O acesso venoso periférico, de forma resumida, é a introdução de um dispositivo do tipo cateter em uma veia periférica com a intenção de efetuar uma amostra sanguínea, reposição volêmica e de hemoderivados, e administração de drogas via endovenosa. O profissional mais capacitado para realizar este procedimento é o enfermeiro e por mais que o mesmo tenha experiência sempre haverá pacientes em que a dificuldade de administrar o acesso será maior. Por isso, é importante reconhecer as vias de acesso, saber muito bem como a técnica é empregada e as dicas do que fazer para evitar que uma veia do paciente seja estourada.

Entre as vias de acesso do corpo, as veias dos membros superiores do antebraço são as mais indicadas por acomodarem cateteres mais calibrosos, sendo elas: veia cefálica; veia basílica; veias medianas do antebraço e cotovelo; veias do dorso da mão. No entanto, se essas não facilitarem o acesso tente as veias dos membros inferiores, tais como: veia safena magna e parva; veias dorsais dos pés.

Técnica


1- Separar os materiais necessários para a realização do procedimento, sendo eles: luva, garrote, solução antisséptica à base de clorexidina, gaze estéril, cateteres de tamanhos apropriados e materiais específicos;

2- Se o paciente estiver consciente, explicar para ele toda a sequência do procedimento;

3- Escolher a veia apropriada;

4- Colocar um torniquete, garrote, acima ou proximal ao local escolhido para punção;

5- Fazer antissepsia do local da punção;

6- Segurar o local de forma firme com a mão não dominante e usar o polegar para puxar suavemente a veia;

7- Segurar o cateter com a mão dominante entre o polegar e o dedo indicador com o bisel voltado para cima;

8- Punção: Introdução da agulha tangencialmente à pele, formando um ângulo de 10 a 30° com a pele. A agulha deve ser introduzida gentilmente até se observar correta canulação da veia puncionada.

9- Posicionar a ponta do dedo indicador da mão dominante contra a pequena aba que se prolonga pelo topo do eixo do cateter. Avançar o cateter dentro da veia estendendo o dedo indicador dominante exercendo pressão contra a pequena aba com a ponta do dedo. Manter tração leve na veia com a mão não dominante para a veia não se movimentar enquanto o cateter é avançado;

10- Observar o retorno venoso;

11- Uma vez o cateter inserido, deve-se empurrar o botão no protetor da agulha para ela retirar a fim de prevenir lesões;

12- Remover o garrote;

13- Segurar o cateter e anexar o conjunto apropriado do cateter intravenoso;

14- Fixar o cateter com curativo oclusivo e do equipo em alça.

Por qual razão as veias estouram?


Existem diversas causas possíveis para que as veias estourem durante uma rotineira inserção de cateter EV. Entre elas estão: veias frágeis; veias móveis; cateter com calibre muito grande.

Dicas para evitar que a veia do paciente seja estourada


- Avalie, sinta as veias


Somente olhar para uma veia não é suficiente, o profissional da enfermagem precisa palpar a área em que está procurando a veia. O ideal é utilizar as polpas digitais do indicador e do terceiro dedo para avaliar a capacidade de resistência da veia, a permeabilidade, válvulas e tamanho. É possível verificar também se a veia é reta, suave e grande o suficiente para acomodar o cateter necessário para a terapia EV. A preferência deve ser sempre a veia mais reta. Para pacientes geriátricos, uma veia profunda pode ser menos propensa a estourar, uma vez que são mais estabilizadas e menos móveis.

- Opte pelo tamanho certo


Em relação ao dispositivo EV utilizado, se não for necessário infundir grandes volumes de líquido ou realizar transfusão de sangue, basta usar um cateter pequeno. Usar tamanhos menores é uma dica de ouro, desde que seja possível e não contraindicado. Para os adultos, um dispositivo G-22 como o Jelco™ ou Abocath™ nº 22, por exemplo, é comumente utilizado com sucesso. No caso de pacientes pediátricos, os dispositivos G-22, G-24 e G-26 são utilizados de forma satisfatória.

- Avalie a aplicação do garrote ou torniquete


Caso o garrote ou torniquete esteja muito apertado ou muito solto isso pode fazer com que as veias não se distendam e até mesmo interromper a circulação arterial. Sendo assim, um manguito de esfigmomanômetro pode ser usado como um torniquete quando se lida com veias muito frágeis de pacientes idosos e em tratamento de quimioterapia.

- Verifique o bisel, certifique-se de que ele está virado para cima


Esta conferência é feita para que o enfermeiro (a) tenha certeza de que não vai estourar uma veia do paciente ao avançar com a agulha. Além disso, dá para controlar melhor o ângulo de inserção quando o bisel está voltado para cima.

- Se o braço estiver frio use compressas quentes


As compressas quentes ajudam a dilatar os vasos sanguíneos, facilitando o aparecimento das veias de maneira rápida. Panos quentes ou um cobertor também podem ser usados se as compressas não estiverem disponíveis.

- Fixe a veia


Esta estratégia é utilizada com a finalidade de evitar que uma veia instável se desloque lateralmente no momento em que o profissional da enfermagem a perfura. Isto pode ser feito segurando a pele esticada e a veia com a mão não-dominante.

- Acerte o ângulo e insira o cateter diretamente no topo da veia


Como já foi dito acima, geralmente, o profissional da enfermagem faz a inserção em um ângulo de 15 a 30 graus. Após isso, o mais adequado é inserir o cateter em cima da veia e diminuir o ângulo para reduzir as chances de atravessar as duas paredes da veia. Outra dica é realizar a inserção lentamente mas de forma constante.

- Puxe um pouco a agulha antes de inserir todo o cateter


A agulha serve como um fio-guia enquanto o enfermeiro empurra o cateter dentro da veia. Nesse sentido, é necessário puxar a agulha de modo que haverá menos chances de punção da outra parede da veia à medida que avançar o cateter.

- Ao puncionar uma veia e perceber retorno de sangue, pare o avanço do cateter e diminua o ângulo


Essa atitude serve para evitar a perfuração da parede da veia novamente. Em primeiro lugar deve-se soltar o torniquete, em seguida diminuir o seu ângulo de inserção à medida que avança o cateter um pouco mais. Feito isso, basta puxar de volta a agulha um pouco antes de avançar todo o cateter. Ao ser inserido com sucesso o cateter, puxe a agulha rapidamente para conectar o equipo, ou Polifix™, ou "torneira" de três vias, e inicie a perfusão EV com as primeiras gotas gotejando muito lentamente.

- Use dispositivos de visualização disponíveis


Isso pode incluir luzes transiluminadoras, ultrassom de bolso ou qualquer um veinscanner. Estes dispositivos irão mostrar os caminhos da veia para que você possa acompanhar a direção de onde deve inserir o cateter EV.

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Fonte: Sala de Enfermagem e Sutura

Imagem: 123RF