O afogamento pode ocorrer em situações em que a pessoa não consegue nadar e acaba afundando e consequentemente aspirando liquido, seja em piscinas, rios ou mares. No entanto, há possibilidade de afogamento em pequenas quantidades de água como, por exemplo, 70ml ou então por outros líquidos não corporais como tanque de óleo, lama, entre outras substâncias fluidas. Em cada situação, dependendo do estado em que a vítima se encontra é necessário avaliar qual é o grau de afogamento para que as medidas certas sejam tomadas.


Quando o indivíduo passa por complicações na água e não consegue manter as vias aéreas livres de líquido, a água que entra na boca é voluntariamente cuspida ou engolida. Caso essa situação não seja interrompida a tempo, uma quantidade inicial de água é aspirada para as vias aéreas e a tosse ocorre como uma resposta reflexa, chamada de evidencia de aspiração. Em raras situações ocorre o laringoespasmo (menos de 2%), mas em tais casos, é rapidamente terminado pelo aparecimento da hipóxia.

Se o resgate dessa pessoa não for realizado, a aspiração de água continua e a hipoxemia (baixa de oxigênio no sangue) leva de segundos a poucos minutos à perda da consciência e parada respiratória, ou seja, a apneia que acontecem ao mesmo tempo. Após a aceleração do coração ocorre uma redução dos batimentos por minutos, a bradicardia, atividade elétrica do coração sem pulso arterial palpável, e assistolia. Geralmente todo o processo de afogamento, da imersão em que parte do corpo se encontra dentro da água ou submersão em que todo corpo está dentro da água, até uma parada cardíaca, ocorre de segundos a alguns minutos.

Causa do afogamento


Afogamento primário – quando não há indícios de uma patologia associada ao afogamento, ou seja, houve uma subestimação do risco ou uma super estima da competência aquática do indivíduo que o levou ao afogamento.

Afogamento secundário – são as situações em que existe alguma causa que tenha impedido a vítima de se manter na superfície da água e, em consequência precipitou o afogamento, como drogas em que 36,2% dos casos mais frequente são devido ao uso de álcool, convulsão, traumatismos, mal súbito por causa de doenças cardíacas, patologias pulmonares, acidentes de mergulho e outras.

Já a cãibra não se enquadra em afogamento secundário, pois, não se trata de uma causa que pode ser responsabilizada por um afogamento, já que muitos nadadores, surfistas e mergulhadores enfrentam cãibras dentro da água com frequência e não se afogam por esta razão.

Classificação quanto á gravidade


Resgate – sem tosse, espuma na boca ou nariz, dificuldade na respiração ou parada respiratória ou parada cardiorrespiratória (PCR).

Grau 1 – tosse sem espuma na boca ou nariz.


Grau 2 – pouca espuma na boca e/ou nariz.

Grau 3 – muita espuma na boca e/ou nariz com pulso radial palpável.

Grau 4 – muita espuma na boca e/ou nariz sem pulso radial palpável.

Grau 5 – parada respiratória, com pulso carotídeo ou sinais de circulação presente.

Grau 6 – Parada Cardiorrespiratória (PCR).


O que o (a) enfermeiro (a) precisa saber na fase de coleta de dados?


O primeiro passo é buscar saber sobre a cinemática do evento com o intuito de investigar a possibilidade de trauma associado ou não, além do tempo aproximado de imersão/submersão.


Enquanto no exame físico é preciso realizar o exame físico geral, focando principalmente no exame físico cardiovascular e pulmonar: avaliar a frequência respiratória e os sinais de esforço; a presença de cianose; a amplitude dos pulsos centrais e periféricos; a pressão arterial; e saturação de oxigênio.


Na ausculta pulmonar, é possível auscultar estertores. Já na ausculta cardíaca, pode ser possível identificar B3, sopros e arritmias.


Quais as condutas a serem tomadas?


A orientação geral é de imobilizar somente os pacientes com suspeita de politrauma. O atendimento deve ser realizado de acordo com o grau de gravidade clínica:

Grau 1 – observação hospitalar nas primeiras 24h horas, mesmo se o paciente não estiver apresentando sintomas, e aquecimento;

Grau 2 – oxigenoterapia de baixo fluxo, observação hospitalar por 48h e aquecimento;

Grau 3 – oxigenoterapia de alto fluxo ou via aérea avançada, tratamento inicial de edema agudo de pulmão, aquecimento e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI);

Grau 4 – oxigenoterapia de alto fluxo ou via aérea avançada, aquecimento, reposição volêmica, avaliar necessidade de diurético ou drogas vasoativas. Transportar para UTI;

Grau 5 – realizar ventilação por pressão positiva até recuperar respiração espontânea e depois tratar como grau 4;

Grau 6 – realizar suporte básico e avançado de vida.

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Fonte: Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) e Portal PEBMED

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