A úlcera venosa de perna consiste em uma lesão aberta localizada entre o joelho e a articulação do tornozelo. Esse ferimento não apresenta nenhum sinal de cura por pelo menos quatro semanas e ocorre na presença de doença venosa. Dessa forma, o termo "úlcera de perna" é usado para descrever uma perda de pele na região inferior ao joelho, na perna ou no pé, cujo tempo de cicatrização é superior se comparado com o período de uma cicatrização normal. Esta enfermidade pode provocar um problema de saúde capaz de gerar sofrimento e incapacidade.

Em pessoas em que as veias das pernas estão saudáveis, a pressão arterial se mantém no nível certo pelas válvulas e isso impede que o sangue flua para trás, mantendo-o em movimento por meio de suas veias. No entanto, a partir do momento que as válvulas se danificam a pressão do sangue nas veias das pernas aumenta. Essa pressão sanguínea faz com que o fluido transborde, resultando em inchaço, irritação, sensibilidade e, provavelmente, a formação de uma úlcera.

Nesse sentido, as úlceras podem ser do tipo arterial ou venoso, porém, mais de 85% dos casos são de origem venosa. Esse segundo tipo mais frequente se diferencia dos outros por ter características específicas. Ou seja, normalmente, ocorre no tornozelo, ou próximo deste membro, sendo de evolução lenta. O inchaço pode estar presente, piorando ao fim do dia, mas melhorando com a elevação dos membros. A dor é variável, no entanto, na maioria das vezes está relacionada com o edema e a infecção.

Esta condição costuma aparecer de forma mais precoce em pessoas sedentárias, obesas ou naquelas que permanecem longos períodos do dia em pé ou sentadas. Apesar da prevalência das úlceras venosas aumentarem com a idade, sendo mais recorrente em mulheres do que nos homens, é bastante frequente em trabalhadores da aviação.

Causas das úlceras venosas


No que diz respeito as úlceras de pernas, a principal causa é a insuficiência venosa crônica, provocada pelo desvio da pressão venosa profunda e contrações musculares em redor das veias, para as veias superficiais que não estão preparadas para resistir a pressões elevadas. Isso porque, elas dilatam-se e ocorre acumulação de sangue, resultando em estase venosa na pele, ficando visivelmente uma área descorada, constantemente eczematosa, em geral na região de veias varicosas salientes.


Às vezes, a drenagem venosa da pele torna-se muito insatisfatória para sustentar o metabolismo da epiderme, que morre e descama deixando uma úlcera venosa. Esta situação pode acontecer espontaneamente ou ser acelerada por um traumatismo relativamente pequeno. Entretanto, outras situações podem provocar as úlceras de perna, tais como:

Hipertensão venosa;

Infecção;

Diabetes mellitus;

Doença maligna;

Distúrbios dos tecidos que revestem as veias;

Lesão por trombose das veias profundas ou estase venosa.

Prevenção


Como dizem por aí, prevenir é o melhor remédio, então, a prevenção das úlceras de pernas se torna a medida mais eficaz para combater os danos resultantes das feridas com compromisso vascular.

De maneira mais específica, para a prevenção desta enfermidade é necessário:

Eliminar o uso de tabaco;

Fazer exercício físico todos os dias, principalmente realização de caminhadas;

Ter uma alimentação equilibrada e uma ingestão de líquidos adequada, o que promove a cicatrização da ferida;

Evitar permanecer de pé ou sentado com os pés no chão mais que uma hora seguida;

Fazer elevação das pernas intermitente durante o dia; caso tenha que permanecer de pé, efetuar passeios curtos e frequentes;

Assegurar uma higiene adequada dos pés e proceder a uma observação diária dos mesmos;

Não usar calçado nem apertado, nem demasiado largo;

Elevar os pés da cama 12 a 15 cm, para promover o retorno do sangue nas veias e diminuir o inchaço nas pernas;

Proteger as pernas de forma a evitar a exposição ao calor ou frio excessivos;

Combater a obesidade;

Utilização de uma adequada contenção elástica, após validação e/ou prescrição do seu médico ou enfermeiro;

Controlar as doenças de base, nas quais, podem contribuir para o aparecimento deste tipo de úlceras como por exemplo, as varizes, através de um acompanhamento regular de profissionais de saúde.

Tratamento de enfermagem


Cabe ao profissional da enfermagem ter um olhar mais cuidadoso, visto que a ferida é um problema de grandes dimensões, representando um desafio a ser enfrentado diariamente pelos pacientes, familiares e profissionais que cuidam desta pessoa. Por isso, é importante que o enfermeiro busque o cuidado e a saúde do paciente, mas também o apoio psicológico, assim como a interação enfermeiro-paciente para melhorar a qualidade de vida destes, visto que também convivem com comorbidades associadas à úlcera venosa, como o diabetes e a hipertensão arterial sistêmica. Os pacientes também enfrentam as recidivas das lesões, tornando-os desestimulados no enfrentamento de sua doença.

Sendo assim, a enfermagem desempenha seu papel na promoção do cuidado clínico, no relacionamento terapêutico e interpessoal a fim de promover a assistência de maneira eficaz e resolutiva. As ações de cuidado ao paciente com úlcera venosa serão, de forma peculiar, quando o cuidado clínico de enfermagem for prestado de maneira eficaz e o foco não for somente a lesão de pele.

Teoria do Alcance de Metas


Na intenção de fundamentar o cuidado clínico prestado, o enfermeiro pode se apoiar em teorias de enfermagem que conduzem o seu processo de cuidar. E, dentre os modelos existentes, a Teoria do Alcance de Metas, de Imogene King, elaborada em 1981, é uma ótima opção, pois, favorece o cuidado de enfermagem neste contexto. Esta teoria tem como base o processo transacional em busca de alcançar metas, valorizando o bem-estar dos pacientes em todas as suas dimensões e proporcionando a sua reabilitação com a utilização de uma estrutura conceitual que faz uso de três sistemas interativos, sendo eles: sistema pessoal, interpessoal e social.

A teoria de Imogene King pode ser utilizada no contexto da doença venosa porque se faz útil sendo aliada dos enfermeiros para a implementação do processo de enfermagem, disponibilizando alternativas e opções de cuidados conforme a participação do paciente e enfermeiro na tomada de decisão. Sendo assim, é importante uma boa interação entre enfermeiro-paciente no tratamento da úlcera venosa, principalmente por se tratar de um tratamento prolongado e doloroso, que requer dedicação de ambos, responsabilidade, compromisso e confiança no profissional da enfermagem.

Portanto, o trabalho desempenhado pelo enfermeiro no cuidado ao paciente com úlcera venosa é fundamental, sendo imprescindível a orientação sobre os cuidados domiciliares. Por isso, o profissional da enfermagem precisa ensinar a maneira correta de manusear e efetuar a troca dos curativos, a limpeza e o manejo da ferida, bem como orientar acerca da proteção do curativo durante o banho. Também é necessário ensinar o paciente a reconhecer os sinais de infecção e orientar quais antibióticos ocasionalmente serão necessários, mediante prescrição médica.


Além disso, deve-se deixar claro ao paciente que a utilização de bandagens para terapia compressiva é muito importante para o tratamento. Após a cicatrização da ferida, as meias de compressão estarão disponíveis mediante prescrição médica e o uso contínuo evitará recidiva. É importante também conversar sobre a possibilidade de tratamento cirúrgico para prevenir a recorrência da úlcera com o paciente, mas, esclarecer que a intervenção cirúrgica não é adequada para todos.

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Fonte: Revista Estima e Atlas da Saúde

Imagem: 123RF