O Linfoma ou Doença de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, conjunto composto por órgãos e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade e vasos que conduzem essas células através do corpo. Esta doença se espalha de maneira ordenada, indo de um grupo de linfonodos para outro, através dos vasos linfáticos. O Linfoma de Hodgkin surge quando um linfócito, normalmente um do tipo B, se transforma em uma célula maligna, capaz de multiplicar-se de forma desgovernada e espalhar.

A célula maligna começa a produzir, nos linfonodos, cópias idênticas. Ao passar do tempo, essas células malignas podem se espalhar para tecidos próximos, e, se não tratadas, podem atingir outras partes do corpo. No entanto, esta doença costuma ser mais frequente na região do pescoço e do tórax, chamada de mediastino.


Não existe uma idade específica para ocorrer a doença, mas, se manifesta mais em jovens de 15 a 29 anos, adultos de 30 a 39 anos, e idosos com 75 anos ou mais. Além disso, os homens possuem mais possibilidade de desenvolver a Doença de Hodgkin do que as mulheres.


Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a estimativa de novos casos para o linfoma de Hodgkin é de 2.870, sendo 1.600 homens e 1.270 mulheres. Enquanto o número de mortes devido a doença, ocorre em média, 483 casos ao ano, sendo 260 homens e 223 mulheres.


Entretanto, vale ressaltar que a incidência de novos casos permaneceu estável nos últimos cinquenta anos, enquanto a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 1970 graças aos avanços no tratamento. A maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curado com o tratamento disponível atualmente.

Riscos


Algumas situações podem aumentar o risco de algumas pessoas desenvolverem o Linfoma de Hodgkin, como:


Quem possui o sistema imune comprometido, como portadores do vírus HIV e pacientes que fazem uso de drogas imunossupressoras, aquelas indicadas para evitar rejeição após a realização de transplantes;


Membros de famílias nas quais uma ou mais pessoas tiveram o diagnóstico da doença têm risco aumentado de desenvolvê-la embora seja algo muito raro.

Tipos


Existem diversos tipos de linfoma de Hodgkin. A classificação da doença se dá de acordo com as células envolvidas e o comportamento que elas desenvolvem. Conhecer o tipo exato de linfoma de Hodgkin ajuda o médico a determinar as melhores opções de tratamento.

Linfoma de Hodgkin clássico


Considerado o tipo mais comum da doença, o linfoma de Hodgkin clássico pode, ainda, ser dividido em subtipos. As pessoas diagnosticadas com esta enfermidade apresentam células maiores e anormais nos nódulos linfáticos, chamadas de células de Reed-Sternberg.

Esses subtipos são denominados de:


Linfoma de Hodgkin de esclerose nodular;

Linfoma de Hodgkin celularidade misturada;

Linfoma de Hodgkin com depleção linfocitária;

Linfoma de linfócitos rico Hodgkin clássico.

Sinais e sintomas


A Doença de Hodgkin pode aparecer em qualquer parte do corpo, e os sintomas variam da sua localização. Caso se desenvolva em linfonodos superficiais do pescoço, axilas e virilha, formam-se ínguas indolores nessas regiões do corpo. Se o Linfoma de Hodgkin se manifesta na região do tórax podem surgir tosse, falta de ar e dor torácica. Quando se apresenta na pelve ou no abdômen, os sintomas são desconforto e distensão abdominal. Outros sinais de alerta são febre, cansaço, suor noturno, perda de peso sem motivo aparente e coceira no corpo.

Diagnóstico precoce


O diagnóstico precoce do câncer é uma estratégia para identificar o tumor ainda em fase inicial e, dessa forma, ter mais chance de tratamento. A detecção da doença pode ser realizada por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença, ou com a aplicação de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas, mas, que pertencem a grupos com maior chance de ter a doença.


Para que o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilite melhores resultados durante o tratamento, o ideal é que a investigação seja realizada diante destes sinais e sintomas:


Aparecimento de um ou mais caroços, ínguas, sob a pele, geralmente indolor, principalmente no pescoço, virilha ou axilas;
Febre e suores noturnos;

Cansaço e perda de peso sem motivo aparente;

Coceira na pele.


Apesar que, na maioria das vezes, esses sintomas não sejam em razão de um câncer, é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não houver melhora em poucos dias.

Tratamento


O tratamento mais comum para linfoma de Hodgkin é feito à base de poliquimioterapia, ou seja, da quimioterapia com múltiplas drogas, com ou sem radioterapia. Para os pacientes que sofrem com o reaparecimento da doença, as alternativas vão depender da forma inicial de tratamento. As opções utilizadas, normalmente, são a poliquimioterapia e o transplante de medula óssea.

Quimioterapia


A quimioterapia é um tratamento medicamentoso que usa produtos químicos para destruir as células causadoras do linfoma. As drogas quimioterápicas passeiam através da corrente sanguínea e podem chegar a quase todas as áreas do corpo. É considerado o tratamento clássico para os mais diversos tipos de câncer.

Radioterapia


A radioterapia utiliza raios de alta energia, semelhantes ao raio-X, para matar as células cancerosas. Para o linfoma de Hodgkin clássico, a terapia de radiação pode ser utilizada isoladamente, mas, também pode ser em conjunto com a quimioterapia. Pessoas com linfoma em estágio inicial de linfócitos-predominantes de Hodgkin podem realizar somente sessões de radioterapia.

Transplante de medula óssea


Essa opção de transplante costuma ser voltada para os pacientes já em estado avançado do linfoma de Hodgkin. O intuito é substituir a medula óssea doente por células-tronco saudáveis que deem origem a uma nova medula. Esta também costuma ser uma opção de tratamento para casos de linfoma reincidente.

Durante o transplante de medula óssea, as próprias células-tronco do sangue do paciente são removidas, congeladas e armazenadas para uso posterior. Em seguida, o paciente recebe altas doses de quimioterapia e radioterapia para eliminar as células cancerígenas em seu corpo. Finalmente, as células-tronco são descongeladas e injetadas no corpo da pessoa por via intravenosa. Dentro do organismo, as células-tronco ajudam a dar origem a uma medula óssea, desta vez saudável.

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Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Minha Vida

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