintomas serem comuns comparado a outros acometimentos, como:

Dor no peito;

Arritmia;

Formigamento unilateral;

Mal-estar;

Enjoo;

Vômito;

Suor frio;

Dificuldade de respirar;

Queimação no estômago.


Além disso, um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet indica que há alguns sintomas iniciais de infarto um mês antes de ele acontecer, como distúrbios respiratórios, dor no tórax não específica e desmaios.

No momento de prescrever ou contraindicar essas medicações o mais importante é avaliar a presença de fatores associados à trombose, tais como: obesidade, diabetes, câncer, tabagismo, sedentarismo, idade acima de 40, varizes, alterações genéticas ou adquiridas na coagulação e histórico pessoal e familiar de eventos trombóticos.


A contracepção hormonal de hoje é segura e apresenta riscos menores para trombose até mesmo quando comparada a situações fisiológicas como a gestação e o período pós-parto. No entanto, seu uso deve ser individualizado e decidido e acompanhado junto a um médico.


Se você atua na área da saúde e deseja ampliar seu conhecimento e se especializar em áreas que envolvem a ginecologia, conheça e matricule-se na especialização Citopatologia Ginecológica do Instituto Monte Pascoal. Aperfeiçoe suas técnicas profissionais e faça a diferença no mercado de trabalho.



Fonte: Veja Saúde e Hospital Oswaldo Cruz

Imagem: 123RF