Para entender do que se trata a retenção de líquido é necessário saber que os nossos vasos sanguíneos não são impermeáveis, ou seja, eles contam com poros que possibilitam a saída e a entrada de células, bactérias, proteínas e água. Dessa forma, a retenção, chamada pelos médicos de edema, é o extravasamento de líquidos que saem dos vasos sanguíneos e vão para os tecidos subcutâneos, levando a um acúmulo entre as células. O corpo humano é preparado para ter uma manutenção dos líquidos nos vasos sanguíneos e, por vários motivos, ocorre uma alteração nesse processo gerando o edema.


Todo esse processo mencionado acima se torna visível por meio do inchaço, sensação de peso nas pernas, canelas volumosas que, ao serem pressionadas, fica a marca dos dedos e a região da pressão, esbranquiçada. Além disso, os sapatos são difíceis de calçar, há dores e incômodos.

Esse acúmulo de líquido acontece da seguinte maneira: ao ficarmos em pé ou sentados, devido à força da gravidade, pode ocorrer um certo extravasamento de água de dentro dos vasos sanguíneos das pernas para os tecidos ao redor. Com isso, essa ‘perda’ de líquidos dos vasos transmite um sinal aos rins que, no intuito de repor o líquido ‘perdido’, passa a reter sódio e água, aumentando a quantidade de água corporal.

Dependendo da situação pode causar edema. Por exemplo, dias muito quentes, em que a dilatação dos vasos sanguíneos facilita a saída de líquidos. Um quadro inflamatório local também pode provocar o problema, pois, a inflamação faz com que haja aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, perdendo assim líquidos para o tecido subcutâneo. Outras condições são: alguns medicamentos, reações alérgicas, sedentarismo, obesidade, dietas ricas em sal e carboidratos.


Sintoma de doenças


Vale ressaltar que certas doenças podem causar retenção hídrica, sendo assim qualquer inchaço precisa de orientação e consulta médica. Entre as enfermidades, as principais são insuficiência cardíaca, problemas renais, síndrome nefrótica, hipotireoidismo e cirrose hepática, quando há falência do fígado.

Os exames que nesses casos precisam ser realizados não dependem só do sintoma de edema, mas também de outros que aparecem em conjunto com o inchaço e que podem apontar para um possível diagnóstico. Exames de urina, hemograma, ecocardiograma e ultrassom do fígado auxiliam no diagnóstico dessas patologias e devem ser feitos somente se for preciso.


O tratamento varia em cada caso, mas, de maneira geral, são recomendados a diminuição do consumo de sal e a ingestão de diuréticos prescritos pelo médico quando a causa for alimentar. Se o motivo for de origem medicamentosa, talvez seja necessário trocar ou suspender a medicação. Em casos de menopausa, o tratamento soluciona o problema de edema.


Dependendo da quantidade de líquido que fica retida no tecido subcutâneo e do local ou órgão onde isso ocorre, o edema pode se tornar um quadro generalizado e atingir coração, pulmões e rins. Outro risco é o de trombose. No entanto, quando a retenção de líquido não é devido a alguma doença, ela não causa risco algum à saúde. O líquido retido pode até chegar a 3 litros, provocando um certo desconforto, mas, não há consequências para o funcionamento normal do corpo.

Mulheres possuem risco maior


As mulheres estão mais suscetíveis ao edema porque seus vasos capilares sanguíneos são mais permeáveis ao extravasamento de líquido, fator relacionado às questões hormonais particulares do sexo feminino.


Durante o período menstrual a quantidade de hormônios circulantes pelo organismo é alterada, e conforme a fase, a permeabilidade dos vasos sanguíneos aumenta e o extravasamento de líquido acaba ocorrendo. Isso é mais comum durante a tensão pré-menstrual (TPM) e nos dias de menstruação propriamente dita, em especial na faixa etária que vai dos 25 aos 30 anos.


Como foi mencionado acima, a menopausa também provoca inchaço e isso deve ser relatado ao ginecologista, que pode ver se há ou não a necessidade de reposição hormonal para amenizar esse e outros sintomas.


Em caso de gravidez, o desenvolvimento do bebê vai comprimindo os vasos sanguíneos que ficam na região pélvica, o que impossibilita a circulação correta do sangue nas pernas e que deve retornar ao coração. Essa resistência da circulação faz com que as paredes dos vasos sanguíneos extravasem, causando um inchaço no local.


Como evitar a retenção de líquido?


As pessoas que trabalham sentadas e passam muito tempo nessa posição devem usar meias elásticas de compressão. O apetrecho ajuda a bombear o sangue dos pés para cima, reduzindo o inchaço. O ato de movimentar a cada duas horas também é uma boa sugestão.


Descansar também é preciso. À noite, é bom ficar deitado ou numa posição em que as pernas fiquem esticadas. Ao estarem niveladas ao coração, há melhor distribuição do líquido no organismo.


O uso de diuréticos em excesso e sem orientação médica, podem mudar o funcionamento normal do rim e causar uma nefropatia difícil de resolver e que pode se converter numa insuficiência renal. Diuréticos normalmente não são recomendados para quadros leves de retenção hídrica e só devem ser utilizados através de prescrição médica, pois podem levar à perda de eletrólitos fundamentais como o potássio, que, em níveis muito baixos, provocam arritmias cardíacas graves.


O consumo de álcool também deve ser moderado, pois, pode provocar inchaço devido a vasodilatação dos vasos sanguíneos, que aumentam de calibre e faz com que uma quantidade maior de sangue extravase para os pés. O corpo, então, sente a dificuldade de drenar o sangue de volta para o coração, causando o inchaço.


Manter uma alimentação saudável é importante. Por isso, é bom evitar os embutidos, enlatados, queijos amarelos, molho tipo shoyu e fast-food. O excesso de carboidrato consumido que não é utilizado como "combustível" é estocado na forma de glicogênio. Cada grama de glicogênio armazenado carrega 3 gramas de água, o que pode se reverter em inchaço.


O excesso de sal é outro alimento que contribui para o aumento de líquido, pois, o corpo humano precisa manter a proporção de sódio e água constante. Vale consumir frutas com alto poder diurético, como melancia, melão, abacaxi e pera. E probióticos como iogurtes melhoram a flora intestinal, que absorve melhor os nutrientes diminuindo o inchaço. Para quem é obeso, eliminar o excesso de peso faz com que o sistema venoso seja menos exigido.

O exercício também promove a perda de líquida via sudorese, estimulando a circulação sanguínea, diminuindo o represamento, principalmente das pernas. Além disso, ingerir bastante água depois da atividade evita a desidratação.


A causa da retenção de líquido nos faz perceber o quanto diversas situações estão ligadas com o sangue. Por isso, se você atua na área da saúde e deseja ampliar seu conhecimento nas questões ligadas ao sangue, matricule-se na especialização em Hemoterapia e Terapia Celular no Incursos. Faça a diferença no mercado de trabalho e se torne um (a) especialista no assunto.



Fonte: Viva Bem

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