O conceito de Suporte Básico de Vida Pediátrico baseia-se em vários procedimentos que tem como principal objetivo conseguir fornecer oxigênio ao cérebro e coração em situações que não há recurso de equipamentos, até que o suporte avançado de vida chegue ao local onde a ocorrência foi solicitada. Nesse sentido, umas das causas mais frequentes é quando ocorre a desobstrução das vias áreas em bebês, em que o primeiro socorro deve ser imediato e feito pelas pessoas que estão junto da criança. É por esse motivo que ter conhecimento sobre o suporte de vida pediátrico é tão importante.

Em boa parte dos casos o bebê pode apresentar falta de ar ou estar desmaiada, por isso, num primeiro momento deve-se executar as manobras de Suporte Básico de Vida (SBV), colocando a criança em decúbito dorsal, ou seja, deitada de costas, no chão ou num plano duro. Essa necessidade se justifica, pois, caso a vítima seja colocada em outros locais de apoio como por exemplo, a cama isso pode prejudicar as compressões torácicas já que a força exercida será absorvida pelas molas ou espuma do próprio colchão. Também é importante manter o alinhamento da cabeça, pescoço e tronco do bebê.


A pessoa responsável por reanimar a criança deve ficar próxima dela para realizar insuflações e compressões. O SBV deve ser efetuado sequencialmente, seguindo uma ordem de ações em que a eficácia da próxima sequência vai depender se a anterior foi bem executada.


O primeiro passo diante de uma situação emergencial em que a vítima é um bebê, é avaliar as condições de segurança dele, do reanimador e de terceiros antes de abordar a criança. Após se aproximar da criança é fundamental buscar pistas do que pode ter causado a emergência. Feito isso, estimule as mãos e os pés do bebê chamando-o em voz alta ao mesmo tempo. Se a criança de alguma forma responder, seja chorando ou se mexendo, o responsável no momento deve ligar imediatamente para o pronto socorro e reavaliar o estado que a criança se encontra constantemente.


Já em situações em que o bebê não apresenta nenhuma resposta peça a ajuda de terceiros em voz alta, mas sem deixar a criança. Caso haja mais de uma pessoa no ambiente peça que a mesma ligue para o pronto socorro.


Sequência ABC


Os próximos passos do procedimento, segue as etapas ABC, cujas iniciais correspondem aos termos ingleses Airway, Breathing e Circulation.

A – Via Aérea (Airway)


Quando a criança está inconsciente, o relaxamento do palato mole e da epiglote, bem como a própria língua, podem causar obstrução da via aérea. Sendo assim, é necessário realizar a permeabilização da via aérea por meio de duas técnicas:

- Extensão da cabeça / elevação do queixo


Este procedimento é considerado simples e eficaz. O responsável presente no momento com o bebê deitado de costas irá colocar a palma de uma mão na testa da criança e inclinar cuidadosamente a cabeça dela para trás e com a outra mão elevar o queixo utilizando os dedos indicador e médio. No entanto, nesse momento é importante ter cuidado para não pressionar os tecidos moles abaixo do queixo e acabar provocando uma obstrução da via aérea.

Além disso, a extensão da cabeça deve ficar em uma "posição neutra", podendo ser útil a utilização de uma toalha ou lençol entre as costas e o ombro do bebê para conseguir deixa-lo na posição adequada.


Subluxação da mandíbula


Este movimento é recomendado para os casos em que o bebê se encontra com suspeita de trauma sendo necessário a imobilização da coluna cervical ou se a técnica de estender a cabeça da criança não estiver correta.


Com o adulto responsável se posicionando atrás da cabeça do bebê, ele deve colocar dois ou três dedos da sua mão debaixo dos ângulos da mandíbula, elevando-a com os dedos polegares apoiados nos malares. Para facilitar a manobra e dar mais estabilidade, os cotovelos do reanimador devem estar apoiados na superfície em que a criança está deitada.


Ventilação


Após a criança estar com a permeabilização da via aérea deve-se:


- Avaliar se o bebê está respirando normalmente, vendo, ouvindo e sentindo em no máximo 10 segundos. Ou seja, reanimador precisar ver se existem movimentos no tórax; ouvir se há ruídos de saída de ar pelo nariz e pela boca da vítima; sentir se há saída de ar na boca e no nariz da criança.


- Caso a criança esteja respirando e não tenha nem um trauma, coloque-a em posição de recuperação. Mas, se ela estiver respirando e contenha algum trauma ligue para o pronto socorro e continue avaliando sua ventilação.


- Se o bebê não estiver respirando de maneira adequada, continue mantendo a permeabilidade da via aérea, retire com cuidado qualquer obstrução óbvia e comece a fazer a ventilação com ar expirado, realizando 5 insuflações. A intenção é fazer chegar algum oxigeno nos pulmões da criança.


- Ao realizar as ventilações veja se há movimentos de deglutição ou tosse associado às insuflações. A resposta ou ausência de reposta fazem parte da avaliação de "sinais de vida".


- Cada insuflação de ar deve ser feita durante 1 segundo de modo a causar expansão torácica visível no bebê. Entre uma insuflação e outra é preciso deixar a via aérea da criança permeável para possibilitar a expiração, e o adulto deve voltar a encher o peito de ar antes de cada insuflação para melhorar o conteúdo de oxigénio no ar expirado que irá insuflar.

Técnica de ventilação boca a boca-nariz


Esta técnica é indicada para lactantes. O adulto responsável pelo bebê após "encher seu peito de ar" encaixa a sua boca à volta da boca e do nariz do bebê e insufla, da mesma forma que foi explicado acima.


Se o reanimador não estiver conseguindo efetuar uma boa adaptação da sua boca à volta da boca e nariz da criança é necessário fazer a ventilação boca-a-boca ou boca-nariz. Em qualquer dos casos, as narinas ou a boca devem ser ocluídas para evitar a fuga de ar.

Técnicas de ventilação boca a boca


Nesta manobra, o reanimador deve adaptar a sua boca sobre a boca da criança, para que haja uma boa selagem. Com os dedos da mão que faz a extensão da cabeça deve pinçar as narinas da criança para evitar a fuga do ar insuflado.


Vale ressaltar que não é a idade que determina a decisão de efetuar a ventilação boca a boca-nariz ou boca a boca, mas efetivamente o tamanho da vítima.

Se o procedimento estiver sendo feito corretamente, e ainda assim não conseguir a expansão torácica adequada a possibilidade de obstrução da via aérea (OVA) deve ser considerada.

Nessa situação é indicado:

- Abrir a boca da vítima e procurar objetos visíveis; se existirem remova-os;

- Reposicionar a cabeça de forma a permeabilizar adequadamente a via aérea, tentando outro método, como por exemplo a subluxação da mandíbula;

- Tentar ventilar novamente, fazendo somente até cinco repetições.

Circulação


Depois de realizar 5 insuflações iniciais, o reanimador deve:


Observar se a criança tem circulação espontânea, através da pesquisa de sinais de vida, sendo ela movimento, tosse, respiração normal não agónica, ou então se necessita de compressões torácicas.

Esta avaliação de sinais de vida não deve demorar mais do que 10 segundos.

No lactente deve palpar o pulso braquial, na parte interna do braço, e na criança o pulso carotídeo. Em qualquer dos grupos pode palpar o pulso femoral.


Em consequência desta avaliação:


- Caso a criança apresente alguns sinais de vida, mas não respira ou a respiração é inadequada, continue as insuflações com ar expirado numa frequência de 12 a 20 ciclos por minuto.

- Se o reanimador estiver sozinho, o ideal é ligar para o pronto socorro, levando se possível a criança consigo, mantendo as insuflações.

- Reavalie periodicamente e mantenha as insuflações até que a criança respire normalmente ou chegue a ajuda.

- Se a criança recuperar a respiração normal e não houver história de trauma, coloque-a em posição de recuperação.

- Caso não tenha sinais de vida deve iniciar de imediato compressões torácicas, mantendo uma alternância de 15 compressões com 2 insuflações.

A relação compressões / insuflações em crianças é de 15:2.


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Fonte: Instituto Nacional de Emergência Médica

Imagem: 123RF