Quando alguém sofre um acidente, lesiona ou fratura alguma parte do corpo a primeira medida tomada é procurar um pronto socorro ou solicitar um resgate. No entanto, quando o assunto é algum distúrbio emocional em que, apesar da pessoa não estar bem ela não apresenta nenhuma ferida exposta o pedido de ajuda profissional muitas vezes é deixado em segundo plano. Mas, o que muitos não sabem é que existe a emergência psiquiátrica para apoiar quem está passando por uma crise psicológica.


Nesse sentido, a emergência psiquiátrica considera quaisquer distúrbios que levam as alterações nos pensamentos, nos sentimentos, nas ações ou nos comportamentos de alguém. Em resumo, são condições clínicas que exigem a necessidade de atendimento rápido devido ao risco significativo seja para a pessoa ou para aqueles do seu convívio familiar ou social.

Diversas situações podem se enquadrar como uma emergência psiquiátrica, por exemplo, o indivíduo pode estar em crise resultante de alguma doença, como a hemorragia cerebral, essa condição patológica surge após o uso excessivo de substâncias tóxicas como o álcool e a cocaína. Outras situações são aquelas relacionadas a episódios decorrentes de distúrbios mentais, como a esquizofrenia, os ataques de pânico e a mania depressiva.

Vale ressaltar que, as emergências psiquiátricas incidem igualmente em homens e mulheres, pessoas solteiras ou casadas. Isso porque, a relação intrínseca entre os desajustes psíquicos e as relações sociais, exigem uma intervenção médica imediata para todas as pessoas sem distinção. Essa é a maneira mais segura de evitar a evolução desses transtornos para condições de risco à vida.

Diferença entre urgência e emergência psiquiátrica


Emergência


É caracterizada por distúrbios de pensamento, postura e de desequilíbrios emocionais que sinalizam risco de vida ou risco social grave. Essa condição sugere a necessidade de intervenções imediatas e inadiáveis, a fim de aplacar os efeitos do problema.

Certas situações são consideradas indícios de emergência psiquiátrica e necessitam de atenção e cuidado. Atos de violência que envolvem agressividade verbal e física, ideações suicidas, tentativas de suicídio, crises depressivas, alucinação, excitação maníaca, automutilação, autonegligência, juízo crítico e surtos psicóticos são as mais comuns.

Urgência


Apesar de ser parecido com a emergência no que diz respeito o comportamento do paciente, a situação implica riscos menores. As urgências psiquiátricas exigem intervenções no curto prazo, e geralmente têm bom prognóstico. Alguns exemplos são comportamentos bizarros, quadros agudos de ansiedade, surto emocional, choque psicológico, fobias e síndromes convulsivas.

Situações que são consideradas emergências psiquiátricas


Ansiedade aguda e ataque de pânico


De maneira geral, as pessoas apresentam sintomas intensos de angústia acompanhados de sintomas físicos como sudação excessiva, batimento cardíaco acelerado, falta de ar, formigueiro nas mãos ou boca, tonturas, mal-estar geral com a sensação de que vai falecer.

Normalmente, quem passa por momentos assim procura os serviços de emergências clínicas com receio de estarem sofrendo um enfarte. Nessa altura e após o diagnóstico correto o indivíduo é encaminhado para o atendimento psiquiátrico.

Delirium ou estado de confusão mental


Nestes casos a pessoa pode apresentar-se mais sonolenta ou mais agitada, tem dificuldade em prestar atenção ao que se passa ao seu redor e frequentemente tem alucinações.

Os sintomas desenvolvem-se rapidamente, porém, a pessoa alterna períodos de melhora e piora. Ocorre devido a problemas clínicos diversos onde se inclui: desidratação, situação pós-cirúrgica, uso de determinada medicação, grandes traumas, traumatismo craniano, entre outros. O mais importante nestes casos é tratar a causa clínica básica, ou seja, o que está a desencadear os sintomas. À medida que o quadro clínico melhora, os sintomas psiquiátricos também melhoram.

Psicoses agudas


Ocorre quando existe uma disfunção da capacidade de pensamento e processamento de informações. A pessoa fica fora da realidade, desorientada, muitas vezes não sabe quem é ou onde está, tem alucinações, acredita que alguém a persegue ou quer prejudicá-la ou acredita em coisas que não correspondem à realidade.

Há uma incapacidade de ser coerente em perceber, reter, processar, relembrar ou agir sobre informações de maneira pertinente. Também ocorre uma diminuição da habilidade de mobilizar, deslocar, manter ou dirigir a atenção de acordo com a própria vontade. Uma das características principais do estado psicótico é a falha em quantificar e classificar a prioridade dos estímulos. A capacidade de agir sobre a realidade é imprevisível e diminuída, porque o paciente é incapaz de distinguir os estímulos externos dos internos.

Diante destes quadros clínicos possíveis o indivíduo tende a ficar agitado e agressivo, o que leva à necessidade de procurar um serviço de emergência.

Esquizofrenia


A esquizofrenia é uma modalidade de emergência psiquiátrica considerada bastante complexa. Ela é caracterizada por uma alteração cerebral em que o paciente tem muita dificuldade de fazer um correto julgamento sobre a realidade.

A produção de pensamentos simbólicos, a função cognitiva e a elaboração de respostas emocionais também ficam comprometidas. Essa desordem psíquica também pode surgir associada a questões genéticas ou de herança familiar.

Ao contrário do que muitos imaginam, a esquizofrenia não é classificada como um distúrbio de múltiplas personalidades. Na verdade, ela é uma doença mental de caráter crônico, tem origens diversas e exige acompanhamento psicoterápico por toda a vida.

A esquizofrenia é uma doença que pode surgir em qualquer fase da vida. No entanto, esse transtorno costuma surgir entre a etapa final da adolescência/início da vida adulta.

Causas de emergência psiquiátrica


As causas que levam a pessoa a apresentar um dos quadros acima descritos são diversos, podendo ser:

Abuso de álcool e/ou drogas;

Abstinência de álcool e/ou drogas;

Doenças psiquiátricas como mania e esquizofrenia;

Transtornos neurológicos;

Efeitos colaterais de alguma medicação;

Problemas clínicos, como infecções, falta de oxigenação do sangue, tumores, derrame, problemas nos rins e no fígado, deficiência de vitaminas, traumatismos, convulsões ou efeitos cerebrais pós-cirurgias.

Outras emergências psiquiátricas


Tentativas de suicídios;

Alcoolismo;

Transtorno bipolar do humor;

Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos;

Fobia específica;

Transtornos de personalidade;

Transtornos psiquiátricos relacionados com o uso de substâncias psicoativas.

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Fonte: Hospital Santa Mônica
Atlas da Saúde

Imagem: 123RF