O mau hálito, normalmente, acontece por falta de higiene bucal ou quando a limpeza bucal está sendo malfeita, mas, não é só isso. A halitose, como também é conhecida, não é algo tão incomum entre as pessoas e de acordo com a Associação Brasileira de Halitose 30% da população apresenta este problema. No entanto, se os cuidados para a saúde bucal estão sendo feitos corretamente e o mau cheiro ainda persiste, pode ser um alerta para outras condições, como uma inflamação, ou denunciam o agravamento de uma doença já instalada, como o câncer e a cirrose.

Geralmente quem tem mau hálito não percebe tal situação e cabe alguém do seu convívio avisar, caso isso não aconteça fica mais difícil para a pessoa ter a orientação e os cuidados adequados. Outro detalhe importante é que a origem do odor na boca, quando não é por uma causa grave e sim por falta de higienização correta, se dá na própria língua.


Por ser um órgão revestido de papilas que conduzem informações ao cérebro com o intuito de reconhecer o sabor dos alimentos, a língua possui nessas papilas pequenas criptas onde se acumulam restos de alimentos e células que descamam do epitélio lingual. Esse depósito serve de meio de cultura para bactérias que, quando fermentam, liberam substâncias ricas em enxofre, provocando mau hálito.


Já em situações mais graves a halitose pode ser indicação de outros problemas, tais como:


Gengivite e outras inflamações na via oral


Essa é umas das causas mais frequentes de halitose, e a principal causa é a falta de higiene bucal como foi explicado acima. Caso os cuidados com a região bucal não seja feita a situação pode se agravar e trazer problemas de gengivite além de outras inflamações oral.


Doenças no aparelho digestivo


Apesar de não ser a principal causa de mau hálito, a gastrite por Helicobacter pylori e refluxo gastroesofágico também geram o mau hálito. "Pode existir retardo no esvaziamento dos alimentos do estômago, que sofrem uma fermentação por ação de bactérias, liberando odores desagradáveis", explica o gastroenterologista Décio Chinzon. Os gases liberados pelo refluxo também podem deixar na boca o odor do alimento que foi ingerido, como por exemplo alho, cebola e outros alimentos mais marcantes.

Doenças no trato respiratório superior


De acordo com o gastroenterologista Guilherme Andrade, cerca de 5 a 8% das causas de mau hálito são doenças do trato respiratório, como: sinusite, rinite alérgica, amidalite e laringite. "O catarro gerado por essas doenças, juntamente com a ação das bactérias causadoras da inflamação, são os responsáveis pelo mau hálito", explica. O cheiro gerado por esses problemas no geral é o de muco, por conta da concentração de catarro.

Doenças no trato respiratório inferior


No caso do trato respiratório inferior as áreas do corpo afetadas são a traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Um exemplo de enfermidade que se encaixa nessa situação é a bronquite. "Essas doenças podem causar um acúmulo de secreções no pulmão, servindo de alimento para as bactérias, que produzirão gases mal cheirosos", esclarece o gastroenterologista Guilherme. O mau hálito causado pelas doenças tanto do trato respiratório inferior, quanto superior, pode ser agravado se você for tabagista, pois fumar só contribui para o acúmulo de secreção nesses órgãos, além do odor característico que o próprio cigarro proporciona.

Diabetes


A diabete por si só não causa mau hálito, mas, o endocrinologista Felipe Henning Gaia explica que a enfermidade pode favorecer a causa de halitose em duas situações. "Em pacientes com diabetes tipo 1 que parem de usar insulina, pode ocorrer o fenômeno de cetose (quando o pâncreas converte gorduras e ácidos graxos e corpos cetônicos), e o paciente pode apresentar o hálito cetônico, que se assemelha ao cheiro de maçã", afirma o especialista. A segunda circunstância é quando o paciente que possui um controle ruim do diabetes sofre uma proliferação bacteriana na cavidade oral, em resultado do descontrole glicêmico. Nesse caso, o odor é parecido com as inflamações da via oral.


Doenças hepáticas


Problemas que afetam o fígado como a cirrose, podem provocar diferentes tipos de mau hálito. Como no órgão acontece a síntese das substâncias absorvidas pelo nosso organismo, o mau funcionamento do fígado compromete esse processo, ocorrendo a liberação dessas substâncias pelas vias aéreas, quando elas na verdade deveriam ser excretadas. O odor do chamado hálito hepático é de terra molhada, que pode piorar e se tornar insuportável, conforme a gravidade da doença. "Esses cheiros característicos chamam a atenção do médico, e devem deixar o paciente já diagnosticado em alerta para as complicações", alerta o gastroenterologista Décio.

Doenças renais


"O mau funcionamento dos rins causado pela insuficiência pode levar a um acúmulo de ureia no organismo, que entra pelas vias aéreas e deixa um odor característico de amônia", explica o gastroenterologista Guilherme. O estado grave da doença renal crônica pode causar hálito com cheiro de urina. Dessa forma, qualquer alteração desse tipo deve chamar a atenção dos pacientes e alerta-los para o diagnóstico.

Câncer no estômago


Em estado avançado o câncer de estômago inicia um processo de "putrefação" do tecido canceroso, provocando o odor que passa pelas vias aéreas e causa um hálito fétido, do tecido necrosado que chega até a boca, conhecido como hálito necrótico. "Esse e outros cânceres do sistema digestivo causam esse odor porque crescem de uma tal maneira que as células em volta começam a morrer, como se o câncer estivesse apodrecendo a região", alerta o gastroelterologista Guilherme. "Esse hálito pode ser dividido em cinco graus, sendo o grau um hálito brando, e o cinco um odor insuportável. ", afirma.


Insuficiência cardíaca


Para funcionar corretamente, o coração usa a glicose para obter energia e bombear o sangue para o corpo. Nos casos de insuficiência cardíaca, em que o coração está deficiente, ele passa a quebrar ácidos graxos em vez da glicose, liberando os corpos cetônicos. Um estudo realizado no Instituto do Coração (Incor), pela Faculdade de Medicina e pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo, identificou que o nível de acetona exalado pelos pacientes cardíacos pode ser até 10 vezes maior do que nas pessoas saudáveis, dependendo da gravidade da doença.

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Fonte: Minha Vida e Drauzio Varella (UOL)

Imagem: 123RF