O coagulograma consiste em um grupo de exames de sangue, nos quais, são utilizados para verificar se a coagulação sanguínea do paciente está ou não dentro dos parâmetros normais ou se o tempo de coagulação está ideal ou anormal. Esta sequência de exames é solicitada pelo médico com o objetivo de identificar qualquer alteração assim como, orientar os melhores tratamento para a pessoa para que complicações possam ser evitadas. Dessa forma, quando o profissional da saúde prescreve o coagulograma isso significa que o paciente precisa passar por exames, como: Tempo de Sangramento (TS), Tempo de Protrombina (TP), Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA), Tempo de Trombina (TT).


Por que fazer um coagulograma?


Normalmente, o coagulograma é indicado na fase pré-operatório do paciente seja em qualquer tipo de cirurgia. Ou então, antes de ser realizado algum procedimento médico que pode ou vai ocorrer sangramento. Em todos os casos, se algum dos resultados dos exames mostrarem alterações o procedimento deve ser cancelado.


Os exames de coagulograma também podem ser solicitados para investigar sangramentos espontâneos ou fazer diagnóstico diferencial de sangramentos uterinos disfuncionais nas mulheres. Outra recomendação é para as diversas patologias hematológicas que cursam com distúrbios da coagulação ou em casos em que o paciente tem história prévia de sangramentos. Em relação aos casos em que um paciente é picado por algum animal ou inseto que possui toxina que altera a coagulação sanguínea o coagulograma também é indicado.

Além disso, em situações em que a pessoa apresenta o diagnóstico de dengue o coagulograma pode ser recomendado para definir condutas. Até porque, o exame possibilita a monitoração do estado de pacientes que utilizam medicamentos antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes, como forma de prevenir certas doenças cardíacas daí decorrentes.

Tempo de Sangramento (TS)


Este exame costuma ser realizado como um complemento para os outros exames, pois, detecta qualquer alteração nas plaquetas e é feito por meio de um pequeno furo na orelha, que corresponde à técnica de Duke, ou de um corte realizado no antebraço, chamada de técnica de Ivy. Após este pequeno corte ou furo, a contagem do tempo em que há o estancamento do sangramento é realizada.

Na técnica de Ivy, o braço do paciente recebe uma pressão, e em seguida realiza-se um pequeno corte no local. Já na técnica de Duke, o furo na orelha é feito por meio de uma lanceta ou um estilete descartável. Nos dois procedimentos, o sangramento é avaliado a cada 30 segundos por meio de um papel filtro, que absorve o sangue do local. O teste finaliza no momento em que o papel filtro não absorve mais o sangue.


O resultado do TS possibilita avaliar a hemostasia e a presença ou ausência do fator de von Willebrand, que é um fator presente nas plaquetas que possui papel fundamental no processo de coagulação sanguínea. Embora esse exame seja útil na detecção de alterações da hemostasia, pode causar desconforto principalmente em crianças, já que o exame pode ser feito por meio da realização de um furo na orelha, por exemplo.

Tanto na técnica de Ivy quanto na técnica de Duke há um tempo determinado para o procedimento ocorrer. No caso da técnica de Ivy, que é a do braço, o tempo normal de sangramento é entre 6 e 9 minutos. No caso da técnica de Duke, que é a da orelha, o tempo normal de sangramento é entre 1 e 3 minutos. Se ultrapassar este prazo, o exame é dito como TS alargado, indicando que o processo de coagulação demorou mais do que o normal, podendo ser indicativo de doença de von Willebrand, uso de medicamentos anticoagulantes ou trombocitopenia, por exemplo.

Tempo de Protombina (TP) / Tempo de Atividade da Protrombina


O TP ou TAP é um teste para avaliar a via extrínseca e a via comum, ou seja, os fatores VII, X, V, II e o fibrinogênio. Dessa maneira, o tempo de protrombina estará aumentado em casos de deficiência de fibrinogênio ou de outros fatores, em pacientes que fazem uso de anticoagulantes, nas doenças hepáticas e deficiência de vitamina K, pois os fatores II, VII e X são dependentes desta vitamina.

Para a realização do TAP é adicionando ao plasma descalcificado pelo citrato, um excesso de fator tecidual (tromboplastina). Tendo em vista que a protrombina é convertida em trombina num tempo uniforme, a adição de cálcio com quantidade conhecida de cloreto de cálcio produz a coagulação do plasma. O tempo entre a adição do cálcio e a coagulação é chamado tempo de protrombina.

Vale ressaltar que, os reagentes utilizados, ou seja, as tromboplastinas, inicialmente eram produzidos a partir de um tecido humano, e foram posteriormente sendo substituídos por reagentes de tecido animal, o que gerou enorme variação intra e interlaboratorial, na qual, a sensibilidade dos reagentes variava de acordo com a origem da tromboplastina. Tudo isso acabou gerando sérios problemas para os pacientes, pois, os resultados obtidos por laboratórios que utilizavam reagentes menos sensíveis, ocasionavam erroneamente em uso de doses mais altas de anticoagulantes.

Após todo este problema, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu a Relação Normatizada Internacional (RNI), que expressa a uniformização dos resultados, pois leva em consideração a sensibilidade do reagente utilizado. Essa relação é feita através dos valores do TP, da média do valor normal de um TP (que foi definida pela média de 20 valores normais de TP avaliada em um laboratório padronizado específico) e o índice internacional de sensibilidade (IIS), que é específico para cada reagente usado e é sempre informado pelo fabricante. Com esses dados, o TP é calculado através de uma fórmula específica.


O RNI só é utilizado realmente para acompanhar os pacientes usando anticoagulante oral. Enquanto o valor de referência do TAP para uma pessoa saudável deve variar entre 10 e 14 segundos. Já no caso do INR, o valor de referência para uma pessoa saudável deve variar entre 0,8 e 1. No caso de se estar utilizando anticoagulantes orais o valor deve estar entre 2 e 3.

Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA)


O TTPa ou KTTp, corresponde ao tempo gasto para ocorrer a coagulação do plasma recalcificado em presença de cefalina. O TTPA estará aumentado quando o paciente tiver deficiência de fatores da via intrínseca, sendo os fatores XII, XI, IX e VII, e de fatores da via comum como o X, V, II e fibrinogênio da cascata da coagulação. Se enquadram nesse caso os pacientes com hemofilias A e B, doenças hepáticas, uso de anticoagulantes e deficiência de vitamina K, uma vez que os fatores II, IX e X dependem desta vitamina.

O TTPa consiste na determinação do tempo de coagulação do PPP (Plasma Pobre em Plaquetas) citratado, após a adição de um ativador (caolim, ácido elágico, celite, dextram ou sílica) da fase de contato da coagulação (por isso é dito "ativado"), e de um reagente, a cefalina, que substitui o fosfolipídio da membrana plaquetária ou F3P, uma vez que se trabalha com o PPP. O último reagente a ser adicionado é o cálcio, que reverte à ação do citrato.

O valor de referência do TTPa para uma pessoa saudável deve variar entre 24 a 40 segundos.

Geralmente, o alargamento de TTPA pode significar deficiência de fatores de coagulação; CIVD; Doença de Von Willebrand; uso de Heparina. Já o encurtamento do TTPa pode ser que seja um caso de câncer avançado; trombofilias.


Tempo de Trombina (TT)


O TT consiste no tempo necessário para que o coágulo seja formado após a adição de trombina, que é o fator necessário da coagulação para que haja a ativação do fibrinogênio em fibrina, que garante a estabilidade do coágulo.

Esse teste é considerado muito sensível e é realizado a partir da adição da trombina em baixas concentrações no plasma sanguíneo, sendo o tempo de coagulação influenciado pela quantidade de fibrinogênio presente no plasma.

Normalmente, após a adição da trombina ao plasma o coágulo se forma entre 14 e 21 segundos, sendo esse tempo considerado o valor de referência, podendo variar de acordo com o laboratório em que o teste é realizado.

O TT é prolongado quando a pessoa faz uso de anticoagulantes, apresenta produtos da degradação de fibrina, possui deficiência de fator XIII ou de fibrinogênio, por exemplo.

Realização do coagulograma


Antes de começar os exames de coagulograma o recomendado é que o paciente esteja em jejum de 2 a 4 horas. Em uma sala especial é feito a coleta do sangue e também alguns testes. Para a correta avaliação dos testes, é de extrema importância que o paciente informe todos os tipos de medicamentos que esteja utilizando, especialmente antibióticos e anticoagulantes.

O exame é rápido e o resultado é entregue, na grande maioria dos casos, em um dia. Após os testes não são observados desconfortos importantes para o paciente, mas deve-se evitar tomar sol no local puncionado e não fazer esforços com o braço usado para o exame durante 24 horas.

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Fonte: Tua Saúde, Kasvi e AbcMed

Imagem: 123RF