Acidentes de trabalho assim como outros podem provocar traumas, e nessas circunstâncias a correta observação da cinemática do trauma realizada pelo socorrista é fundamental. Ou seja, é preciso realizar um estudo bem-feito da cena do acidente, bem como a interpretação das informações coletadas para facilitar o mapeamento das lesões, podendo levar à identificação prévia de 90% delas, inclusive as ocultas. Portanto, se trata de uma etapa crucial para o encaminhamento da vítima e a definição do tratamento a ser adotado.


O trauma se caracteriza pela absorção de força excessiva por um corpo físico, causando lesões visíveis ou não. Essa força, ou energia, pode ser de cinco naturezas distintas: mecânica (ou cinética), térmica, química, elétrica e radiativa.

A força mecânica ocorre com o impacto de um corpo contra outro envolvendo movimento de um ou ambos, é responsável pela maioria dos traumas, como quedas, perfurações e acidentes de automóvel.

Além de conhecer o agente é importante saber a intensidade com que o corpo foi atingido, como também a rapidez com que a energia foi transmitida no momento do choque. Isso porque, a velocidade de atuação da força tem correlação com a severidade e também com a forma da lesão. Quando acontece de maneira lenta, pode ocasionar contusões e esmagamentos, já impactos rápidos causam avulsões, amputações e lacerações.

A importância da cinemática do trauma


A cinemática do trauma, como foi explicado acima, é a análise das condições em que ocorreu o acidente. É fundamental estudar a cena e considerar, entre outros fatores, a direção do impacto, a velocidade, o tamanho do paciente e os sinais de liberação de energia. Então, com o histórico levantado, seja por observação ou entrevista de testemunhas, o socorrista consegue prever as possíveis lesões e seus tratamentos.

Um dos principais objetivos é diagnosticar lesões que não são visíveis, ou seja, as hemorragias internas. Além disso, as implicações do impacto podem ser tanto locais quanto sistêmicas, em várias regiões do corpo, sendo nesse caso chamado politrauma.

O mecanismo de trauma é uma ferramenta de triagem, e as suas conclusões devem ser repassadas à equipe que atenderá a vítima na unidade de emergência. O sucesso do tratamento depende de uma boa avaliação inicial.

Princípios fundamentais


Para compreender melhor o trauma e o seu mecanismo é necessário conhecer os seus princípios fundamentais, assim como as leis básicas da física:

Lei da Conservação da Energia - a energia não pode ser criada nem destruída, no entanto é possível que mude de forma.

Primeira Lei de Newton - um corpo parado permanece nesse estado, assim como um corpo em movimento continua em movimento até que uma força externa atue sobre ele.

Cavitação - os tecidos humanos possuem uma propriedade elástica natural e sofrem cavitação quando são atingidos por um objeto em movimento ou quando o corpo, se movimentando, se choca contra alguma coisa estática. Isso significa que os tecidos se deslocam para longe de sua posição original, formando uma cavidade.

Nesse sentido, a cavitação pode ser temporária quando ocorre o estiramento do tecido, mas a sua elasticidade é conservada. Aparece no momento do impacto, podendo retornar espontaneamente à condição normal. Entretanto, no caso de compressão ou laceração, é chamada de cavitação permanente ou definitiva.

Transferência de energia - a quantidade de energia transferida depende, também, da densidade do tecido atingido, ou seja, quanto mais denso, maior o número de partículas atingidas. Portanto, a quantidade de energia que causaria danos ao corpo muda de acordo com o órgão impactado.

Desse modo, fica nítido a importância da ação de socorristas devidamente capacitados em cinemática do trauma, garantindo a segurança dos colaboradores e o adequado tratamento das vítimas em caso de acidentes de trabalho.

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Fonte: Mastt

Imagem: 123RF