A hemodiálise é necessária em casos de insuficiência renal grave, em que, geralmente, os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue, o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina no organismo fica prejudicado. Dessa forma, a hemodiálise é realizada em uma máquina que serve para limpar e filtrar o sangue, ou seja, faz o trabalho que o rim doente não pode fazer. Este processo também libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos, além de controlar a pressão arterial e ajudar o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina.

A doença renal é uma enfermidade que não apresenta sintomas visíveis, por isso, as pessoas costumam descobrir o problema já em estágio avançado. Para ajudar no diagnóstico precoce o ideal é fazer a análise de creatinina no sangue e exames de urina. Esses exames são ainda mais recomendados a pacientes com diabetes e hipertensão, que são os principais fatores de risco para doença renal.

Quem precisa fazer o tratamento de hemodiálise?


A hemodiálise é recomendada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves. A indicação desse tratamento é feita pelo médico especialista em doenças dos rins, o nefrologista, que avalia o organismo do paciente por meio de:


Consulta médica, investigando os seus sintomas e examinando o corpo do paciente;

Dosagem de ureia e creatinina no sangue;

Dosagem de potássio no sangue;

Dosagem de ácidos no sangue;

Quantidade de urina produzida durante um dia e uma noite, ou seja, urina de 24 horas;

Cálculo da porcentagem de funcionamento dos rins;

Avaliação de anemia com hemograma, dosagem de ferro, saturação de ferro e ferritina;

Presença de doença óssea.

Após a consulta, dá para iniciar o tratamento com remédios que podem controlar os sintomas e estabilizar a doença. Já nas situações em que os remédios não são suficientes e a doença progride, pode ser necessário iniciar a hemodiálise. A decisão de qual medida será tomada é feita em conjunto com o paciente e o médico.

Passo a passo da hemodiálise


1º Passo – a máquina usada para hemodiálise recebe o sangue do paciente por meio de um acesso vascular, podendo ser um cateter ou uma fístula arteriovenosa, que é uma conexão inserida cirurgicamente no braço do paciente.

2º Passo – o sangue é impulsionado por uma bomba até o filtro de diálise, chamado dialisador.


3º Passo – no dialisador, o sangue é exposto a uma solução chamada dialisato, através de uma membrana. O dialisato retira o líquido e as toxinas em excesso no sangue.


4º Passo – o sangue limpo é devolvido para o organismo do paciente por meio do acesso vascular.


Qual é a duração de uma hemodiálise?


O tempo irá variar conforme o estado clínico do paciente, mas, de maneira geral, dura quatro horas, sendo de três ou quatro vezes por semana. Dependendo da situação em que o paciente se encontra esse tempo varia de 3 a 5 horas por sessão e pode ser feita 2, 3, 4 vezes por semana ou até mesmo diariamente. O nefrologista avaliará o paciente para que seja escolhida a melhor forma de tratamento para o mesmo.

Para assegurar que a diálise está adequada, o médico nefrologista faz revisões mensais inclusive com o emprego de exames laboratoriais. Se a diálise não estiver adequada, ajustes serão feitos na forma como a hemodiálise do paciente está sendo realizada, atingindo então o desempenho esperado.

Sendo assim, o paciente em tratamento através da hemodiálise não deve faltar as suas sessões. Caso a pessoa não possa comparecer a uma sessão o ideal é avisar assim que possível a sua clínica de hemodiálise.

A hemodiálise é um processo doloroso?


Grande parte dos pacientes fazem hemodiálise através da fístula, pois, é a melhor forma de acesso ao sangue do paciente, porém para começar a hemodiálise é preciso fazer a punção da mesma com as agulhas e esse procedimento sim causa uma leve dor.

Na maioria das sessões de hemodiálise o paciente não sentirá nada, mas algumas vezes, pode ocorrer uma queda da pressão arterial, câimbras ou dor de cabeça. Por estes motivos, a sessão de hemodiálise é sempre realizada na presença de um médico e uma equipe de enfermagem.

Normalmente, esses sintomas ocorrem quando o paciente tem muito líquido para remover do seu corpo naquela sessão de hemodiálise. Desse modo, é importante seguir as recomendações da equipe médica para evitar o ganho excessivo de peso entre os dias das sessões de hemodiálise, e assim, ter uma sessão confortável.

Quais são as vantagens de se fazer hemodiálise diante de uma doença renal avançada?


Ao iniciar o tratamento o paciente perceberá uma melhora significativa nos sintomas que apresentava, tais como: falta de apetite, indisposição, cansaço, náuseas, entre outros. Após um tempo, também serão reduzidas as restrições dietéticas que o paciente fazia antes de começar a fazer hemodiálise e o paciente perceberá, em geral, uma melhora na sua qualidade de vida.

A pessoa que faz hemodiálise pode comer e beber à vontade?


A hemodiálise substitui a função dos rins de quem tem doença renal crônica avançada, no entanto, o procedimento não substitui as funções renais por completo, até porque os rins não são apenas meros filtros de sangue, eles exercem várias outras funções no organismo como: controle de água corporal, controle no nível de sais minerais, controle dos ácidos (pH) no organismo, controle da pressão arterial, síntese de hormônios que estimulam a produção do sangue e controle da saúde dos ossos através da produção de vitamina D. Por isso, seguir as recomendações de alimentação elaboradas é fundamental para o sucesso do tratamento.

A quantidade de líquidos ou de alimentos que pode ser ingerida varia de pessoa para pessoa e depende do estado nutricional do paciente, da quantidade de urina que o paciente ainda produz e de outros fatores como a presença de doenças associadas, como por exemplo, a diabetes.

O paciente que passa por tratamento de hemodiálise pode trabalhar?


Diversos pacientes que fazem hemodiálise trabalham, mas isso depende das condições clínicas de cada um e do horário das sessões.

Há uma lei Federal que auxilia financeiramente pacientes portadores de doença renal crônica em diálise. As clínicas de diálise também dispõem de assistentes sociais que podem orientar os pacientes para conseguirem esse benefício.

É possível viajar mesmo fazendo tratamento de hemodiálise?


Sim. As clínicas de diálise no Brasil e em outros países, compartilham um sistema chamado hemodiálise em trânsito. Ou seja, se o paciente deseja viajar, a clínica do paciente entra em contato com as clínicas do local de destino, as informações são passadas e durante a estadia naquela cidade o paciente continua seu tratamento. Uma vez formalizado o processo entre as duas clínicas, o paciente poderá viajar. É recomendável que o paciente ou seu familiar, antes da viagem, entre em contato com a clínica que vai lhe receber, para informar exatamente quando chegará, quais medicações precisará levar com ele, entre outras informações.

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Fonte: G1 e Sociedade Brasileira de Nefrologia

Imagem: 123RF